domingo, 30 de setembro de 2007

QUADROS DE UMA EXPOSIÇÃO

Uma siderúrgica vem surgindo e já de dedo em riste,
Nesta exposição agro-triste, sem pecuária, mas inflacionária.
Muita fritura, embalos e poucos cavalos, sem um boi deslumbrante,
Mas com música dita gospel, ressonante em agouro uivante.
Vi vacas, pouquíssimas, obrigadas a dar leite três vezes ao dia
Perguntando-se na coxia, digníssimas, pelo touro.
Não vi o minotauro campeão da festa, desta e de outras que virão:
Se fez presente a diretoria da gigantesca usina com aciaria?
Ouvi estouro.Era o Prefeito contrafeito ou companheiros fogueteiros
Festejando num quadro da exposição a quase certa reeleição?
Cerveja? "Treis real a lata".A tarde ventava em ironias frias,
E meus amigos lá não poderiam estar.Estavam em Mianmar
Ou mortos em fotografias, numa cidade de outrora.
Eu?Fui embora, refém de mágoas, fumaças negras e canduras,
Sentindo na alma o cheiro de salsichas e gorduras impuras.
Ainda bem que não era o gás que todos negam, mas que vem.
Foi esse vento urgente na barriga... "Treis real a lata" é indecente.
Na fachada principal, a siderúrgica fatal mostrava a logomarca,
Zombando dos passantes com imagens deslumbrantes da matriarca
Serra dos poetas de antes, que se nutriram das paisagens desta terra.
E vi então, na mídia mundial, o Itatiaia como marca registrada...
E quem daqui o vislumbrar vai ter de pagar para o superintendente
Antes que o olhar se perca na fumaça anunciada, inevitavelmente.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

OS FATOS DESTA NOITE


Obscuro blogueiro de uma cidade do Estado do Rio de Janeiro, cansado de constatar nos meios de comunicação a tragédia dos brasileiros a cada dia para ao menos chegarem vivos em casa, decidi olhar com alguma atenção para o noticiário televisivo.
Testemunhei o drama institucional que se desenrola na Birmania(Mianmar), com a obstinada luta dos monges ao lado do povo pela liberdade, protestando nas ruas contra um regime opressor.Como é sabido, o país situa-se na área de influência da poderosa China.
O narrador informou, em baixo tom, que a potência asiática considerava os acontecimentos em Mianmar capazes de por em risco a estabilidade de toda região.Ora, qual o verdadeiro significado de tais palavras?O gigante que abomina monges budistas põe as barbas de molho em face de sua política opressora no Tibete do Dalai Lama.Transformando uma questão local em ameaça regional, estaria soltando balões de ensaio para uma possível intervenção?
Perdi muitos quadros, mas cheguei a tempo de constatar o arranca rabo no Supremo, fato jamais visto na história desta corte brasileira.Discutiram duramente dois ministros do tribunal supremo por questões importantes, mas menores em face dos avassaladores problemas que nos afligem.Este caso precisa ser exaustivamente analisado, deixando de lado interpretações meramente políticas, mas trazendo a baila a fragilidade cada vez mais visivel das instituições nacionais.Quem sabe nas veementes cabeças destes estadistas, que necessariamente precisam ser destituídas de paixões partidárias, possa estar uma saída ou alguma luz a brilhar para o Brasil?Porque se assim não for, deveriam ser advertidos por quem de direito.
Impressionou-me, sobremaneira, uma pesquisa de opinião.Não a constatação do desprezo que a população sente pelos políticos em geral, sobejamente conhecido, mas o apreço que tem pela Polícia Federal e pelas Forças Armadas.A interpretação do fato parece óbvia:a corporação policial tem combatido tenazmente a corrupção; a instituição militar volta-se inteiramente para sua destinação e desempenha dignificantes papeis no país e no exterior, posturas que outros detentores de poder, com iguais ou maiores responsabilidades, se esquecem de mostrar ou praticar nos dias que correm.
Mas, como disse, sou um blogueiro do interior.Sequer consegui sensibilizar meus comparsas de botequim e muito menos a administração municipal, órgãos ambientais, etc, contra uma siderúrgica no sopé do deslumbrante maciço do Itatiaia, nesta que poderia ser uma das mais promissoras regiões turísticas do país.Assim sendo, para que estender-me?Bons entendedores nem precisam de meias palavras.Desobrigo-me de maiores considerações, como fez o o apresentador do telejornal.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Instrumento Constitucional da CPI

