terça-feira, 25 de dezembro de 2007

RIOS EM AGONIA

RIOS EM AGONIA


A Primeira greve de fome de um bispo lá em uma cidade do nordeste e o moroso e inconcluso acesso oeste(uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul) nesta cidade de Resende-RJ, suscitaram-me, a tempos, em circunstancias diferentes, um artigo intitulado “Rios Políticos”.A segunda dieta do religioso, concluída recentemente sem resultados outros que não um desmaio e uns quilos perdidos, condenada veladamente pelo Vaticano por ser de natureza política, incita-me a escrever estas mal traçadas linhas.
Posso estar errado novamente, mas o que sei é que naquela oportunidade cometi grave equívoco: os rios do Brasil agonizam e, em si, não são políticos, servindo apenas de fachada, engodo, escada e farsa para seres, estes sim políticos, muitos deles mal intencionados.Nosso rio, o ancestral Paraíba dos índios Puris, como o Velho Chico, lamentavelmente também tem se prestado a abusos de toda ordem.
Parecem-me naturais ilações nesta hora.Logo após a conclusão da represa chamada "do Funil", entre Resende-RJ e Queluz-Sp, que de alguma forma disciplinou as cheias que traziam águas revoltosas até quase o centro da primeira cidade, eram comuns nas localidades ribeirinhas a existência de panfletos da empresa responsável pela construção da barragem alertando a população, mormente os que pretendiam adquirir imóveis a beira rio, sobre os possíveis e previsíveis riscos em caso de grandes chuvas, quando necessariamente as comportas deveriam ser abertas para evitar mal maior, ou, explicitamente, a eventual ruptura das paredes de contenção em caso de extravasamento.
Nunca temi sequer prenúncios de tal catástrofe, pois nas pranchetas e nos cálculos trabalhava um dos maiores engenheiros que o país conheceu, o doutor Francisco Fortes, resendense, anos depois figura de destaque na Itaipu Binacional e fazendeiro de sucesso em nossa cidade, comprador da gleba conhecida como Fazenda Aliança, no trajeto das águas domesticadas, a jusante.
A área no entorno da represa, frente ao maciço do Itatiaia, parece ter algum tabu.De inegável vocação turística, carrega consigo,quem sabe, sortilégios, vaticínios...Seria por ciumes da mãe natureza, zelosa(invejosa) da beleza sem par da baixada que se estende ao sopé da mais magnífica montanha deste país?A verdade é que lá também foi instalado um componente vital do projeto estratégico colimado pelo regime militar de tornar o Brasil auto-suficiente em energia nuclear: a Usina de Enriquecimento de Urânio!
Como dizia, li, nos primeiros anos, após o término do represamento das águas, os panfletos afixados nos postes e de longe, nos setenta, acompanhei os brados de um político, ainda agora um dos mais atuantes na região, vociferando contra o projeto de enriquecimento de urânio às margens da represa originalmente destinada a geração de energia elétrica.Movia ele céus e terras para alardear indignações, fazia carreatas, etc. Do outro lado da rodovia Presidente Dutra, tudo muito perto, estava a jóia da coroa familiar, uma belíssima pousada para repouso e lazer de turistas.Registre-se apenas, em nome da verdade:sabemos todos que sua motivação não era só a preocupação com a propriedade que haveria de herdar.Fundamentava-se, sobretudo, em questões ecológicas e ambientais, assim cremos.
A moenda do tempo parece triturar o pensamento, o sentimento, ou melhor, os desígnios.Agora, ninguém mais crê que se queira ainda fazer uma bomba atômica ante a paisagem e os políticos se dão por satisfeitos por terem quase silenciado sonhos de grandeza, que a bem da verdade, também não precisavam tomar forma concreta naquele espaço de tão magnífica beleza.
Inegavelmente, nos dias que correm, os prepostos dos poderosos não tiram o olho vigilante e suspeitoso da remanescente empresa nacional que tenta ainda encontrar tecnologias avançadas para enriquecer o urânio, e tem conseguido faze-lo, com inusitada competência, para fins pacíficos e para o bem do Brasil, a despeito de tudo e de todos.A INB caminha competente, mas ainda vista com veladas desconfianças por parte de setores da mídia e de certos intelectuais do próprio país.Mas, repito, indispensável, jamais deveria ter sido implantada ali.
Voltando ao Paraíba, cloaca coletora de esgotos desde o vale paulista até sua desembocadura em Campos dos Goitacazes, prédios se levantam dos dois lados do rio tomando proporções gigantescas.Naquela mesma área de graves, ou no mínimo sombrias perspectivas futuras, constrói-se agora uma siderúrgica, a Votorantim, afrontando ainda mais a paisagem, os ares e águas que restarão aos nossos descendentes.Tudo isto acontecendo como se esquecido fosse o crucial fato: o abastecimento do precioso líquido para a cidade do Rio de Janeiro, segundo PIB nacional, depende quase que exclusivamente deste pobre rio.
Por ironia, o ato final da novel concessão cinzenta do aço, quis o fado que estivesse nas mãos, ou na caneta, de um rebento daquele outro que tanto verberara contra a pretensa bomba atômica muito próxima de seus domínios e da paisagem.Não disse agora, mas é com se dissesse: faça o que digo, mas não o que faço, ou o contrário, sabe-se lá.
O bispo?Respeito seu ato, mas classifico-o de tresloucado, felizmente não consumado.Daqui para frente o problema passa a ser do Vaticano, quanto à disciplina, da CNBB, quanto às justificaticas políticas e seculares e do Presidente Lula, quanto a necessidade ou não da transposição do Rio São Francisco.Não entro, por enquanto, no mérito de nenhuma destas questõe, ainda menores ante a agonia de todos os rios brasileiros.
E o nosso rio daqui, nosso conspurcado e andrajoso rio?Para este, sim, resta mais uma perda, mais um sacrifício, o de doar suas águas para outro exercício da inconsequência, da insensatez humanas.Se já não respira e nem vive, também não encontra aqui quem por ele fale: prelados, políticos, ministério público e esta sociedade amorfa, todos nós, que queremos apenas consumir, exercer poderes e levar vantagens.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

