José Alberto
Dezembro, o lugar propriamente não sei.O tempo, não gravei...
Vi-as passando na janela de um trem suburbano
Esperando o metrô que nunca chegaria no próximo ano,
Ansiando pela novela, o desfecho, este sim, que sempre vem.
Mulheres sonhando algum frescor, alguma notícia,
Alguma presença, um transeunte, um abraço sem sexo, uma carícia,
Espantando a idéia sem nexo, o desamor, a mosca fictícia,
Abanando-se mansamente no estertor da tarde incandescente.
Mulheres sem rostos, desaparecendo na fuligem e no esquecimento,
Comendo mangas caídas de dezembro, com gosto de cimento,
Sozinhas nas varandas com bandeirinhas...Iguaisinhas...
Ansiavam por algo, esperanças e certezas comezinhas.
Voavam para trás, alheias ao trem, sem receber ninguém,
Sonhando com uma democracia que nunca haveria de chegar um dia...
Sem perceber o que se repetia, o que as perseguia
E prossegue neste dia: restos renitentes, indecentes de uma eleição
Enfeando os muros infames, conspurcados, que vistos do trem
Correm desenfreados para inevitável, sórdida, indizível solidão.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
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Um comentário:
Belo texto! Parabéns
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