Pergunte-se a um transeunte qualquer o significado da sigla CPI.Poucos saberão responder.Até porque a do apagão na Câmara não está apresentado resultados concretos.
Muitos outros questionamentos vitais para a sobrevivência da verdadeira democracia também ficarão sem respostas entre estes seres chamados a votar e deixados de lado sumariamente depois que lhes são dadas bolsas esquecimento.De outras coisas tão ou mais complicadas como Conselhos de Ética, a própria ética ou a decência política de nossos representantes, nem falar.
Isto não ocorre por conivência, aceitação política, partidarismo ou proselitismo desta gente sofrida que parece exercer o único direito que lhe resta, o de ir e vir, não se sabe até quando.Mas decorre de um processo perverso, conduzido de cima para baixo, verdadeira lavagem cerebral exacerbada por promessas inconsequentes nos palanques da vida, mormente os eletrônicos, produzida há décadas por políticos inescrupulosos no sistema eleitoral vigente.Lamentavelmente, as piores consequências deste estado de coisas se abatem hoje e recairão inexoravelmente amanhã, com maior gravidade, sobre os mais pobres e desprotegidos.
CPI reúne as iniciais de Comissão Parlamentar de Inquérito, nome pomposo de um instrumento de inspiração constitucional, desvirtuado como tudo mais neste país.Não me vejo obrigado a tecer considerações teóricas sobre o assunto neste foro, mas lembro que já serviu para defenestrar um presidente quando cometeu prevaricação.Porque não serve mais?
Muitos livros de direito poderiam ser escritos sobre a assunto, mas quem se importaria? Houve uma CPI, a do Banestado, que liberou geral.Para tanto bastou por em prática a fórmula milagrosa do PMDB, ou outro partido qualquer da base aliada,na presidência e PT na relatoria, ou vice versa, isto evidentemente na Câmara.Aquela do mensalão, ressalvando-se o papel do Deputado Osmar Serralho, quase fica no seja-seja, não fossem as figuras monumentais do Procurador Geral da República e de um Ministro do Supremo Tribunal Federal aceitando a denúncia contra a "turma" dos quarenta.
Nestes dias, no Senado, evidencia-se a intenção do relator petista da segunda denúncia no Conselho de ética contra Renan de engavetar seu relatório.Par e passo, na Câmara, o relator, também petista , da CPI do apagão, parece querer livrar a cara de diretores da ANAC, filiados ou simpatizantes do mesmo partido.E tira o dedo de muitas feridas no corpo do governo.
Se o instrumento democrático da CPI se mostra inócuo, mero teatro para obter espaços na mídia, não vou encerrar estas considerações com desgastadas palavras de sobrevivência das esperanças nem vou cruzar as mão sobre o peito em suspeitas atitudes angelicais.Vou lançar candidaturas, se é que outros não o fizeram:Para Presidente e Vice, a dupla judiciária café com leite, nesta ordem.Não me perguntem por quais partidos.Sei apenas que não poderão ser estes que pululam no mar de lama que tanto aflige a cidadania.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

DISCURSOS

Recebi hoje um E-mail tendo como anexo um discurso do Senador Pedro Simon, a quem respeito muito mais do que a maioria de seus pares.
Consagrado orador que é, compara a Instituição a qual pertence ao condomínio de um grande edifício, fixando-se mais no elevador, ora conduzindo políticos como ele próprio para galgarem posições, ora pessoas comuns, como todos nos, os cidadãos do Brasil.
Trata-se de PPS muito bem feito, tendo como fundo musical o Hino Nacional executado por um dos maiores violonistas da atualidade, o jovem Yamandu Costa. A seguir, apresento as condiderações que fiz, não ao preclaro Senador, mas ao amigo que me enviou a mensagem:

