Muita estopa, muito betumem e outros materiais de reparos se fazem necessários para tapar buracos e estancar os vazamentos que nos assustam a todos, pobres mortais que singramos a realidade neste barco chamado Brasil.Pensávamos que a nau, como uma festiva arca de delírios, fosse capaz de atravessar tormentas por obra e graça dessa gente brasileira e da alegria desmesurada que lhe habita os genes e as mentes.Mas Isto parece improvável.
Já que estamos no mesmo barco, "navegar é preciso, viver não é preciso".Viajemos então e observemos os irmãos e companheiros de jornada.
Incontáveis homens e mulheres ainda são capazes de sorrir e cantar nos porões, apesar de desdentados, analfabetos e famélicos.Em outros compartimentos, muitos seres se mostram apavorados e silenciosos.Já não fazem contas existenciais por estarem mareados, jogados pelos cantos, pálidos em razão de vertigens causadas por anões do orçamento, mensalões, precatórios, indenizações, severinos, renans, sanguessugas, CPMF, carga tributária sem contrapartida de serviços e estas bolsas que tendem a entorpecera vontade de produzir, sendo capazes, ainda por um bom tempo, de gerar milhões e milhões de votos.
Os que mais sofrem são os que vomitam compulsivamente, estes que investiram na empreitada de recuperar o grande barco para tentar leva-lo a um porto seguro.Condenados estão outros a pagar a conta, bem como a purgar pecados e equívocos de certas renitentes políticas governamentais.
O mar, pegajoso de detritos e infestado de demônios submersos, pouco visíveis para os incautos, revela-se enganosamente calmo.Nos mapas de cabotagem aparecem sugestivas indicações de alerta como "processo político eleitoral","voto obrigatório", "voto secreto e sessão fechada","imunidades","reforma política profunda","troca de partidos", "financiamento de campanha" etc, sem constarem os perigos que escondem tais palavras.Preocupante é o fato de que nenhum timoneiro ou prático consegue desvendar o que se oculta nos baixios lodosos e mangues espúrios.Não há vivente que consiga vislumbrar os pontiagudos rochedos que afloram ou submergem com as marés.Proteja-nos, Nossa Senhora dos navegantes e São Pedro pescador.
O Resfolegante barco, adentrando a Baía da Guanabara do novo Cabral, este não mais varando oceanos como seu antepassado, mas ancorado no palácio do mesmo nome, leva chumbo de diferentes calibres e petardos de armas longo alcance, vindos de todos os lados.O navio aderna e geme de dor.E pensar que este Estado do Rio, dito do carnaval e do futebol, está condenado a exaurir todos seus recursos, risos, alegrias e esperanças no combate a uma violência que mais parece uma hidra imbatível, pois a cada cabeça cortada, surgem outras mil.
O batel, sempre fazendo água,foge com a pressa possível e busca a barra do Paraíba em Campos-RJ, pátria dos garotinhos de triste memória e dos Goitacases.Não pode entrar rio adentro por falta de calado.Alem do mais, nunca percorreu estas plagas abandonadas e teme o ignoto.Desova então uma canoa que avança contra a poluída corrente e chega, depois de vários dias de angústias e sofrimentos, a mui heróica e antiga cidade de Nossa Senhora da Conceição do Monte Alegre, atual Resende, agora sob a tutela de uma rediviva oligarquia.No mesmo instante em que a pequena embarcação aporta na antiga terra dos índios Puris,um personagem saído de livros centenários,viajante solitário, volta-se para a montanha azul e exclama bestificado, deslumbrado com a paisagem:Cáspite!A gente desta terra vai perder tudo isto só porque aqui não existirá oposição no terceiro milênio!
A canoa, sem ninguem a conduzi-la, veio vindo tangida pelos ventos Elísios e por muitos e imorredouros sonhos dos poetas de outrora que amaram, ousaram, denunciaram, protestaram e bradaram indignações contra a inamovível injustiça sempre presente em muitos episódios da história do país e do Município, mormente nos diferentes sistemas políticos e farsas eleitorais.De outro modo a frágil embarcação não venceria tantos obstáculos e tantos esgotos vergonhosos.
Que tristeza nos causa a ausência dos vates resendenses de outros tempos nesta hora de opróbrios para a nação!Que pena não te-los aqui, no momento em que começa a ser erguida mais uma previsivel ameaça ao meio ambiente, enfeando brutalmente a paisagem.
Deixando de lado as vergonhas políticas que assolam todos os quadrantes do país e esquecendo por ora a barca que flutua a deriva na águas da insensatez, uma questão ecoa nas grotões, brenhas e píncaros das nossas majestosas serranias:Se humanos fossem os condutores da frágil embarcação ou se surgissem agoniadas entidades viajoras com expressões, semblantes e vozes daqueles que exaltaram a beleza indizível desta terra, que fariam esses aventureiros e poetas mortos ante o fato consumado de uma siderúrgica arrogante se agigantando nos caminhos próximos aos primeiros contrafortes do Itatiaia?
Talvez não lutassem por ser tarde demais.Talvez se quedassem perplexos pelo silêncio cúmplice que se fez na cidade.