EQUÍVOCOS DA DEMOCRACIA


Agora todo mundo é índio, é quilombola, é perseguido pela ditadura militar.Perdoem-me os legítimos, mas observem atentamente que Hugo Chaves, mandatário do país limítrofe ao norte, não tem nenhum problema desta natureza.Lá não se fazem reservas indígenas contínuas na fronteira internacional com Roraima.Não ocorrem invasões de propriedades, senão por inspiração explicitamente governista.Ninguém fala em indenizações e outro temas.Não obstante, usa o instrumento plebiscitário intentando perpetuar-se no poder.Perdeu “por enquanto”, como disse.
Aqui no Brasil, no torvelinho de acontecimentos absolutamente desconhecidos para o cidadão comum, Roraima vive um drama.As reservas indígenas continuas Raposa-Serra do Sol, em algum momento serão evacuadas.Está em gestação uma provável operação policial para tirar milhares de pessoas dos terenos que cultivam, pequenos agricultores brasileiros também com inequívoca descendência índia.Com a palavra o atual Ministro da Justiça.
Delineia-se assim mais uma vez o palco das inconsequências e irresponsabilidades de nossos representantes congressuais e do governo.Estes que teimam em negar verdades históricas, movidos por ideologias alienígenas não aclimatadas.Que querem?Uma guerra civil?Acaso levam em conta que somos, na imensa maioria, um país de mestiços, eleitores, pobres e sofridos, para os quais a Amazônia poderia ser a redenção?(O Presidente da República, exemplo único de sucesso eleitoral na casa inimaginável dos cinquenta e tantos milhões de votos, tem um pé, ou melhor, o corpo inteiro, na seara da mais legítima população brasileira. Pena que lá já não tenha também sua alma e sua vontade política).
As esquerdas têm vivido vinte anos no centro dos acontecimantos ou no lugar de honra do botim.É um continuado excesso alimentar seguido de flatulências no banquete da decantada democracia pós-constituição cidadã.A festança ainda não terminou e tem seguimentos repetitivos, monótonos mesmo, no processo eleitoral e nos desvirtuamentos das posturas republicanas.
Os eleitos, os escolhidos comensais dos poderes se nutrem da ignorância, da indiferença e das bolsas isto e aquilo que garantem o espetáculo dos milhões de votos.Recordes são ultrapassados a cada elaição como fato corriqueiro, fenômeno pitoresco que deverá perdurar por algum tempo, para o bem ou para o mal.
E assim se vive por aqui...Um grupo se reúne, contrata uma determinada ONG.Em poucos meses conseguem laudos "comprobatórios" de uma origem étnica remota sem fundamentos outros que não sejam carimbos e o indefectível fraseado sociológico de Brasília.Indivíduos que habitam determinadas áreas, até nas grandes cidades, de repente são alçados a dignidade de descendentes vivos dos escravos que nunca se submeteram ao jugo absurdo da escravidão.Deveriam ao menos, estas pessoas, terem algum respeito pelo sofrimento daqueles que lhes move o pleito.
No capítulo referente às perseguições políticas, muita gente está enriquecendo com profícuas diligências perante órgãos públicos.Políticos doublé de advogados são também regiamente beneficiados.Estes que frequentam e têm livre trânsito em todos os palácios e instâncias, movendo milhões da noite para o dia com uma presteza invejável nas esferas administrativas desta terra. Porquê não exercitam tamanha proficiência em favor dos que lutam nos tribunais há várias décadas para receberem precatórios julgados (e mais que passados em julgado), mas nunca pagos?
Haja reparação, haja indenização, haja terra para compensar os "erros" do passado, nem todos propriamente ancestrais, mas até recentes.Estes são equívocos possibilitados pela constituição de 88, ou, como queiram, a farra da esquerda predatória no poder que muito caro vai custar a sucessivas gerações de contribuintes brasileiros.Mas ainda vem o pior: haja vastidões, de preferência ricas em minerais estratégicos, para compensar os acertos internacionais feitos pelos nossos políticos, a seguir explicitados.
Alguns partidos começaram estas histórias nos oitenta talvez cientes da ilegitimidade e da fraqueza do governo Sarney.Radicais começaram a mover a moenda que tritura a soberania do país nesta fase amarga de nossa trajetória.No princípio não era o balaio de gatos que hoje se vê no arcabouço político, em que resquícios ideológicos são mera cortina de fumaça para mensalões, sanguessugas, propinudutos e coisas piores, como o perigoso namoro com a narco-guerrilha.As esquerdas pousavam então de virgens incorruptíveis ante a opinião pública.
Num primeiro momento, a pretexto de neutralizar "os militares”, facções de todos os matizes e de diferentes calibres de voracidade se uniram para acessar o poder pela via democrática.Então, "Faustos" tupiniquins, necessitados de grana , fizeram pactos com os demônios que lhes sopravam aos ouvidos, lá de fora, sugestões, palavras de ordem e coisas tais: Os interlocutores preferenciais eram alguns partidos políticos da Europa e poderosas organizações internacionais.
A moeda de troca com tais ONG que hoje estão entronizadas ao norte, preferencialmente nas reservas indígenas riquíssimas em recursos minerais, foram nacos substanciais da própria Amazônia.Lá onde até o exército Brasileiro está impedido de entrar (mas não a FUNAI, a polícia Federal, alguns prelados e todos os estrangeiros mentores ou prepostos das referidas ONG).
Nestes transcendentais assuntos, parece que o Brasil tem sido representado décadas por vendilhões ou omissos.Alguém já disse que tem sido legislado por picaretas e vigiados por uma justiça fraca e inoperante.Num país em que pessoas abrigadas sob o manto de movimentos sociais obstruem, como fizeram pouco, uma ferrovia estratégica que conduz seres humanos e transporta produtos para exportação, ou têm como profissão única e meta existencial invadir propriedades agrícolas produtivas sem que ninguém mova uma palha para reverter tal quadro e conte-los, não parece restar dúvidas de que estamos em uma terra sem lei.Disse isto, em alto e bom som, uma revista de circulação nacional.
Sendo assim, urge que algum sentimento verdadeiramente democrático e cidadão se manifeste veementemente por todos os canais de opinião, mormente pelas mídias escrita e televisiva, no seio das quais certas esquerdas predatórias teceram originalmente suas tramas de lesa Pátria.E tudo se fará com um reconhecimento firme dos direitos dos índios, dos quilombolas, descendentes legítimos daqueles pobres seres que o próprio Exército Brasileiro, quando instado a atuar como capitão de mato, se negou a perseguir, dos vitimados políticos, inclusive da ditadura getulista.Mas tudo sem exageros, interesses escusos, desígnios ideológicos e proselitismos hoje em voga, deploráveis posturas que querem jogarnas costas das gerações vindouras algo impossível de pagar.
A propósito, todos estes temas deveriam desaguar em muitos plebiscitos, mas até agora niguem se dispos a fazê-los...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

DO PETRÓLEO E DO SAL


Não sou especialista no assunto "sal” e muito menos na temática do petróleo.Quanto ao primeiro, o cloreto de sódio, sei apenas que foi causa de guerras antigas, sendo indispensável na comida e na vida.Sem ele, a existência outra coisa não seria senão insossa (obviedade à parte).Do petróleo, ouço dizer que é um bem não renovável, sempre embutido nos grandes conflitos do século XX.Por décadas tem sido a razão ou compulsão das potências em suas projeções de poder.Motor vital das economias, para o bem ou para o mal, está presente em todos os momentos da trajetória de qualquer ser.
Na verdade, nem estudioso diletante sou de ambas as problemáticas.Do sal devo abster-me, por ordens do doutor, mas não consigo.Do ouro negro, sei que o preço internacional do barril bate na casa dos cem dólares e é uma das principais causas do males que afetam o meio ambiente em todo o planeta.De moto próprio decidi abolir o carro do rol de meus sonhos de consumo.De outros subprodutos, como o gás de cozinha e bens da indústria petroquímica, talvez não possa prescindir, a não ser que vá viver em cavernas, na condição existencial de troglodita, do lado oeste do Itatiaia.Porque lado oeste? Em razão da proximidade de uma siderúrgica a ser construída quase no sopé da montanha, na vertente oposta.Mas esta é outra história.
Com tudo isto, a imodéstia obriga-me a acrescentar algumas observações fundamentadas precariamente nos preceitos do “achismo".Achar isto ou aquilo a respeito de qualquer tema ganha foros de verdadeira característica sociológica dominante em certa parcela da sociedade brasileira na qual me incluo: do alfinete ao foguete, do futebol ao rockandroll, da genética à cibernética, da planilha à bolsa família, enfim, das perversões até às eleições, nem que seja só para rimar, nos botequins, nas ruas, qualquer que pratique a “achologia” (axiologia ou besteirol?) pode e deve opinar sobre qualquer assunto, ainda que o desconheça.Faço-o agora.
Todo este preambulo foi necessário só para comentar as consequências políticas da descoberta de profusões de petróleo no campo Tupi, na bacia de Santos.São oito bilhões de barris, segundo otimistas porta-vozes governamentais.Tal reserva está a sete mil metros abaixo da superfície, mas este fato, isoladamente, não preocupa, eis que o Brasil é pioneiro na exploração em grandes profundidades da plataforma continental.O imenso problema não está no piso abissal do mar, nem sequer na taluda camada de rocha, com mais de dois mil metros, mas, pasmem, no SAL, este também com uma faixa de mais de dois quilômetros na vertical!
É esta cobertura salina que acarretará aumentos significativos de custos, antes que o petróleo possa chegar às refinarias para processamento.Mas isto não é tudo: novas tecnologias deverão ser pensadas e desenvolvidas.Isto demandará tempo e dinheiro.A palavra de ordem é vencer o sal até chegar a um óleo fino, de qualidade superior, sem enxofre, de maior preço nos mercados.
O prestigioso Centro de Estudos do COPPE, da UFRJ, parceiro da Petrobrás há trinta anos, tem sido ouvido nos últimos dias pela mídia sobre as tremendas dificuldades para extrair aquele óleo.ACHO, com modéstia, que deveria ter tido a primeira palavra, antes da pirotecnia do anúncio oficial.
O sal, nas altas temperaturas existentes nas entranhas da terra, transforma-se em lama gelatinosa que sempre se fecha quando retirada uma sonda, diferentemente do que ocorre com a rocha.
Ouvir um cientista do COPPE adentrando o campo é ver um Ricardinho levantando, nem tanto bolas numa partida de vôlei, mas dificuldades que deverão ser vencidas nos próximos anos.Não obstante, sempre deixam uma mensagem final de otimismo e de capacidade de encontrar soluções para este e inúmeros outros problemas, previsíveis ou não, no caminho do petróleo até gerar riquezas para o Brasil.Continuo ACHANDO que deveria ter sido acionado antes da festa televisiva.
O fato novo foi o petróleo fino abaixo da camada de sal na área Tupi, que não pertence unicamente ao Brasil(temos dois sócios nesta empreitada) e que trará imensos óbices para a exploração. Então porque aquele anúncio retumbante de uma reserva conhecida há mais de dois anos cujos resultados somente serão visíveis em 2015?ACHO que foi por motivos político-eleitorais, em favor de pessoas que ambicionam o poder.Desnecessário seria declinar nomes.
A verdade é que foi gerada uma expectativa formidável, tanto que o Presidente já pensou marotamente na OPEP e afirmou ter sido apelidado de xeque por seu pares no exterior.Par e passo, as ações da Petrobrás subiram cerca de 12% em um único dia, para caírem depois, face o magro balanço com perdas de lucros em relação a 2006.
Vê-se, assim, que o problema não é somente o sal.Rimando, parece ser também eleitoral.Se formos realmente os campeões da democracia, devemos apurar quem ganha e que perde nestes casos, ainda mais se pensarmos que Tupi pode ser apenas uma parcela de campos que se estendem desde o litoral de Santa Catarina até o Espírito Santo.Providencialmente foram suspensas novas concessões e parcerias nas regiões mais promissoras.
Pode parecer óbvio, mas o sangue negro da mãe terra não deve ter dono.Como a Amazônia, não pertence a este ou aquele partido no poder, a este ou aquele regime, a este ou aquele grupo de acionistas, a esta ou àquela corporação.É propriedade inalienável do povo brasileiro.Assim, ACHO que devamos todos, cidadãos de sempre, vigiarmos muito alem de nossos olhares, empenhando nossos corações na questão, como fizemos na campanha do "Petróleo é Nosso" e em tantos outros episódios da história . E você, o que ACHA?