"Abram o anexo com as pungentes palavras do Senador Pedro Simon e encontrarão expressões como "A voz das ruas".Ora, a voz das ruas...Eu as ouvi poucas vezes, como no impedimento do Collor, sempre conduzidas ou orquestradas por este mesmo PMDB que o senador freqüenta há décadas.Não creio existir na história recente do país partido que mais tenha convivido com o poder.Qualquer poder, incluindo o PT no poder.Porque não desencadeia ainda uma vez o brado das ruas, porque não reedita os cara pintatas?A resposta é muito simples:Agora o PT não quer.
Com os desdobramentos das denúncias contra Renan, neste ocaso ético do Senado, configura-se verdadeiro inferno astral e muitos já falam em extinção da casa.Começam então a pipocar libelos, choradeiras e vaticínios daqueles que foram ou estiveram sempre ao lado do síndico, palavra usada para sugerir a figura do atual presidente do Congresso, outros que sentaram na mesma cadeira, como Sarney, ou, quem sabe, o próprio Presidente Lula.
Leiam atentamente o discurso do Senador.Pode parecer pungente desabafo de um justo, ele na condição de usuário do elevador, como se identificou por meio de linguagem figurativa .
Prefiro considerar a fala como um exame de consciência, espécie de "minha Culpa" de correligionário desiludido ou ícone caído do pedestal de um partido também em vias de soçobrar.Precisa chamar as falas sua agremiação e desnudar as feridas. Porque se assim não for, se este partido não assumir responsabilidades históricas nos dias que correm, não haverá esperança...tudo restara como dantes no lamaçal .Abraços a todos"

sábado, 22 de setembro de 2007

A NAU DA INSENSATEZ

Muita estopa, muito betumem e outros materiais de reparos se fazem necessários para tapar buracos e estancar os vazamentos que nos assustam a todos, pobres mortais que singramos a realidade neste barco chamado Brasil.Pensávamos que a nau, como uma festiva arca de delírios, fosse capaz de atravessar tormentas por obra e graça dessa gente brasileira e da alegria desmesurada que lhe habita os genes e as mentes.Mas Isto parece improvável.
Já que estamos no mesmo barco, "navegar é preciso, viver não é preciso".Viajemos então e observemos os irmãos e companheiros de jornada.
Incontáveis homens e mulheres ainda são capazes de sorrir e cantar nos porões, apesar de desdentados, analfabetos e famélicos.Em outros compartimentos, muitos seres se mostram apavorados e silenciosos.Já não fazem contas existenciais por estarem mareados, jogados pelos cantos, pálidos em razão de vertigens causadas por anões do orçamento, mensalões, precatórios, indenizações, severinos, renans, sanguessugas, CPMF, carga tributária sem contrapartida de serviços e estas bolsas que tendem a entorpecera vontade de produzir, sendo capazes, ainda por um bom tempo, de gerar milhões e milhões de votos.
Os que mais sofrem são os que vomitam compulsivamente, estes que investiram na empreitada de recuperar o grande barco para tentar leva-lo a um porto seguro.Condenados estão outros a pagar a conta, bem como a purgar pecados e equívocos de certas renitentes políticas governamentais.
O mar, pegajoso de detritos e infestado de demônios submersos, pouco visíveis para os incautos, revela-se enganosamente calmo.Nos mapas de cabotagem aparecem sugestivas indicações de alerta como "processo político eleitoral","voto obrigatório", "voto secreto e sessão fechada","imunidades","reforma política profunda","troca de partidos", "financiamento de campanha" etc, sem constarem os perigos que escondem tais palavras.Preocupante é o fato de que nenhum timoneiro ou prático consegue desvendar o que se oculta nos baixios lodosos e mangues espúrios.Não há vivente que consiga vislumbrar os pontiagudos rochedos que afloram ou submergem com as marés.Proteja-nos, Nossa Senhora dos navegantes e São Pedro pescador.
O Resfolegante barco, adentrando a Baía da Guanabara do novo Cabral, este não mais varando oceanos como seu antepassado, mas ancorado no palácio do mesmo nome, leva chumbo de diferentes calibres e petardos de armas longo alcance, vindos de todos os lados.O navio aderna e geme de dor.E pensar que este Estado do Rio, dito do carnaval e do futebol, está condenado a exaurir todos seus recursos, risos, alegrias e esperanças no combate a uma violência que mais parece uma hidra imbatível, pois a cada cabeça cortada, surgem outras mil.
O batel, sempre fazendo água,foge com a pressa possível e busca a barra do Paraíba em Campos-RJ, pátria dos garotinhos de triste memória e dos Goitacases.Não pode entrar rio adentro por falta de calado.Alem do mais, nunca percorreu estas plagas abandonadas e teme o ignoto.Desova então uma canoa que avança contra a poluída corrente e chega, depois de vários dias de angústias e sofrimentos, a mui heróica e antiga cidade de Nossa Senhora da Conceição do Monte Alegre, atual Resende, agora sob a tutela de uma rediviva oligarquia.No mesmo instante em que a pequena embarcação aporta na antiga terra dos índios Puris,um personagem saído de livros centenários,viajante solitário, volta-se para a montanha azul e exclama bestificado, deslumbrado com a paisagem:Cáspite!A gente desta terra vai perder tudo isto só porque aqui não existirá oposição no terceiro milênio!
A canoa, sem ninguem a conduzi-la, veio vindo tangida pelos ventos Elísios e por muitos e imorredouros sonhos dos poetas de outrora que amaram, ousaram, denunciaram, protestaram e bradaram indignações contra a inamovível injustiça sempre presente em muitos episódios da história do país e do Município, mormente nos diferentes sistemas políticos e farsas eleitorais.De outro modo a frágil embarcação não venceria tantos obstáculos e tantos esgotos vergonhosos.
Que tristeza nos causa a ausência dos vates resendenses de outros tempos nesta hora de opróbrios para a nação!Que pena não te-los aqui, no momento em que começa a ser erguida mais uma previsivel ameaça ao meio ambiente, enfeando brutalmente a paisagem.
Deixando de lado as vergonhas políticas que assolam todos os quadrantes do país e esquecendo por ora a barca que flutua a deriva na águas da insensatez, uma questão ecoa nas grotões, brenhas e píncaros das nossas majestosas serranias:Se humanos fossem os condutores da frágil embarcação ou se surgissem agoniadas entidades viajoras com expressões, semblantes e vozes daqueles que exaltaram a beleza indizível desta terra, que fariam esses aventureiros e poetas mortos ante o fato consumado de uma siderúrgica arrogante se agigantando nos caminhos próximos aos primeiros contrafortes do Itatiaia?
Talvez não lutassem por ser tarde demais.Talvez se quedassem perplexos pelo silêncio cúmplice que se fez na cidade.
Não voltariam para a nau mãe, por medo, desesperança ou indignação, mas por aqui também não ficariam, nestes sítios outrora encantados que parecem esquecer agora ancestrais aspirações de céus azuis e mananciais límpidos, condenados ao desespero das águas turvas e vaticínios de fumaças tóxicas.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

