domingo, 14 de outubro de 2007

EXERCÍCIOS DE CACOFONIA


O Senador Renan Calheiros afirmou ou deu a entender ser igual a um coco.Só cairia dos altos postos que estava ocupando se alguém fosse arranca-lo com as próprias mãos.Na véspera da festa da Padroeira do Brasil, pediu licença por 45 dias da presidência do Senado e do Congresso Nacional e foi para casa.E já foi tarde!
Não foi arrancado.Seu afastamento não se deu pela força e sim por pressões do jogo democrático, as quais tentou de todas as formas desqualificar.Admirável foi a paciência do povo brasileiro.Controversas, para não dizer condenáveis, foram as atitudes de aliados do Governo e da base de apoio “alinhada” nos últimos seis meses.O coco caiu!Peço perdão aos mestres do idioma pela cacofonia.Desmembrando tal palavra e sem preocupações com didatismos, diria que "fonia" no caso diz respeito ao som das palavras.Embora haja ainda muito ruído no ar, mas deixando de lado a componente sonora do vocábulo, resta o caco.O Senado deverá nos próximos meses tentar juntar cacos de coco, de ética e de respeito ao eleitor, eis que esteve a ponto de ruir como instituição.Quanto ao apreço do brasileiro, talvez jamais consiga resgata-lo.
Salvo novas investidas da tropa de choque, sem ironias e com um certo alívio cidadão, parece lícito afirmar-se que o coco ao menos se descolou do caule, isto é, Renan se afastou da cadeira de Presidente do Senado e do Congresso!A sociedade quer crer que para sempre.
Compreensíveis naqueles momentos do tombo foram discursos do tipo “choros livres", nos quais o acusado se disse injustiçado e abusou de palavras como honra, dignidade, ética, interesse público, etc. Mas a verdade é que a grande noz tropical não se desprendeu facilmente do alto coqueiro fincado em Brasília, no qual se agarrou por justos 139 dias, período de tempo em que a casa se perdeu nos carrascais de cinco denúncias e em escaramuças variadas no Conselho de Ética.Muito opróbrio e muita lama emergiram tornando sombrio o cenário político.
Perplexa, a sociedade viu o Senado da República sem condições de produzir e legislar por mais de quatro meses ou, como queiram, deixando de cumprir sua destinação constitucional.Tratou-se de um dos mais deslustrados períodos da história republicana.
Ao tropel do vale tudo das tropas de choque prevaleceram discursos dramáticos, relatórios obsequiosos e artimanhas decorrentes de entulhos regimentais.O descaso para com a capacidade de discernimento do eleitor foi de tal irresponsabilidade que surgiram até sérias e oportunas indagações sobre a própria razão de ser de uma instituição que em pleno terceiro milênio abusou de procedimentos obscuros como, como por exemplo, o voto secreto no plenário, prática abolida na maioria dos parlamentos do mundo livre.Na hora da verdade, o partido do Governo bem como diversos correligionários do acusado lavaram as mãos, viraram os fios, só que o fizeram tardiamente.A propósito, deram até umas torções no indigitado fruto tropical para que caísse mais depressa, pois de outra forma o Senado continuaria paralisado ou patinando no lodaçal de cada dia.
É bem verdade que companheiros e compadres só acordaram para valer quando se evidenciou procedimento insensato e arrogante da liderança do partido, a mando não se sabe de quem, contra críticos de Renan.O início do desfecho se deu com o afastamento dos senadores Simon e Jarbas da CCJ.É verdade que ambos são políticos de grande e ilibado prestígio nas hostes do PMDB, mas tal fato, por si só, não explicaria cabalmente as mudanças de posição de aliados constatadas na segunda semana de Outubro.
Agora o óbvio que não quer calar: aqui para nos, o coco caiu das alturas em que se encontrava nem tanto por obra de faca, porrete, tronco chacoalhado ou o artifício usado pelos catadores de torcer com as mãos o fruto sempre no mesmo sentido até se desprender do trono.O golpe ou o sopro final veio quando mudou de direção e de intensidade o vento um tanto aloprado que sopra desde Brasília até as mais remotas paragens do país.O nome do vento? Foi, é e será CPMF!
Não é necessário ser cientista político para concluir que esta sigla mágica tem tido muitas vezes o poder de um vendaval, capaz até de mudar posturas férreas, derrubar cocos teimosos e desfazer impasses quase pétreos.Com a aprovação, pela Câmara, do prazo de prorrogação do referido imposto insistentemente chamado de "contribuição", a batata quente e urgente foi passada ao Senado que ficou com a palavra, digo a panela, precisando continuar a cocção.A oposição se declarava em obstrução enquanto Renan não se afastasse, assim, selou-se sua sorte...Daqui para frente, com o perdão do grande santo, é muito provável que passe a imperar o lema franciscano "é dando que se recebe", mas que a prorrogação da CPMF vai ser aprovada, lá isso vai!A conferir.
Quanto a Renan, será novamente julgado pelo Conselho de Ética e, caso a denúncia seja aceita, seu caso será submetido à nova apreciação em plenário, muito provavelmente ainda com voto secreto dos pares.Importante é lembrar que se licenciou por 45 dias.Haverá tempo para tudo?
Muita água ainda vai rolar até que este ilustre senhor seja alijado de vez do processo político eleitoral; talvez até renuncie e volte nas próximas eleições.Em sendo assim, teria sido inútil todo o drama vivido pelo Senado e o consequente vexame internacional ao qual o país esteve exposto?A resposta cabe a cada um dos eleitores.Quanto a mim:
Compreendi definitivamente que prerrogativas, imunidades, regimentos internos, certos preceitos da Constituição de 88, as bolsas como instrumento eleitoral e a falta de uma reforma política digna, séria e profunda estão na raiz de todos os males que nos infelicitam;
Percebi que o sistema de representatividade se assenta em equívocos monumentais, aparentemente inamovíveis;
Conclui que estamos caminhando para um impasse sem alternativas, pois os únicos que poderiam mudar o sistema não o fazem, nem o farão jamais sem pressão democrática, pois dele se beneficiam de alguma forma.
Por fim, relaxei e aproveitei o episódio para exercitar conhecimentos do famigerado vício de linguagem, a tal cacofonia, de modo a evita-lo daqui para frente..Ah!Antes que esqueça: enjoei de cocada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