sábado, 3 de novembro de 2007

GUERRA DE PAPEL

Certos assuntos que respondem aos altos interesses nacionais não poderiam ser tratados como vem sendo nestes últimos anos.Não é lícito deixa-los a mercê de apetites partidários quase sempre pouco éticos postulando nomeações políticas para cargos em empresas estatais estratégicas, agências de controle eminentemente técnicas e ministérios responsáveis pelas políticas do Brasil.Não podem ficar ao Deus-dará, sendo levados com a barriga, o descaso e a incompetência.Não devem, acima de tudo, mesclar-se com o viés ideológico aqui renitente, mas em desuso no mundo desenvolvido.
Muitos temas de vital importância estão sendo conduzidos assim, enquanto a sociedade por inteiro volta as atenções para ameaças mais visíveis, como a violência campeando incontrolável de norte a sul, a corrupção triunfando imbatível e os escândalos envolvendo alternadamente os mais importantes setores da representatividade política do país.
Mas o cidadão deve ter em mente que isto não é tudo.Concomitantemente outros fatos tão adversos estão acontecendo.Pouquíssimos brasileiros se dão conta, só para citar um caso, do que se passa em Roraima.Lá está na iminência de ser implantada a reserva indígena contínua Raposa Serra do Sol configurando uma situação potencialmente explosiva e sem precedentes na história, eis que ocorre em área de fronteira, próxima a outras consideradas de litígio entre países e riquíssima em minerais estratégicos.Afora a limitação de soberania em parte do território nacional, fica anunciada uma tragédia que os brasileiros não desejam: os índios “não puros” e suas famílias, vivendo tradicionalmente da agricultura, deverão ser retirados da ampla área designada para a reserva que somada a outras já existentes configura vastidão que abrange mais da metade do território daquele estado da federação.O mais grave neste episódio é que parecem estar esgotadas as alternativas judiciais em todas as instâncias para minimizar o problema ou resolve-lo sem traumas e fissuras democráticas.Fala-se no acionamento, pela FUNAI, da Polícia Federal para retirar os brasileiros miscigenados da região.
Em Brasília há semanas só se falava na CPMF enquanto estavam em gestação muitos outros impasses com possibilidades de anuviar ainda mais o cenário.Agora o gás combustível é ao mesmo tempo a bola da vez e é ele próprio que se infla, como é de sua natureza.O balão está preste a estourar e só não percebe quem não quer.Este e mais um capítulo da novela que evidencia a absoluta falta de visão estratégica dos nossos dirigentes, no atacado, e imprevidência explicita, no varejo.
Antes, como consequência do apagão-mãe, aquele da era FHC, estrategistas de plantão voltaram suas vistas açodadamente para as termoelétricas.Foram consumidos consideráveis recursos, mas as plantas entraram em compasso de espera quando as chuvas caíram.Pouco tempo depois muito indústrias brasileiras foram aconselhada pelo próprio governo a adaptarem suas instalações para o uso de gás.
A chegada de Evo Morales ao poder na Bolívia, saudada pelos companheiros socialistas e simpatizante daqui apesar de suas truculências iniciais, pôs fim a era do gás barato.A nova política para o precioso insumo importado a custos baixíssimos passou, ou deveria passar a ser quase que um alerta de "tsunami" para planejadores, presidentes e diretores de estatais, dirigentes de agências reguladoras, ministros, correligionários e altos escalões governamentais. Esta gente jamais poderá dizer que de nada sabia.
Com as recentes previsões pessimistas de captação de água nos reservatórios das hidrelétricas, voltam a cena as termoelétricas, só que agora o preço do petróleo se aproxima inexoravelmente dos cem dólares.Que fazer?Ora, desestimular o consumo de gás veicular, renegociar contratos, diminuir o volume de gás utilizado na indústria e direcionar o que for possível para a geração de energia elétrica.Tal escolha de Sofia desencadeou (sem intenções de fazer piada) alem do aumento de preços do GNV, uma verdadeira guerra intestina de papel entre os agentes envolvidos.
Nestes dias, a consciência nacional parece assentar-se no noticiário televisivo e nas páginas das revistas. Como bons burocratas que são, os senhores anteriormente citados e outros inundam agora as telas da televisão com cópias de memorandos e de ofícios do tipo “não me comprometa”.O primeiro a alertar para as duras consequências da falta de gás na confusa matriz energética adotada foi o Diretor de Gás e Energia da Petrobrás, seguido do Presidente da estatal, este último encarregado, sabe-se lá porque, de decidir os critérios de distribuição interna entre os maiores consumidores.
Sucederam-se, na batalha silenciosa de expedientes administrativos, outras ponderações e considerações mais ou menos contundentes entre as partes, sendo interessante ressaltar que o ex-Ministro das Minas e Energia afirmou não serem aceitáveis mudanças no modelo naquele momento em que o Governo tentava acelerar o crescimento econômico do país.Por falar em crescimento, esta é outra questão nacional que não tem sido considerada com a importância que merece.O plano proposto (PAC) visualiza(muito aquém das reais necessidades), mas não provê recursos.Contorna, não enfrenta os problemas referentes à geração de mais energia e trata por alto outros aspectos da infraestrutura como portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, logística em geral.
Num entreato desta verdadeira comédia de equívocos, eis que Néstor Kirschner, enfrentando ameaça de apagão na Argentina e de olho na eleição da esposa, veio a Brasília e convenceu seu parceiro do palácio do planalto a abrir mão de parte da quota de importação de gás boliviano que o Brasil tinha direito por contrato, em favor “de los hermanos”.Perguntar não ofende: seria a mesma quantidade que vai faltar para a industria do Rio e de São Paulo?
Os que investiram em adaptações nos seus veículos para economizar, incentivados mais uma vez pelo governo, já estão arcando com aumentos no GNV superiores aos da inflação.Mas, neste quadro sombrio de morde-assopra e de salve-se quem puder, as donas de casa e os beneficiários de subsídios não precisam se apavorar, por enquanto, pois não haverá falta de gás de cozinha nem parecem estar previstos aumentos de preços.Afinal isto mexe com bolsos, estômagos e milhões de votos.
Delineiam-se como bodes expiatórios, salvo reviravolta pouco provável, os consumidores industriais.Estes deverão reinvestir, contabilizar prejuízos, reformular estruturas, mudar procedimentos, treinar pessoal, etc. Restam algumas dúvidas: poderão fazê-lo sem amargar falências e sem repassar custos para os consumidores internos e internacionais, com significativas perdas de mercado?Com a palavra o PT e a base aliada do Governo que têm um bom motivo para deixarem de se preocupar com biografias pessoais e a sucessão presidencial, passando a pensar o futuro do Brasil.
Quanto à falta de planejamento, o mal já está feito.Melhor seria reconhecer a culpa da imprevidência, investir maciçamente no gás da bacia de Santos, financiar as empresas com juros baixos e pensar nas próximas décadas, tudo isto passando longe, muito longe de Hugos, Evos, Néstors e digníssima consorte.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O GERÚNDIO