SUBURBIO

José Alberto
Dezembro, o lugar propriamente não sei.O tempo, não gravei...
Vi-as passando na janela de um trem suburbano
Esperando o metrô que nunca chegaria no próximo ano,
Ansiando pela novela, o desfecho, este sim, que sempre vem.
Mulheres sonhando algum frescor, alguma notícia,
Alguma presença, um transeunte, um abraço sem sexo, uma carícia,
Espantando a idéia sem nexo, o desamor, a mosca fictícia,
Abanando-se mansamente no estertor da tarde incandescente.
Mulheres sem rostos, desaparecendo na fuligem e no esquecimento,
Comendo mangas caídas de dezembro, com gosto de cimento,
Sozinhas nas varandas com bandeirinhas...Iguaisinhas...
Ansiavam por algo, esperanças e certezas comezinhas.
Voavam para trás, alheias ao trem, sem receber ninguém,
Sonhando com uma democracia que nunca haveria de chegar um dia...
Sem perceber o que se repetia, o que as perseguia
E prossegue neste dia: restos renitentes, indecentes de uma eleição
Enfeando os muros infames, conspurcados, que vistos do trem
Correm desenfreados para inevitável, sórdida, indizível solidão.

Novela Renan(III)

Quarta feira já não será dia "D" para novo capítulo da novela Renan.O aceno de uma ala petista, na figura do relator do Conselho de Ética do Senado, sinalizando arquivamento desta nova denúncia,teve o condão de embolar ainda mais o meio de campo, pois a oposição berrou mais do que supunha a vã filosofia da base aliada.Outra ala do PT, com visão mais ampla e com pétreas e inamovíveis ambições políticas, quer agora a renúncia do Presidente do Senado, com a consolidação das várias denúncias em apenas uma.Significados subjacentes do discurso do Senador Mercadante?A possibilidade de morrer no ovo o terceiro mandato petista, eis que muitos governistas sairam muito mal da primeira votação.Por outro lado, o acusado Renan, vendo aliados tirando a escada, ou melhor, o poleiro, jogou mais excremento no ventilador declarando que a prorrogação da CPMF deve ser preoucupação exclusiva do Governo, repetindo discurso da oposição.Significado real da fala do ainda vivente das alagoas no poder?Recado insofismável ao companheiro Presidente que nada sabe e nada vê por se omitir explicitamente e não vir a arena política para defende-lo de moso mais efetivo contra os que desejam defenestra-lo da cadeira onde se senta.Lula fará isto?Aguardemos os próximos capítulos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A NOVELA RENAN

