Pergunte-se a um transeunte qualquer o significado da sigla CPI.Poucos saberão responder.Até porque a do apagão na Câmara não está apresentado resultados concretos.
Muitos outros questionamentos vitais para a sobrevivência da verdadeira democracia também ficarão sem respostas entre estes seres chamados a votar e deixados de lado sumariamente depois que lhes são dadas bolsas esquecimento.De outras coisas tão ou mais complicadas como Conselhos de Ética, a própria ética ou a decência política de nossos representantes, nem falar.
Isto não ocorre por conivência, aceitação política, partidarismo ou proselitismo desta gente sofrida que parece exercer o único direito que lhe resta, o de ir e vir, não se sabe até quando.Mas decorre de um processo perverso, conduzido de cima para baixo, verdadeira lavagem cerebral exacerbada por promessas inconsequentes nos palanques da vida, mormente os eletrônicos, produzida há décadas por políticos inescrupulosos no sistema eleitoral vigente.Lamentavelmente, as piores consequências deste estado de coisas se abatem hoje e recairão inexoravelmente amanhã, com maior gravidade, sobre os mais pobres e desprotegidos.
CPI reúne as iniciais de Comissão Parlamentar de Inquérito, nome pomposo de um instrumento de inspiração constitucional, desvirtuado como tudo mais neste país.Não me vejo obrigado a tecer considerações teóricas sobre o assunto neste foro, mas lembro que já serviu para defenestrar um presidente quando cometeu prevaricação.Porque não serve mais?
Muitos livros de direito poderiam ser escritos sobre a assunto, mas quem se importaria? Houve uma CPI, a do Banestado, que liberou geral.Para tanto bastou por em prática a fórmula milagrosa do PMDB, ou outro partido qualquer da base aliada,na presidência e PT na relatoria, ou vice versa, isto evidentemente na Câmara.Aquela do mensalão, ressalvando-se o papel do Deputado Osmar Serralho, quase fica no seja-seja, não fossem as figuras monumentais do Procurador Geral da República e de um Ministro do Supremo Tribunal Federal aceitando a denúncia contra a "turma" dos quarenta.
Nestes dias, no Senado, evidencia-se a intenção do relator petista da segunda denúncia no Conselho de ética contra Renan de engavetar seu relatório.Par e passo, na Câmara, o relator, também petista , da CPI do apagão, parece querer livrar a cara de diretores da ANAC, filiados ou simpatizantes do mesmo partido.E tira o dedo de muitas feridas no corpo do governo.
Se o instrumento democrático da CPI se mostra inócuo, mero teatro para obter espaços na mídia, não vou encerrar estas considerações com desgastadas palavras de sobrevivência das esperanças nem vou cruzar as mão sobre o peito em suspeitas atitudes angelicais.Vou lançar candidaturas, se é que outros não o fizeram:Para Presidente e Vice, a dupla judiciária café com leite, nesta ordem.Não me perguntem por quais partidos.Sei apenas que não poderão ser estes que pululam no mar de lama que tanto aflige a cidadania.
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