Bem fez o jornalista André Petry, na última edição da Revista Veja, em espinafrar o “gerundismo” desenfreado que assola o país, tendo o cuidado de deixar claro que nem todo gerúndio é execrável.A prova mais convincente é a citação do verso imortal de Camões: “Cantando espalharei por toda parte...”.
Para reforçar a idéia de que os antigos lusos escreviam o gerúndio como o conhecemos e praticamos, em vez do infinitivo gerundivo adotado pelas novas gerações, lança a pergunta: Camões não grafou “A cantar espalharei por toda parte...”.Porque?
Cabe aqui, modestamente, aceitando sem contestação a resposta apresentada, acrescentar que a epopéia “Os Lusíadas” foi inteiramente escrita em decassílabos perfeitos, fato que exalta ainda mais a genialidade do grande vate.Caso tivesse adotado a segunda opção, ver-se-ia, entre milhares de versos, um único com onze sílabas!
José Alberto Somavilla

domingo, 14 de outubro de 2007

EXERCÍCIOS DE CACOFONIA


O Senador Renan Calheiros afirmou ou deu a entender ser igual a um coco.Só cairia dos altos postos que estava ocupando se alguém fosse arranca-lo com as próprias mãos.Na véspera da festa da Padroeira do Brasil, pediu licença por 45 dias da presidência do Senado e do Congresso Nacional e foi para casa.E já foi tarde!
Não foi arrancado.Seu afastamento não se deu pela força e sim por pressões do jogo democrático, as quais tentou de todas as formas desqualificar.Admirável foi a paciência do povo brasileiro.Controversas, para não dizer condenáveis, foram as atitudes de aliados do Governo e da base de apoio “alinhada” nos últimos seis meses.O coco caiu!Peço perdão aos mestres do idioma pela cacofonia.Desmembrando tal palavra e sem preocupações com didatismos, diria que "fonia" no caso diz respeito ao som das palavras.Embora haja ainda muito ruído no ar, mas deixando de lado a componente sonora do vocábulo, resta o caco.O Senado deverá nos próximos meses tentar juntar cacos de coco, de ética e de respeito ao eleitor, eis que esteve a ponto de ruir como instituição.Quanto ao apreço do brasileiro, talvez jamais consiga resgata-lo.
Salvo novas investidas da tropa de choque, sem ironias e com um certo alívio cidadão, parece lícito afirmar-se que o coco ao menos se descolou do caule, isto é, Renan se afastou da cadeira de Presidente do Senado e do Congresso!A sociedade quer crer que para sempre.
Compreensíveis naqueles momentos do tombo foram discursos do tipo “choros livres", nos quais o acusado se disse injustiçado e abusou de palavras como honra, dignidade, ética, interesse público, etc. Mas a verdade é que a grande noz tropical não se desprendeu facilmente do alto coqueiro fincado em Brasília, no qual se agarrou por justos 139 dias, período de tempo em que a casa se perdeu nos carrascais de cinco denúncias e em escaramuças variadas no Conselho de Ética.Muito opróbrio e muita lama emergiram tornando sombrio o cenário político.
Perplexa, a sociedade viu o Senado da República sem condições de produzir e legislar por mais de quatro meses ou, como queiram, deixando de cumprir sua destinação constitucional.Tratou-se de um dos mais deslustrados períodos da história republicana.
Ao tropel do vale tudo das tropas de choque prevaleceram discursos dramáticos, relatórios obsequiosos e artimanhas decorrentes de entulhos regimentais.O descaso para com a capacidade de discernimento do eleitor foi de tal irresponsabilidade que surgiram até sérias e oportunas indagações sobre a própria razão de ser de uma instituição que em pleno terceiro milênio abusou de procedimentos obscuros como, como por exemplo, o voto secreto no plenário, prática abolida na maioria dos parlamentos do mundo livre.Na hora da verdade, o partido do Governo bem como diversos correligionários do acusado lavaram as mãos, viraram os fios, só que o fizeram tardiamente.A propósito, deram até umas torções no indigitado fruto tropical para que caísse mais depressa, pois de outra forma o Senado continuaria paralisado ou patinando no lodaçal de cada dia.
É bem verdade que companheiros e compadres só acordaram para valer quando se evidenciou procedimento insensato e arrogante da liderança do partido, a mando não se sabe de quem, contra críticos de Renan.O início do desfecho se deu com o afastamento dos senadores Simon e Jarbas da CCJ.É verdade que ambos são políticos de grande e ilibado prestígio nas hostes do PMDB, mas tal fato, por si só, não explicaria cabalmente as mudanças de posição de aliados constatadas na segunda semana de Outubro.
Agora o óbvio que não quer calar: aqui para nos, o coco caiu das alturas em que se encontrava nem tanto por obra de faca, porrete, tronco chacoalhado ou o artifício usado pelos catadores de torcer com as mãos o fruto sempre no mesmo sentido até se desprender do trono.O golpe ou o sopro final veio quando mudou de direção e de intensidade o vento um tanto aloprado que sopra desde Brasília até as mais remotas paragens do país.O nome do vento? Foi, é e será CPMF!
Não é necessário ser cientista político para concluir que esta sigla mágica tem tido muitas vezes o poder de um vendaval, capaz até de mudar posturas férreas, derrubar cocos teimosos e desfazer impasses quase pétreos.Com a aprovação, pela Câmara, do prazo de prorrogação do referido imposto insistentemente chamado de "contribuição", a batata quente e urgente foi passada ao Senado que ficou com a palavra, digo a panela, precisando continuar a cocção.A oposição se declarava em obstrução enquanto Renan não se afastasse, assim, selou-se sua sorte...Daqui para frente, com o perdão do grande santo, é muito provável que passe a imperar o lema franciscano "é dando que se recebe", mas que a prorrogação da CPMF vai ser aprovada, lá isso vai!A conferir.
Quanto a Renan, será novamente julgado pelo Conselho de Ética e, caso a denúncia seja aceita, seu caso será submetido à nova apreciação em plenário, muito provavelmente ainda com voto secreto dos pares.Importante é lembrar que se licenciou por 45 dias.Haverá tempo para tudo?
Muita água ainda vai rolar até que este ilustre senhor seja alijado de vez do processo político eleitoral; talvez até renuncie e volte nas próximas eleições.Em sendo assim, teria sido inútil todo o drama vivido pelo Senado e o consequente vexame internacional ao qual o país esteve exposto?A resposta cabe a cada um dos eleitores.Quanto a mim:
Compreendi definitivamente que prerrogativas, imunidades, regimentos internos, certos preceitos da Constituição de 88, as bolsas como instrumento eleitoral e a falta de uma reforma política digna, séria e profunda estão na raiz de todos os males que nos infelicitam;
Percebi que o sistema de representatividade se assenta em equívocos monumentais, aparentemente inamovíveis;
Conclui que estamos caminhando para um impasse sem alternativas, pois os únicos que poderiam mudar o sistema não o fazem, nem o farão jamais sem pressão democrática, pois dele se beneficiam de alguma forma.
Por fim, relaxei e aproveitei o episódio para exercitar conhecimentos do famigerado vício de linguagem, a tal cacofonia, de modo a evita-lo daqui para frente..Ah!Antes que esqueça: enjoei de cocada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

ALOPRADOS, UNI-VOS!

Aloprados de todos os quilates,Uni-vos, ou desta vez o homem cai!
A quinta denúncia contra Renan, a exemplo das anteriores, estava fadada a ir para o rol do nunca ou para discursos inflamados de correligionários, até que um imprevisivel aloprado, nem tanto da impetuosa tropa de choque renancista, mas até comedido nas ponderações, resolveu afastar dois senadores do próprio partido integrantes da Comissão de Justiça do Senado por assumirem atitudes pouco condescententes com os desacertos do Presidente da casa.Muito provavelmente não o fez pela vontade própria, mas obedecendo ordens que não emanaram do Presidente do Partido.
Ora, os excelentíssimos Senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos não ocupavam a dita comissão pelos seu belos olhos.Na verdade nem os têm.Conquistaram tais posições por seus méritos e suas biografias.
Cindiu-se então um naco do bloco de apoio peemedebista e choveram apoios aos dois senadores defenestrados.Pasmem, tudo isto vem acontecendo nas hostes da base aliada sem que os verdadeiros aloprados do partido governista tenham feito qualquer pronunciamento até o momento, a excecão dos Senadores Mercadante e Suplicy, nem tão aloprados assim.Quanto aos alopradinhos do baixo clero, antes pelo contrário...
Todos estes acontecimentos podem até fazer parte do jogo político que tanto desgasta as instituições, desmerecendo cada vez mais o Senado perante a opinião pública.Mas uma declaração do lider Waldir Raupp parece inaceitável.Contestem-me, cidadãos:
Disse que está disposto a rever a demissão dos colegas, desde que os mesmos se alinhem com as orientações partidárias daqui para frente.Admitamos que tal ação de liderança seja aceitavel em se tratando de outras comissões, mas nas de Justiça e no conselho de ética não!E a consciência, o livre arbítrio, como ficam?

sábado, 6 de outubro de 2007

RENAN(V)