ALOPRADOS, UNI-VOS!

Aloprados de todos os quilates,Uni-vos, ou desta vez o homem cai!
A quinta denúncia contra Renan, a exemplo das anteriores, estava fadada a ir para o rol do nunca ou para discursos inflamados de correligionários, até que um imprevisivel aloprado, nem tanto da impetuosa tropa de choque renancista, mas até comedido nas ponderações, resolveu afastar dois senadores do próprio partido integrantes da Comissão de Justiça do Senado por assumirem atitudes pouco condescententes com os desacertos do Presidente da casa.Muito provavelmente não o fez pela vontade própria, mas obedecendo ordens que não emanaram do Presidente do Partido.
Ora, os excelentíssimos Senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos não ocupavam a dita comissão pelos seu belos olhos.Na verdade nem os têm.Conquistaram tais posições por seus méritos e suas biografias.
Cindiu-se então um naco do bloco de apoio peemedebista e choveram apoios aos dois senadores defenestrados.Pasmem, tudo isto vem acontecendo nas hostes da base aliada sem que os verdadeiros aloprados do partido governista tenham feito qualquer pronunciamento até o momento, a excecão dos Senadores Mercadante e Suplicy, nem tão aloprados assim.Quanto aos alopradinhos do baixo clero, antes pelo contrário...
Todos estes acontecimentos podem até fazer parte do jogo político que tanto desgasta as instituições, desmerecendo cada vez mais o Senado perante a opinião pública.Mas uma declaração do lider Waldir Raupp parece inaceitável.Contestem-me, cidadãos:
Disse que está disposto a rever a demissão dos colegas, desde que os mesmos se alinhem com as orientações partidárias daqui para frente.Admitamos que tal ação de liderança seja aceitavel em se tratando de outras comissões, mas nas de Justiça e no conselho de ética não!E a consciência, o livre arbítrio, como ficam?

sábado, 6 de outubro de 2007

RENAN(V)


