domingo, 30 de setembro de 2007

QUADROS DE UMA EXPOSIÇÃO

Uma siderúrgica vem surgindo e já de dedo em riste,
Nesta exposição agro-triste, sem pecuária, mas inflacionária.
Muita fritura, embalos e poucos cavalos, sem um boi deslumbrante,
Mas com música dita gospel, ressonante em agouro uivante.
Vi vacas, pouquíssimas, obrigadas a dar leite três vezes ao dia
Perguntando-se na coxia, digníssimas, pelo touro.
Não vi o minotauro campeão da festa, desta e de outras que virão:
Se fez presente a diretoria da gigantesca usina com aciaria?
Ouvi estouro.Era o Prefeito contrafeito ou companheiros fogueteiros
Festejando num quadro da exposição a quase certa reeleição?
Cerveja? "Treis real a lata".A tarde ventava em ironias frias,
E meus amigos lá não poderiam estar.Estavam em Mianmar
Ou mortos em fotografias, numa cidade de outrora.
Eu?Fui embora, refém de mágoas, fumaças negras e canduras,
Sentindo na alma o cheiro de salsichas e gorduras impuras.
Ainda bem que não era o gás que todos negam, mas que vem.
Foi esse vento urgente na barriga... "Treis real a lata" é indecente.
Na fachada principal, a siderúrgica fatal mostrava a logomarca,
Zombando dos passantes com imagens deslumbrantes da matriarca
Serra dos poetas de antes, que se nutriram das paisagens desta terra.
E vi então, na mídia mundial, o Itatiaia como marca registrada...
E quem daqui o vislumbrar vai ter de pagar para o superintendente
Antes que o olhar se perca na fumaça anunciada, inevitavelmente.

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