Vem ai a quinta denúncia contra o Presidente do Congresso, Renan Calheiros, tendo sempre a revista Veja como peça de sustentação.Sai de cena, neste episódio, o PSOL e seu fatigado representante no Senado.Adentram a arena senadores da oposição, indignados contra pretenso “araponga” querendo vigia-los, aboletado dentro da casa senatorial na condição de assessor do acusado.Se for verdade, isto é muito grave.Teria realmente o alagoano proprietário de bois milagrosos ultrapassado todo os limites aceitáveis dentro do jogo democrático?
Dizem que Almeida Lima, atual escudeiro mor, não rima com isenção, devoto que é da inocência do amigo em qualquer imbróglio que se apresente.Não está com a bola toda, pois não é do alto clero, mas os regimentos internos o favorecem.
Assim, as outras denúncias ainda não apreciadas enfraquecem e poderiam perder substância, pois o referido senador tem se mostrado sempre disposto a assumir quaisquer relatórios que se fizerem necessários em favor de Renan.Ora, assim não vale, pois é do PMDB, o mesmo partido do acusado.Daí a razão desta nova denúncia que não se sabe se prosperará.
Par e passo, qualquer membro deste partido da base aliada que queira atuar em consonância com as próprias biografias é sumariamente afastado de posições que ocupam, como é o caso dos senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, impedidos de prosseguir atividades na CCJ.
Prosperando ou não a nova denúncia, a agonia novelesca terá seguimento, pondo em dúvidas até a necessidade de sobrevivência da própria Instituição, considerada por muitos mera duplicação de esforços legislativos.
Aos amigos que me honram com a paciência de ler estes escritos, afirmo que gostaria de ver a tese da extinção do senado ser debatida com atenção e analisada seriamente em projetos de reforma política que a sociedade exige, mas os políticos tanto protelam.Digo isto com muita ênfase.
Não vejo incoerência na minha postura, apesar de ter dito algo aparentemente em contrário há cerca de dois meses.É que naquela oportunidade referia-me a um relatório do Congresso do PT, sugerindo tal alternativa.Partindo de quem partiu, a ideia seria inaceitável casuísmo.A bem da verdade, se alguma oposição existe no país nesta conjuntura política, ela se dá no senado.Precisa ser extinto, sim, mas não agora

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

INFIDELIDADE PARTIDÁRIA

Após dois dias de trabalho, o Supremo Tribunal Federal, sem deixar de ressaltar a importância da fidelidade partidária para a sobrevivência do regime democrático, passou a mão na cabeça dos últimos transfugas que se bandearam dos partidos pelos quais foram eleitos.A oposição fica enfraquecida e o governo comemora, eis que a maioria integra agora a base aliada.
Fato a ser estudado em profundidade pelos estudiosos do Direito foi a dificuldade encontrada para a proclamação, isto é, o resultado da votação.Houve um inusitado cuidado com as palavras para evitar embargos e chorumelas, dificuldades administradas com muita ponderação e competência pela eminente ministra Presidente.Para o leigo, vieram a tona lacunas e imperfeições da lei maior.Com a palavra, os juristas.
Embora crie jurisprudência, a presente decisão diz respeito apenas as ações impetradas por alguns partidos para retomar os mandatos de deputados que mudaram de agremiação.Fundamentou-se em consulta sem maior importância feita há tempos ao Supremo Tribunal Eleitoral.Este foi o gancho providencial na qual se agarraram muitos magistrados para proferir o voto.Assim, quem mudou de partido até 27 de Março de 20007, tem o mandato preservado, apesar da condenação quase unânime dos doutos juízes, em inflamados discursos, da dita infidelidade partidária, vulgo troca-troca.Justiça foi feita?
Decisões do Supremo devem ser respeitadas e mais que isto, cumpridas.Não obstante opiniões em contrário, consolida-se a tese de que o mandato, daqui para frente, pertence ao partido.Mas os que mudaram antes do dia 27 de Março continuarão exercendo prerrogativas, imunidades, vantagens e legislando.Se seus eleitores estiverem atentos, perdem representatividade
Normas serão escritas para os casos remanescentes e outros que certamente ocorrerão.A propósito, todos exaltam a Constituição, mas ninguém mais fala em reformas políticas.Abre-se a choradeira para toda a fauna política, desde os vereadores aos senadores, passando pelos deputados estaduais, governadores, suplentes, etc.
Lula disse, ou se não disse, pensou, que os partidos, de igual modo, precisam fazer exame de consciência e adotar procedimentos mais éticos.Está quase certo quando declara que "tem partido aí que mudou até de nome".Porquê não está totalmente certo?A razão é simples:Seu partido, embora não tenha mudado de nome, mudou de ideais desde o momento em que assumiu o poder, esquecendo também, desde o mensalão, as posturas éticas que sempre julgou indispensáveis para a democracia.

CARNAVAL SOMBRIO?

Não resta dúvidas, o Brasil continua sendo o país do futebol e do Carnaval.Só não se sabe até quando.O diabo é o noticiário no meio das ruas, o redemoinho da realidade infelicitando multidões.

Enquanto a tragédia do dia a dia não acontece com nossos familiares, nossos amigos, tudo bem.Mas quando a verdade chega próxima a nós, com seus desdobramentos perversos, a coisa muda de figura.Esta semana, um relatório da ONU alardeou o que todos já sabemos, mas insistimos em negar: Não existe nenhum país do mundo em que a sensação de insegurança seja maior do que no Brasil.
Pensou-se, após a constituição de 88 e do festival de democracia, com sucessivos recordes de votos, que todos os males antigos haviam sido varridos da colorida e antes festiva pátria amada.Na verdade foram, mas para debaixo de muitos tapetes e consciências.
A classe política, de maneira geral, se divide em duas categorias.Meu velho pai dizia que eram os que mamavam e os que queriam mamar.Hoje, são os que pensam que não têm o rabo preso e já se movimentam para as próximas eleições e os que têm o dito cujo grampeado.A verdade é que a maioria, em todos os níveis, está as voltas com advogados, conselhos de ética, ministério público, STF, PF, etc, não se incomodando em paralisar o Estado e outras instituições como o Senado para livrar a própria cara.
Ora, quem não gostaria de viver em um eterno Carnaval ou continuadas festas?O questionamento se faz em vão, pois isto só seria possível se legiões de demônios da quarta feira não estivessem por ai perambulando e mostrando garras a cada dia. Poderia alentar este artigo com as dimensões de um compêndio se fosse relatar os graves problemas que rondam nosso futuro, mais que o passado e o presente.

Triste e grave é constatar que em muitos lugares o carnaval poderá ser sombrio.Que os responsáveis sejam ao menos sensatos para que não seja trágico.

Lamentavelmente, se debates ocorrem no país, existem apenas na imprensa e não se dão no desaguadouro natural, o Congresso.As "casas" estão ou estiveram enredadas em mensalões, sanguessugas, dossiês e incontrolável corrupção.Em contrapartida, nestes dias cruéis têm voz e presença cada vez mais fortes grupos internacionais e organizações não governamentais, muitas interessadas apenas em se locupletarem no banquete amazônico.Uma CPI está em vias de ser instaurada, tantos são os indícios que se adensam negativa e até criminalmente a respeito do assunto.
Neste sorvedouro de vaidades, omissões, conveniências, conivências e ambições desmedidas, não é lícito silenciar ao menos quanto a um caso.Roraima é exemplo emblemático e prenuncia talvez sangue no chope do país do Carnaval.Trata-se de drama absurdo, inadmissível se cogitado sob o ponto de vista social e causador de inquietude se analisado em termos de estratégias nacionais.

Tudo começou com uma reserva para os índios da etnia Ianomâmi, defendida inicialmente pela igreja católica e por intelectuais distanciados da realidade vivida naquela cobiçada pérola da Federação, riquíssima em terras cultiváveis e recursos minerais.Depois a coisa foi crescendo internacionalmente, arrolando organizações poderosas incrustadas na Amazônia e grupos de pressão.O debate no Congresso deixou muito a desejar,pois estava enfraquecido pela sucessão de escândalos.
Consumados os trâmites, enquanto outra reserva era cogitada, já não queriam ver as duas separadas.Pressões internas e de toda ordem foram desencadeadas para que fossem contínuas.E conseguiram! O fato, como já foi dito, se deu concomitantemente com o desfecho de uma legislatura do Congresso voltada para o próprio umbigo, alheia aos anseios do país, atolada no próprio lamaçal que engendrara.E pasmem, no STF lograram alcançar nova vitória, pois a Suprema Corte não poderia se contrapor ao Poder Legislativo neste caso específico.Sem entrar no mérito, considerável extensão do Estado de Roraima, perigosamente próxima à fronteira do Brasil com a Venezuela, foi transformada em reserva.Acresce o fato de que a região é despovoada e nas reservas ninguém entra, a não ser membros de certas ONG e a Funai.
Só não explicaram aos contribuintes, à consciência nacional e aos eleitores em geral que naquelas vastas reservas criadas de modo quase artificial na fase de estudos, ouvidos antropólogos em gabinetes refrigerados de Brasília, moravam outros brasileiros ditos não índios puros.A miscigenação ancestral, a mesma que possibilitou nossa maneira de ser, quem sabe até o Carnaval nas suas mais remotas origens, foi letra morta para os dignitários do legislativo.Embora sem unanimidade, nossos representantes ignoraram a evidência gritante, a verdade:que estes brasileiros são também índios, só que de outras etnias.
Hoje a nação tem uma espada sobre a cabeça, pois é preciso tirar milhares de brasileiros das terras que ocupam e nas quais plantam grãos indispensáveis em um Estado muito distante dos grandes centros produtores mais ao sul. Esta gente vem fazendo isto de longa data, com ordem, sem a agressividade de certos movimentos revoltosos.Não se diga que o interesse é apenas de empresários.Resta saber quem, que força, que poder vai expulsa-los de lá?