Vem ai a quinta denúncia contra o Presidente do Congresso, Renan Calheiros, tendo sempre a revista Veja como peça de sustentação.Sai de cena, neste episódio, o PSOL e seu fatigado representante no Senado.Adentram a arena senadores da oposição, indignados contra pretenso “araponga” querendo vigia-los, aboletado dentro da casa senatorial na condição de assessor do acusado.Se for verdade, isto é muito grave.Teria realmente o alagoano proprietário de bois milagrosos ultrapassado todo os limites aceitáveis dentro do jogo democrático?
Dizem que Almeida Lima, atual escudeiro mor, não rima com isenção, devoto que é da inocência do amigo em qualquer imbróglio que se apresente.Não está com a bola toda, pois não é do alto clero, mas os regimentos internos o favorecem.
Assim, as outras denúncias ainda não apreciadas enfraquecem e poderiam perder substância, pois o referido senador tem se mostrado sempre disposto a assumir quaisquer relatórios que se fizerem necessários em favor de Renan.Ora, assim não vale, pois é do PMDB, o mesmo partido do acusado.Daí a razão desta nova denúncia que não se sabe se prosperará.
Par e passo, qualquer membro deste partido da base aliada que queira atuar em consonância com as próprias biografias é sumariamente afastado de posições que ocupam, como é o caso dos senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, impedidos de prosseguir atividades na CCJ.
Prosperando ou não a nova denúncia, a agonia novelesca terá seguimento, pondo em dúvidas até a necessidade de sobrevivência da própria Instituição, considerada por muitos mera duplicação de esforços legislativos.
Aos amigos que me honram com a paciência de ler estes escritos, afirmo que gostaria de ver a tese da extinção do senado ser debatida com atenção e analisada seriamente em projetos de reforma política que a sociedade exige, mas os políticos tanto protelam.Digo isto com muita ênfase.
Não vejo incoerência na minha postura, apesar de ter dito algo aparentemente em contrário há cerca de dois meses.É que naquela oportunidade referia-me a um relatório do Congresso do PT, sugerindo tal alternativa.Partindo de quem partiu, a ideia seria inaceitável casuísmo.A bem da verdade, se alguma oposição existe no país nesta conjuntura política, ela se dá no senado.Precisa ser extinto, sim, mas não agora

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

INFIDELIDADE PARTIDÁRIA

Após dois dias de trabalho, o Supremo Tribunal Federal, sem deixar de ressaltar a importância da fidelidade partidária para a sobrevivência do regime democrático, passou a mão na cabeça dos últimos transfugas que se bandearam dos partidos pelos quais foram eleitos.A oposição fica enfraquecida e o governo comemora, eis que a maioria integra agora a base aliada.
Fato a ser estudado em profundidade pelos estudiosos do Direito foi a dificuldade encontrada para a proclamação, isto é, o resultado da votação.Houve um inusitado cuidado com as palavras para evitar embargos e chorumelas, dificuldades administradas com muita ponderação e competência pela eminente ministra Presidente.Para o leigo, vieram a tona lacunas e imperfeições da lei maior.Com a palavra, os juristas.
Embora crie jurisprudência, a presente decisão diz respeito apenas as ações impetradas por alguns partidos para retomar os mandatos de deputados que mudaram de agremiação.Fundamentou-se em consulta sem maior importância feita há tempos ao Supremo Tribunal Eleitoral.Este foi o gancho providencial na qual se agarraram muitos magistrados para proferir o voto.Assim, quem mudou de partido até 27 de Março de 20007, tem o mandato preservado, apesar da condenação quase unânime dos doutos juízes, em inflamados discursos, da dita infidelidade partidária, vulgo troca-troca.Justiça foi feita?
Decisões do Supremo devem ser respeitadas e mais que isto, cumpridas.Não obstante opiniões em contrário, consolida-se a tese de que o mandato, daqui para frente, pertence ao partido.Mas os que mudaram antes do dia 27 de Março continuarão exercendo prerrogativas, imunidades, vantagens e legislando.Se seus eleitores estiverem atentos, perdem representatividade
Normas serão escritas para os casos remanescentes e outros que certamente ocorrerão.A propósito, todos exaltam a Constituição, mas ninguém mais fala em reformas políticas.Abre-se a choradeira para toda a fauna política, desde os vereadores aos senadores, passando pelos deputados estaduais, governadores, suplentes, etc.
Lula disse, ou se não disse, pensou, que os partidos, de igual modo, precisam fazer exame de consciência e adotar procedimentos mais éticos.Está quase certo quando declara que "tem partido aí que mudou até de nome".Porquê não está totalmente certo?A razão é simples:Seu partido, embora não tenha mudado de nome, mudou de ideais desde o momento em que assumiu o poder, esquecendo também, desde o mensalão, as posturas éticas que sempre julgou indispensáveis para a democracia.