Esta semana, também numa quarta feira, a novela Renan terá novos desdobramentos, ou capítulos, como queiram.Inspirada no teatro do absurdo, a obra, alem de imprópria para menores, seguirá contendo variados ingredientes surrealistas, eis que as chamadas tropas de choque, paradoxalmente vitoriosas até aqui, tentarão outras vezes fazer de besta a sociedade por inteiro.Seremos todos obrigados a crer no inverossímil.
A acusação de pares ante o conselho pode até ser fraca, mas, em contrapartida, o argumento único dos que querem defender deslustrados campeões levados equivocadamente às culminâncias do poder é o de que as denúncias fundamentam-se em reportagens de veículos de comunicações.Ora, por acaso Collor, anões, Severino, Dirceu, etc, caíram por razões outras?A verdade é que, queiram ou não atuais detratores, a Imprensa tem sido a centelha a alimentar o fogo proverbialmente brando da indignação pública.
Na pauta imediata do Conselho de Ética do Senado a representação dando conta de que Renan teria atuado junto ao INSS e à Receita contra a cobrança de dívidas de terceiros, citada no caso a fabricante de cervejas Schincariol.O relator, Senador João Pedro (PT-AM), menos reticente que o presidente do Conselho, já deu mostras de que vai pedir o arquivamento sumário da representação.Parte da oposição parece conformada.
Se tal denúncia não prosperar, uma outra já está engatilhada: uso de laranjas para a compra de duas emissoras de rádio.Como é sabido, a Constituição veda ao parlamentar a assinatura de contratos para a concessão de serviços públicos.
Será crível que o vivente das alagoas esteja isento de quaisquer culpabilidades em todos os embrulhos como querem fazer crer seus correligionários da base aliada?Se assim for, o homem parece ser uma usina ou um engenho de delitos, pois uma outra representação já está na linha de montagem e poderá vir a caminho: desvio de recursos dos ministérios conduzidos pelo PMDB, seu atual partido.Outras mais virão?
O triste espetáculo de ser ver uma das instituições da Republica mobilizada unicamente para julgar, absolver ou condenar seu presidente poderá se arrastar indefinidamente, com prejuízo dos trabalhos legislativos e, o que é pior, deixando a mostra no cenário mundial um quadro de vergonha onde sobrelevam ou incompetência para fazer prevalecer a ética ou explicita impunidade.
Um pouco de sensatez seria infinitamente melhor do que isto que se vê.Não é o Senado que sangra, como gostam de alardear os repetitivos tribunos de Brasília.É todo o processo político-eleitoral que alem de verter sangue anêmico e vômitos, cheira mal, muito mal.Resta perguntar: e o eleitor, como fica?

domingo, 16 de setembro de 2007

Ainda O Caso Renan

No triste episódio do MENSALÃO, quase todos saíram ilesos, apesar do relatório do Deputado Serralho.Posteriormente o STF aceitou a denúncia do PGR contra o grupo dos quarenta.Aguarda-se os acontecimentos com fervores patrióticos, eis que falhando a Justiça, tudo mais estará perdido.O Senado, no caso RENAN, convalida agora artifícios regimentais e preceitos constitucionais em desuso como sessão fechada e voto secreto, ainda não jogados no lixo da República por conveniência dos que têm o rabo preso(a Câmara já aboliu tais procedimentos).No exterior, o Presidente diz ao mundo que não houve impunidade, esquecendo-se de acrescentar a pequena palavra "SÓ".Foi um lapso ou estaria praticando juízo de valor?Deve deixar isto bem claro para registro em sua biografia política.Mais uma vez a a reação da sociedade esta com com o STF e Renan poderá ser incriminado.Acessem o "site' http://www.stf.gov.br/ e em "processos", procure "inquéritos" e lá verão o de número 2593, distribuído ao Ministro Levandovsky(declarou que o tribunal julgara os envolvidos no mensalão "com a faca no pescoço").O referido inquérito se desdobra em segredo de justiça, mas lá verão o nome José Renan Vasconcelos Calheiros ou Renan Calheiros e os diferentes passos burocráticos seguidos até aqui.Podemos ainda confiar na Justiça?Não nos esqueçamos também de que três outras denúncias deverão ser apreciadas pelo Conselho de ética.A conferir.Esmorecer jamais.