Seja nas grandes cidades, purgatórios nos quais a população se debate em paroxismos terminais em face da violência, seja nas vastidões lá do extremo norte amazônico, onde a gente simples luta pelo pão, alguma alegria é indispensável à sobrevivência.O povo, em qualquer lugar do país, preza uma boa folia.As festas tradicionais, de cunho regional, bem como o carnaval, são eventos esperados, até com ansiedade.Afinal, ninguém é de ferro, nem Governo, Congresso, Justiça e muito menos o cidadão comum.Mas nestas amargas circunstâncias, as esperanças desfalecem...

Em Roraima, sobretudo, a situação reveste-se de gravidade, mas se Deus for brasileiro, não de permitir que cidadãos desprotegidos sejam retirados a força dos campos nos quais produzem para sobreviver.Parece até ironia, se a situação não prenunciasse tragédias: por imposições da concentração de grandes efetivos policiais indispensáveis à operação e também em decorrência da alentada logística que se faz necessária, o desfecho poderá ocorrer daqui uns quatro ou cinco meses, mais ou menos no período carnavalesco, ainda convenientemente distanciado das eleições.

Mas se assim for e se até Deus já estiver cansado de tanta insensatez, espera-se que o espírito de tolerância prevaleça.Resta almejar que o carnaval das alegrias e risos de antes não seja tingido pelas cores do sangue dos justos e inocentes brasileiros que plantam arroz para sobrevive

Quanto à violência e à insegurança grassando de norte a sul, estas não parecem ter jeito.E tudo deverá ficar na mesma, pois não são malefícios a serem afastados somente com discursos e palanques.Demandam dignidade, responsabilidade e muita força moral.Um novo Messias, talvez.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Resposta a Blogueiro Parente

Você realmente deve ser um um Faustini legítimo, como se diz em seu blog.Certamente conhece detalhes da saga.Um imigrante italiano, seu bisavô, Antonio Faustini, na segunda metade do século dezenove, formado em farmácia em Turim, veio para o Espírito Santo, não como outros patrícios que imigraram para substituir o braço escravo, mas na condição de profissional liberal.Ele era fora de série!Comprou uma pequena propriedade em Demétrio Ribeiro e montou uma farmácia.Por força das contingências se via obrigado, por razões humanitárias, a fazer o papel do médico sempre ausente.Foi perseguido por isto.Em dado momento, sua pequena propriedade transformou-se em um feudo, no bom sentido.E pasme: numa época em que não existiam o telefone e muito menos a Internet, em que as notícias nunca chegavam aos grotões onde se estabeleceu,ele, trocando correspondência com a Itália e compulsando seu livros adorados fez de seus filhos competentes profissionais em diferentes áreas, depois de propiciar-lhes o ensino fundamental com mestras que trazia da Pátria, como Dona Teresita.O Joanin iniciou-o nos mistérios da perfumaria; O Teófilo, na correaria, o Américo, na ourivesaria.Romeu, Antonio, José, nos segredos da manipulação e da farmacopéia.As mulheres eram do lar: A Laura, a Julieta e minha mãe, a segunda mais velha depois do João, auxiliar heróica da mais heróica de todas as mulheres, a Dona Elisabeta Modenezzi.Maria, minha mãe, com oito anos de idade fazia polenta para trinta ou quarenta doentes, ditos camaradas, que o velho abrigava em sua propriedade por falta de hospitais.Grande amargura se abateu sobre seu indômito espírito quando perdeu um filho assassinado pela polícia do Getúlio na estação de João Neiva, sob a suspeita de ser integralista, na década de trinta.Outro, a indefectível ovelha negra, se foi, quem sabe, por abuso do álcool.Perdeu um pequeno José, talvez pelo crupe (difteria), mas, na terrível epidemia da gripe espanhola de 1914 não amargou a morte de nenhum dos seus, não obstante receber dezenas de doentes terminais na PHARMACIA POPULAR e no “lazareto” que providenciou.O fim da história veio com a crise do café e a política getulista da queima dos estoques.Terminou seus dias na casa da Julieta, em Vila Velha, condenado a viver seus últimos anos em uma cama, ele que fora um faz tudo naqueles remotos sítios do Espírito santo do início do século vinte.
Eu, lá pelos meus cinco anos, tinha medo quando minha mãe ia visitar a irmã, pois o guerreiro de cabelos branquíssimos segurava minhas mãos durante horas e nem minha mãe conseguia soltar-me. Fico vendo estas novelas exaltando figuras menores… Há tempos tentei de modo infrutífero sensibilizar outro Faustini global para tentarmos uma série ou algo parecido, mas sequer obtive respostas.Vamos ver se esta mensagem, ao menos, chega ao destinatário.Acho que você se protege demais contra os malefícios da internet, fato natural, eis que a usa profissionalmente.Eu não.

domingo, 30 de setembro de 2007

QUADROS DE UMA EXPOSIÇÃO

Uma siderúrgica vem surgindo e já de dedo em riste,
Nesta exposição agro-triste, sem pecuária, mas inflacionária.
Muita fritura, embalos e poucos cavalos, sem um boi deslumbrante,
Mas com música dita gospel, ressonante em agouro uivante.
Vi vacas, pouquíssimas, obrigadas a dar leite três vezes ao dia
Perguntando-se na coxia, digníssimas, pelo touro.
Não vi o minotauro campeão da festa, desta e de outras que virão:
Se fez presente a diretoria da gigantesca usina com aciaria?
Ouvi estouro.Era o Prefeito contrafeito ou companheiros fogueteiros
Festejando num quadro da exposição a quase certa reeleição?
Cerveja? "Treis real a lata".A tarde ventava em ironias frias,
E meus amigos lá não poderiam estar.Estavam em Mianmar
Ou mortos em fotografias, numa cidade de outrora.
Eu?Fui embora, refém de mágoas, fumaças negras e canduras,
Sentindo na alma o cheiro de salsichas e gorduras impuras.
Ainda bem que não era o gás que todos negam, mas que vem.
Foi esse vento urgente na barriga... "Treis real a lata" é indecente.
Na fachada principal, a siderúrgica fatal mostrava a logomarca,
Zombando dos passantes com imagens deslumbrantes da matriarca
Serra dos poetas de antes, que se nutriram das paisagens desta terra.
E vi então, na mídia mundial, o Itatiaia como marca registrada...
E quem daqui o vislumbrar vai ter de pagar para o superintendente
Antes que o olhar se perca na fumaça anunciada, inevitavelmente.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

OS FATOS DESTA NOITE


Obscuro blogueiro de uma cidade do Estado do Rio de Janeiro, cansado de constatar nos meios de comunicação a tragédia dos brasileiros a cada dia para ao menos chegarem vivos em casa, decidi olhar com alguma atenção para o noticiário televisivo.
Testemunhei o drama institucional que se desenrola na Birmania(Mianmar), com a obstinada luta dos monges ao lado do povo pela liberdade, protestando nas ruas contra um regime opressor.Como é sabido, o país situa-se na área de influência da poderosa China.
O narrador informou, em baixo tom, que a potência asiática considerava os acontecimentos em Mianmar capazes de por em risco a estabilidade de toda região.Ora, qual o verdadeiro significado de tais palavras?O gigante que abomina monges budistas põe as barbas de molho em face de sua política opressora no Tibete do Dalai Lama.Transformando uma questão local em ameaça regional, estaria soltando balões de ensaio para uma possível intervenção?
Perdi muitos quadros, mas cheguei a tempo de constatar o arranca rabo no Supremo, fato jamais visto na história desta corte brasileira.Discutiram duramente dois ministros do tribunal supremo por questões importantes, mas menores em face dos avassaladores problemas que nos afligem.Este caso precisa ser exaustivamente analisado, deixando de lado interpretações meramente políticas, mas trazendo a baila a fragilidade cada vez mais visivel das instituições nacionais.Quem sabe nas veementes cabeças destes estadistas, que necessariamente precisam ser destituídas de paixões partidárias, possa estar uma saída ou alguma luz a brilhar para o Brasil?Porque se assim não for, deveriam ser advertidos por quem de direito.
Impressionou-me, sobremaneira, uma pesquisa de opinião.Não a constatação do desprezo que a população sente pelos políticos em geral, sobejamente conhecido, mas o apreço que tem pela Polícia Federal e pelas Forças Armadas.A interpretação do fato parece óbvia:a corporação policial tem combatido tenazmente a corrupção; a instituição militar volta-se inteiramente para sua destinação e desempenha dignificantes papeis no país e no exterior, posturas que outros detentores de poder, com iguais ou maiores responsabilidades, se esquecem de mostrar ou praticar nos dias que correm.
Mas, como disse, sou um blogueiro do interior.Sequer consegui sensibilizar meus comparsas de botequim e muito menos a administração municipal, órgãos ambientais, etc, contra uma siderúrgica no sopé do deslumbrante maciço do Itatiaia, nesta que poderia ser uma das mais promissoras regiões turísticas do país.Assim sendo, para que estender-me?Bons entendedores nem precisam de meias palavras.Desobrigo-me de maiores considerações, como fez o o apresentador do telejornal.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Instrumento Constitucional da CPI