CARNAVAL SOMBRIO?

Não resta dúvidas, o Brasil continua sendo o país do futebol e do Carnaval.Só não se sabe até quando.O diabo é o noticiário no meio das ruas, o redemoinho da realidade infelicitando multidões.

Enquanto a tragédia do dia a dia não acontece com nossos familiares, nossos amigos, tudo bem.Mas quando a verdade chega próxima a nós, com seus desdobramentos perversos, a coisa muda de figura.Esta semana, um relatório da ONU alardeou o que todos já sabemos, mas insistimos em negar: Não existe nenhum país do mundo em que a sensação de insegurança seja maior do que no Brasil.
Pensou-se, após a constituição de 88 e do festival de democracia, com sucessivos recordes de votos, que todos os males antigos haviam sido varridos da colorida e antes festiva pátria amada.Na verdade foram, mas para debaixo de muitos tapetes e consciências.
A classe política, de maneira geral, se divide em duas categorias.Meu velho pai dizia que eram os que mamavam e os que queriam mamar.Hoje, são os que pensam que não têm o rabo preso e já se movimentam para as próximas eleições e os que têm o dito cujo grampeado.A verdade é que a maioria, em todos os níveis, está as voltas com advogados, conselhos de ética, ministério público, STF, PF, etc, não se incomodando em paralisar o Estado e outras instituições como o Senado para livrar a própria cara.
Ora, quem não gostaria de viver em um eterno Carnaval ou continuadas festas?O questionamento se faz em vão, pois isto só seria possível se legiões de demônios da quarta feira não estivessem por ai perambulando e mostrando garras a cada dia. Poderia alentar este artigo com as dimensões de um compêndio se fosse relatar os graves problemas que rondam nosso futuro, mais que o passado e o presente.

Triste e grave é constatar que em muitos lugares o carnaval poderá ser sombrio.Que os responsáveis sejam ao menos sensatos para que não seja trágico.

Lamentavelmente, se debates ocorrem no país, existem apenas na imprensa e não se dão no desaguadouro natural, o Congresso.As "casas" estão ou estiveram enredadas em mensalões, sanguessugas, dossiês e incontrolável corrupção.Em contrapartida, nestes dias cruéis têm voz e presença cada vez mais fortes grupos internacionais e organizações não governamentais, muitas interessadas apenas em se locupletarem no banquete amazônico.Uma CPI está em vias de ser instaurada, tantos são os indícios que se adensam negativa e até criminalmente a respeito do assunto.
Neste sorvedouro de vaidades, omissões, conveniências, conivências e ambições desmedidas, não é lícito silenciar ao menos quanto a um caso.Roraima é exemplo emblemático e prenuncia talvez sangue no chope do país do Carnaval.Trata-se de drama absurdo, inadmissível se cogitado sob o ponto de vista social e causador de inquietude se analisado em termos de estratégias nacionais.

Tudo começou com uma reserva para os índios da etnia Ianomâmi, defendida inicialmente pela igreja católica e por intelectuais distanciados da realidade vivida naquela cobiçada pérola da Federação, riquíssima em terras cultiváveis e recursos minerais.Depois a coisa foi crescendo internacionalmente, arrolando organizações poderosas incrustadas na Amazônia e grupos de pressão.O debate no Congresso deixou muito a desejar,pois estava enfraquecido pela sucessão de escândalos.
Consumados os trâmites, enquanto outra reserva era cogitada, já não queriam ver as duas separadas.Pressões internas e de toda ordem foram desencadeadas para que fossem contínuas.E conseguiram! O fato, como já foi dito, se deu concomitantemente com o desfecho de uma legislatura do Congresso voltada para o próprio umbigo, alheia aos anseios do país, atolada no próprio lamaçal que engendrara.E pasmem, no STF lograram alcançar nova vitória, pois a Suprema Corte não poderia se contrapor ao Poder Legislativo neste caso específico.Sem entrar no mérito, considerável extensão do Estado de Roraima, perigosamente próxima à fronteira do Brasil com a Venezuela, foi transformada em reserva.Acresce o fato de que a região é despovoada e nas reservas ninguém entra, a não ser membros de certas ONG e a Funai.
Só não explicaram aos contribuintes, à consciência nacional e aos eleitores em geral que naquelas vastas reservas criadas de modo quase artificial na fase de estudos, ouvidos antropólogos em gabinetes refrigerados de Brasília, moravam outros brasileiros ditos não índios puros.A miscigenação ancestral, a mesma que possibilitou nossa maneira de ser, quem sabe até o Carnaval nas suas mais remotas origens, foi letra morta para os dignitários do legislativo.Embora sem unanimidade, nossos representantes ignoraram a evidência gritante, a verdade:que estes brasileiros são também índios, só que de outras etnias.
Hoje a nação tem uma espada sobre a cabeça, pois é preciso tirar milhares de brasileiros das terras que ocupam e nas quais plantam grãos indispensáveis em um Estado muito distante dos grandes centros produtores mais ao sul. Esta gente vem fazendo isto de longa data, com ordem, sem a agressividade de certos movimentos revoltosos.Não se diga que o interesse é apenas de empresários.Resta saber quem, que força, que poder vai expulsa-los de lá?