Não voltariam para a nau mãe, por medo, desesperança ou indignação, mas por aqui também não ficariam, nestes sítios outrora encantados que parecem esquecer agora ancestrais aspirações de céus azuis e mananciais límpidos, condenados ao desespero das águas turvas e vaticínios de fumaças tóxicas.
Já que estamos no mesmo barco, "navegar é preciso, viver não é preciso".Viajemos então e observemos os irmãos e companheiros de jornada.
Incontáveis homens e mulheres ainda são capazes de sorrir e cantar nos porões, apesar de desdentados, analfabetos e famélicos.Em outros compartimentos, muitos seres se mostram apavorados e silenciosos.Já não fazem contas existenciais por estarem mareados, jogados pelos cantos, pálidos em razão de vertigens causadas por anões do orçamento, mensalões, precatórios, indenizações, severinos, renans, sanguessugas, CPMF, carga tributária sem contrapartida de serviços e estas bolsas que tendem a entorpecera vontade de produzir, sendo capazes, ainda por um bom tempo, de gerar milhões e milhões de votos.
Os que mais sofrem são os que vomitam compulsivamente, estes que investiram na empreitada de recuperar o grande barco para tentar leva-lo a um porto seguro.Condenados estão outros a pagar a conta, bem como a purgar pecados e equívocos de certas renitentes políticas governamentais.
O mar, pegajoso de detritos e infestado de demônios submersos, pouco visíveis para os incautos, revela-se enganosamente calmo.Nos mapas de cabotagem aparecem sugestivas indicações de alerta como "processo político eleitoral","voto obrigatório", "voto secreto e sessão fechada","imunidades","reforma política profunda","troca de partidos", "financiamento de campanha" etc, sem constarem os perigos que escondem tais palavras.Preocupante é o fato de que nenhum timoneiro ou prático consegue desvendar o que se oculta nos baixios lodosos e mangues espúrios.Não há vivente que consiga vislumbrar os pontiagudos rochedos que afloram ou submergem com as marés.Proteja-nos, Nossa Senhora dos navegantes e São Pedro pescador.
O Resfolegante barco, adentrando a Baía da Guanabara do novo Cabral, este não mais varando oceanos como seu antepassado, mas ancorado no palácio do mesmo nome, leva chumbo de diferentes calibres e petardos de armas longo alcance, vindos de todos os lados.O navio aderna e geme de dor.E pensar que este Estado do Rio, dito do carnaval e do futebol, está condenado a exaurir todos seus recursos, risos, alegrias e esperanças no combate a uma violência que mais parece uma hidra imbatível, pois a cada cabeça cortada, surgem outras mil.
O batel, sempre fazendo água,foge com a pressa possível e busca a barra do Paraíba em Campos-RJ, pátria dos garotinhos de triste memória e dos Goitacases.Não pode entrar rio adentro por falta de calado.Alem do mais, nunca percorreu estas plagas abandonadas e teme o ignoto.Desova então uma canoa que avança contra a poluída corrente e chega, depois de vários dias de angústias e sofrimentos, a mui heróica e antiga cidade de Nossa Senhora da Conceição do Monte Alegre, atual Resende, agora sob a tutela de uma rediviva oligarquia.No mesmo instante em que a pequena embarcação aporta na antiga terra dos índios Puris,um personagem saído de livros centenários,viajante solitário, volta-se para a montanha azul e exclama bestificado, deslumbrado com a paisagem:Cáspite!A gente desta terra vai perder tudo isto só porque aqui não existirá oposição no terceiro milênio!
A canoa, sem ninguem a conduzi-la, veio vindo tangida pelos ventos Elísios e por muitos e imorredouros sonhos dos poetas de outrora que amaram, ousaram, denunciaram, protestaram e bradaram indignações contra a inamovível injustiça sempre presente em muitos episódios da história do país e do Município, mormente nos diferentes sistemas políticos e farsas eleitorais.De outro modo a frágil embarcação não venceria tantos obstáculos e tantos esgotos vergonhosos.
Que tristeza nos causa a ausência dos vates resendenses de outros tempos nesta hora de opróbrios para a nação!Que pena não te-los aqui, no momento em que começa a ser erguida mais uma previsivel ameaça ao meio ambiente, enfeando brutalmente a paisagem.
Deixando de lado as vergonhas políticas que assolam todos os quadrantes do país e esquecendo por ora a barca que flutua a deriva na águas da insensatez, uma questão ecoa nas grotões, brenhas e píncaros das nossas majestosas serranias:Se humanos fossem os condutores da frágil embarcação ou se surgissem agoniadas entidades viajoras com expressões, semblantes e vozes daqueles que exaltaram a beleza indizível desta terra, que fariam esses aventureiros e poetas mortos ante o fato consumado de uma siderúrgica arrogante se agigantando nos caminhos próximos aos primeiros contrafortes do Itatiaia?
Talvez não lutassem por ser tarde demais.Talvez se quedassem perplexos pelo silêncio cúmplice que se fez na cidade.
Não voltariam para a nau mãe, por medo, desesperança ou indignação, mas por aqui também não ficariam, nestes sítios outrora encantados que parecem esquecer agora ancestrais aspirações de céus azuis e mananciais límpidos, condenados ao desespero das águas turvas e vaticínios de fumaças tóxicas.
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