Pergunte-se a um transeunte qualquer o significado da sigla CPI.Poucos saberão responder.Até porque a do apagão na Câmara não está apresentado resultados concretos.
Muitos outros questionamentos vitais para a sobrevivência da verdadeira democracia também ficarão sem respostas entre estes seres chamados a votar e deixados de lado sumariamente depois que lhes são dadas bolsas esquecimento.De outras coisas tão ou mais complicadas como Conselhos de Ética, a própria ética ou a decência política de nossos representantes, nem falar.
Isto não ocorre por conivência, aceitação política, partidarismo ou proselitismo desta gente sofrida que parece exercer o único direito que lhe resta, o de ir e vir, não se sabe até quando.Mas decorre de um processo perverso, conduzido de cima para baixo, verdadeira lavagem cerebral exacerbada por promessas inconsequentes nos palanques da vida, mormente os eletrônicos, produzida há décadas por políticos inescrupulosos no sistema eleitoral vigente.Lamentavelmente, as piores consequências deste estado de coisas se abatem hoje e recairão inexoravelmente amanhã, com maior gravidade, sobre os mais pobres e desprotegidos.
CPI reúne as iniciais de Comissão Parlamentar de Inquérito, nome pomposo de um instrumento de inspiração constitucional, desvirtuado como tudo mais neste país.Não me vejo obrigado a tecer considerações teóricas sobre o assunto neste foro, mas lembro que já serviu para defenestrar um presidente quando cometeu prevaricação.Porque não serve mais?
Muitos livros de direito poderiam ser escritos sobre a assunto, mas quem se importaria? Houve uma CPI, a do Banestado, que liberou geral.Para tanto bastou por em prática a fórmula milagrosa do PMDB, ou outro partido qualquer da base aliada,na presidência e PT na relatoria, ou vice versa, isto evidentemente na Câmara.Aquela do mensalão, ressalvando-se o papel do Deputado Osmar Serralho, quase fica no seja-seja, não fossem as figuras monumentais do Procurador Geral da República e de um Ministro do Supremo Tribunal Federal aceitando a denúncia contra a "turma" dos quarenta.
Nestes dias, no Senado, evidencia-se a intenção do relator petista da segunda denúncia no Conselho de ética contra Renan de engavetar seu relatório.Par e passo, na Câmara, o relator, também petista , da CPI do apagão, parece querer livrar a cara de diretores da ANAC, filiados ou simpatizantes do mesmo partido.E tira o dedo de muitas feridas no corpo do governo.
Se o instrumento democrático da CPI se mostra inócuo, mero teatro para obter espaços na mídia, não vou encerrar estas considerações com desgastadas palavras de sobrevivência das esperanças nem vou cruzar as mão sobre o peito em suspeitas atitudes angelicais.Vou lançar candidaturas, se é que outros não o fizeram:Para Presidente e Vice, a dupla judiciária café com leite, nesta ordem.Não me perguntem por quais partidos.Sei apenas que não poderão ser estes que pululam no mar de lama que tanto aflige a cidadania.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

DISCURSOS

Recebi hoje um E-mail tendo como anexo um discurso do Senador Pedro Simon, a quem respeito muito mais do que a maioria de seus pares.
Consagrado orador que é, compara a Instituição a qual pertence ao condomínio de um grande edifício, fixando-se mais no elevador, ora conduzindo políticos como ele próprio para galgarem posições, ora pessoas comuns, como todos nos, os cidadãos do Brasil.
Trata-se de PPS muito bem feito, tendo como fundo musical o Hino Nacional executado por um dos maiores violonistas da atualidade, o jovem Yamandu Costa. A seguir, apresento as condiderações que fiz, não ao preclaro Senador, mas ao amigo que me enviou a mensagem:

"Abram o anexo com as pungentes palavras do Senador Pedro Simon e encontrarão expressões como "A voz das ruas".Ora, a voz das ruas...Eu as ouvi poucas vezes, como no impedimento do Collor, sempre conduzidas ou orquestradas por este mesmo PMDB que o senador freqüenta há décadas.Não creio existir na história recente do país partido que mais tenha convivido com o poder.Qualquer poder, incluindo o PT no poder.Porque não desencadeia ainda uma vez o brado das ruas, porque não reedita os cara pintatas?A resposta é muito simples:Agora o PT não quer.
Com os desdobramentos das denúncias contra Renan, neste ocaso ético do Senado, configura-se verdadeiro inferno astral e muitos já falam em extinção da casa.Começam então a pipocar libelos, choradeiras e vaticínios daqueles que foram ou estiveram sempre ao lado do síndico, palavra usada para sugerir a figura do atual presidente do Congresso, outros que sentaram na mesma cadeira, como Sarney, ou, quem sabe, o próprio Presidente Lula.
Leiam atentamente o discurso do Senador.Pode parecer pungente desabafo de um justo, ele na condição de usuário do elevador, como se identificou por meio de linguagem figurativa .
Prefiro considerar a fala como um exame de consciência, espécie de "minha Culpa" de correligionário desiludido ou ícone caído do pedestal de um partido também em vias de soçobrar.Precisa chamar as falas sua agremiação e desnudar as feridas. Porque se assim não for, se este partido não assumir responsabilidades históricas nos dias que correm, não haverá esperança...tudo restara como dantes no lamaçal .Abraços a todos"

sábado, 22 de setembro de 2007

A NAU DA INSENSATEZ

Muita estopa, muito betumem e outros materiais de reparos se fazem necessários para tapar buracos e estancar os vazamentos que nos assustam a todos, pobres mortais que singramos a realidade neste barco chamado Brasil.Pensávamos que a nau, como uma festiva arca de delírios, fosse capaz de atravessar tormentas por obra e graça dessa gente brasileira e da alegria desmesurada que lhe habita os genes e as mentes.Mas Isto parece improvável.
Já que estamos no mesmo barco, "navegar é preciso, viver não é preciso".Viajemos então e observemos os irmãos e companheiros de jornada.
Incontáveis homens e mulheres ainda são capazes de sorrir e cantar nos porões, apesar de desdentados, analfabetos e famélicos.Em outros compartimentos, muitos seres se mostram apavorados e silenciosos.Já não fazem contas existenciais por estarem mareados, jogados pelos cantos, pálidos em razão de vertigens causadas por anões do orçamento, mensalões, precatórios, indenizações, severinos, renans, sanguessugas, CPMF, carga tributária sem contrapartida de serviços e estas bolsas que tendem a entorpecera vontade de produzir, sendo capazes, ainda por um bom tempo, de gerar milhões e milhões de votos.
Os que mais sofrem são os que vomitam compulsivamente, estes que investiram na empreitada de recuperar o grande barco para tentar leva-lo a um porto seguro.Condenados estão outros a pagar a conta, bem como a purgar pecados e equívocos de certas renitentes políticas governamentais.
O mar, pegajoso de detritos e infestado de demônios submersos, pouco visíveis para os incautos, revela-se enganosamente calmo.Nos mapas de cabotagem aparecem sugestivas indicações de alerta como "processo político eleitoral","voto obrigatório", "voto secreto e sessão fechada","imunidades","reforma política profunda","troca de partidos", "financiamento de campanha" etc, sem constarem os perigos que escondem tais palavras.Preocupante é o fato de que nenhum timoneiro ou prático consegue desvendar o que se oculta nos baixios lodosos e mangues espúrios.Não há vivente que consiga vislumbrar os pontiagudos rochedos que afloram ou submergem com as marés.Proteja-nos, Nossa Senhora dos navegantes e São Pedro pescador.
O Resfolegante barco, adentrando a Baía da Guanabara do novo Cabral, este não mais varando oceanos como seu antepassado, mas ancorado no palácio do mesmo nome, leva chumbo de diferentes calibres e petardos de armas longo alcance, vindos de todos os lados.O navio aderna e geme de dor.E pensar que este Estado do Rio, dito do carnaval e do futebol, está condenado a exaurir todos seus recursos, risos, alegrias e esperanças no combate a uma violência que mais parece uma hidra imbatível, pois a cada cabeça cortada, surgem outras mil.
O batel, sempre fazendo água,foge com a pressa possível e busca a barra do Paraíba em Campos-RJ, pátria dos garotinhos de triste memória e dos Goitacases.Não pode entrar rio adentro por falta de calado.Alem do mais, nunca percorreu estas plagas abandonadas e teme o ignoto.Desova então uma canoa que avança contra a poluída corrente e chega, depois de vários dias de angústias e sofrimentos, a mui heróica e antiga cidade de Nossa Senhora da Conceição do Monte Alegre, atual Resende, agora sob a tutela de uma rediviva oligarquia.No mesmo instante em que a pequena embarcação aporta na antiga terra dos índios Puris,um personagem saído de livros centenários,viajante solitário, volta-se para a montanha azul e exclama bestificado, deslumbrado com a paisagem:Cáspite!A gente desta terra vai perder tudo isto só porque aqui não existirá oposição no terceiro milênio!
A canoa, sem ninguem a conduzi-la, veio vindo tangida pelos ventos Elísios e por muitos e imorredouros sonhos dos poetas de outrora que amaram, ousaram, denunciaram, protestaram e bradaram indignações contra a inamovível injustiça sempre presente em muitos episódios da história do país e do Município, mormente nos diferentes sistemas políticos e farsas eleitorais.De outro modo a frágil embarcação não venceria tantos obstáculos e tantos esgotos vergonhosos.
Que tristeza nos causa a ausência dos vates resendenses de outros tempos nesta hora de opróbrios para a nação!Que pena não te-los aqui, no momento em que começa a ser erguida mais uma previsivel ameaça ao meio ambiente, enfeando brutalmente a paisagem.
Deixando de lado as vergonhas políticas que assolam todos os quadrantes do país e esquecendo por ora a barca que flutua a deriva na águas da insensatez, uma questão ecoa nas grotões, brenhas e píncaros das nossas majestosas serranias:Se humanos fossem os condutores da frágil embarcação ou se surgissem agoniadas entidades viajoras com expressões, semblantes e vozes daqueles que exaltaram a beleza indizível desta terra, que fariam esses aventureiros e poetas mortos ante o fato consumado de uma siderúrgica arrogante se agigantando nos caminhos próximos aos primeiros contrafortes do Itatiaia?
Talvez não lutassem por ser tarde demais.Talvez se quedassem perplexos pelo silêncio cúmplice que se fez na cidade.
Não voltariam para a nau mãe, por medo, desesperança ou indignação, mas por aqui também não ficariam, nestes sítios outrora encantados que parecem esquecer agora ancestrais aspirações de céus azuis e mananciais límpidos, condenados ao desespero das águas turvas e vaticínios de fumaças tóxicas.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

SUBURBIO

José Alberto
Dezembro, o lugar propriamente não sei.O tempo, não gravei...
Vi-as passando na janela de um trem suburbano
Esperando o metrô que nunca chegaria no próximo ano,
Ansiando pela novela, o desfecho, este sim, que sempre vem.
Mulheres sonhando algum frescor, alguma notícia,
Alguma presença, um transeunte, um abraço sem sexo, uma carícia,
Espantando a idéia sem nexo, o desamor, a mosca fictícia,
Abanando-se mansamente no estertor da tarde incandescente.
Mulheres sem rostos, desaparecendo na fuligem e no esquecimento,
Comendo mangas caídas de dezembro, com gosto de cimento,
Sozinhas nas varandas com bandeirinhas...Iguaisinhas...
Ansiavam por algo, esperanças e certezas comezinhas.
Voavam para trás, alheias ao trem, sem receber ninguém,
Sonhando com uma democracia que nunca haveria de chegar um dia...
Sem perceber o que se repetia, o que as perseguia
E prossegue neste dia: restos renitentes, indecentes de uma eleição
Enfeando os muros infames, conspurcados, que vistos do trem
Correm desenfreados para inevitável, sórdida, indizível solidão.

Novela Renan(III)

Quarta feira já não será dia "D" para novo capítulo da novela Renan.O aceno de uma ala petista, na figura do relator do Conselho de Ética do Senado, sinalizando arquivamento desta nova denúncia,teve o condão de embolar ainda mais o meio de campo, pois a oposição berrou mais do que supunha a vã filosofia da base aliada.Outra ala do PT, com visão mais ampla e com pétreas e inamovíveis ambições políticas, quer agora a renúncia do Presidente do Senado, com a consolidação das várias denúncias em apenas uma.Significados subjacentes do discurso do Senador Mercadante?A possibilidade de morrer no ovo o terceiro mandato petista, eis que muitos governistas sairam muito mal da primeira votação.Por outro lado, o acusado Renan, vendo aliados tirando a escada, ou melhor, o poleiro, jogou mais excremento no ventilador declarando que a prorrogação da CPMF deve ser preoucupação exclusiva do Governo, repetindo discurso da oposição.Significado real da fala do ainda vivente das alagoas no poder?Recado insofismável ao companheiro Presidente que nada sabe e nada vê por se omitir explicitamente e não vir a arena política para defende-lo de moso mais efetivo contra os que desejam defenestra-lo da cadeira onde se senta.Lula fará isto?Aguardemos os próximos capítulos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A NOVELA RENAN

Esta semana, também numa quarta feira, a novela Renan terá novos desdobramentos, ou capítulos, como queiram.Inspirada no teatro do absurdo, a obra, alem de imprópria para menores, seguirá contendo variados ingredientes surrealistas, eis que as chamadas tropas de choque, paradoxalmente vitoriosas até aqui, tentarão outras vezes fazer de besta a sociedade por inteiro.Seremos todos obrigados a crer no inverossímil.
A acusação de pares ante o conselho pode até ser fraca, mas, em contrapartida, o argumento único dos que querem defender deslustrados campeões levados equivocadamente às culminâncias do poder é o de que as denúncias fundamentam-se em reportagens de veículos de comunicações.Ora, por acaso Collor, anões, Severino, Dirceu, etc, caíram por razões outras?A verdade é que, queiram ou não atuais detratores, a Imprensa tem sido a centelha a alimentar o fogo proverbialmente brando da indignação pública.
Na pauta imediata do Conselho de Ética do Senado a representação dando conta de que Renan teria atuado junto ao INSS e à Receita contra a cobrança de dívidas de terceiros, citada no caso a fabricante de cervejas Schincariol.O relator, Senador João Pedro (PT-AM), menos reticente que o presidente do Conselho, já deu mostras de que vai pedir o arquivamento sumário da representação.Parte da oposição parece conformada.
Se tal denúncia não prosperar, uma outra já está engatilhada: uso de laranjas para a compra de duas emissoras de rádio.Como é sabido, a Constituição veda ao parlamentar a assinatura de contratos para a concessão de serviços públicos.
Será crível que o vivente das alagoas esteja isento de quaisquer culpabilidades em todos os embrulhos como querem fazer crer seus correligionários da base aliada?Se assim for, o homem parece ser uma usina ou um engenho de delitos, pois uma outra representação já está na linha de montagem e poderá vir a caminho: desvio de recursos dos ministérios conduzidos pelo PMDB, seu atual partido.Outras mais virão?
O triste espetáculo de ser ver uma das instituições da Republica mobilizada unicamente para julgar, absolver ou condenar seu presidente poderá se arrastar indefinidamente, com prejuízo dos trabalhos legislativos e, o que é pior, deixando a mostra no cenário mundial um quadro de vergonha onde sobrelevam ou incompetência para fazer prevalecer a ética ou explicita impunidade.
Um pouco de sensatez seria infinitamente melhor do que isto que se vê.Não é o Senado que sangra, como gostam de alardear os repetitivos tribunos de Brasília.É todo o processo político-eleitoral que alem de verter sangue anêmico e vômitos, cheira mal, muito mal.Resta perguntar: e o eleitor, como fica?

domingo, 16 de setembro de 2007

Ainda O Caso Renan

No triste episódio do MENSALÃO, quase todos saíram ilesos, apesar do relatório do Deputado Serralho.Posteriormente o STF aceitou a denúncia do PGR contra o grupo dos quarenta.Aguarda-se os acontecimentos com fervores patrióticos, eis que falhando a Justiça, tudo mais estará perdido.O Senado, no caso RENAN, convalida agora artifícios regimentais e preceitos constitucionais em desuso como sessão fechada e voto secreto, ainda não jogados no lixo da República por conveniência dos que têm o rabo preso(a Câmara já aboliu tais procedimentos).No exterior, o Presidente diz ao mundo que não houve impunidade, esquecendo-se de acrescentar a pequena palavra "SÓ".Foi um lapso ou estaria praticando juízo de valor?Deve deixar isto bem claro para registro em sua biografia política.Mais uma vez a a reação da sociedade esta com com o STF e Renan poderá ser incriminado.Acessem o "site' http://www.stf.gov.br/ e em "processos", procure "inquéritos" e lá verão o de número 2593, distribuído ao Ministro Levandovsky(declarou que o tribunal julgara os envolvidos no mensalão "com a faca no pescoço").O referido inquérito se desdobra em segredo de justiça, mas lá verão o nome José Renan Vasconcelos Calheiros ou Renan Calheiros e os diferentes passos burocráticos seguidos até aqui.Podemos ainda confiar na Justiça?Não nos esqueçamos também de que três outras denúncias deverão ser apreciadas pelo Conselho de ética.A conferir.Esmorecer jamais.