Seja nas grandes cidades, purgatórios nos quais a população se debate em paroxismos terminais em face da violência, seja nas vastidões lá do extremo norte amazônico, onde a gente simples luta pelo pão, alguma alegria é indispensável à sobrevivência.O povo, em qualquer lugar do país, preza uma boa folia.As festas tradicionais, de cunho regional, bem como o carnaval, são eventos esperados, até com ansiedade.Afinal, ninguém é de ferro, nem Governo, Congresso, Justiça e muito menos o cidadão comum.Mas nestas amargas circunstâncias, as esperanças desfalecem...

Em Roraima, sobretudo, a situação reveste-se de gravidade, mas se Deus for brasileiro, não de permitir que cidadãos desprotegidos sejam retirados a força dos campos nos quais produzem para sobreviver.Parece até ironia, se a situação não prenunciasse tragédias: por imposições da concentração de grandes efetivos policiais indispensáveis à operação e também em decorrência da alentada logística que se faz necessária, o desfecho poderá ocorrer daqui uns quatro ou cinco meses, mais ou menos no período carnavalesco, ainda convenientemente distanciado das eleições.

Mas se assim for e se até Deus já estiver cansado de tanta insensatez, espera-se que o espírito de tolerância prevaleça.Resta almejar que o carnaval das alegrias e risos de antes não seja tingido pelas cores do sangue dos justos e inocentes brasileiros que plantam arroz para sobrevive

Quanto à violência e à insegurança grassando de norte a sul, estas não parecem ter jeito.E tudo deverá ficar na mesma, pois não são malefícios a serem afastados somente com discursos e palanques.Demandam dignidade, responsabilidade e muita força moral.Um novo Messias, talvez.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Resposta a Blogueiro Parente

Você realmente deve ser um um Faustini legítimo, como se diz em seu blog.Certamente conhece detalhes da saga.Um imigrante italiano, seu bisavô, Antonio Faustini, na segunda metade do século dezenove, formado em farmácia em Turim, veio para o Espírito Santo, não como outros patrícios que imigraram para substituir o braço escravo, mas na condição de profissional liberal.Ele era fora de série!Comprou uma pequena propriedade em Demétrio Ribeiro e montou uma farmácia.Por força das contingências se via obrigado, por razões humanitárias, a fazer o papel do médico sempre ausente.Foi perseguido por isto.Em dado momento, sua pequena propriedade transformou-se em um feudo, no bom sentido.E pasme: numa época em que não existiam o telefone e muito menos a Internet, em que as notícias nunca chegavam aos grotões onde se estabeleceu,ele, trocando correspondência com a Itália e compulsando seu livros adorados fez de seus filhos competentes profissionais em diferentes áreas, depois de propiciar-lhes o ensino fundamental com mestras que trazia da Pátria, como Dona Teresita.O Joanin iniciou-o nos mistérios da perfumaria; O Teófilo, na correaria, o Américo, na ourivesaria.Romeu, Antonio, José, nos segredos da manipulação e da farmacopéia.As mulheres eram do lar: A Laura, a Julieta e minha mãe, a segunda mais velha depois do João, auxiliar heróica da mais heróica de todas as mulheres, a Dona Elisabeta Modenezzi.Maria, minha mãe, com oito anos de idade fazia polenta para trinta ou quarenta doentes, ditos camaradas, que o velho abrigava em sua propriedade por falta de hospitais.Grande amargura se abateu sobre seu indômito espírito quando perdeu um filho assassinado pela polícia do Getúlio na estação de João Neiva, sob a suspeita de ser integralista, na década de trinta.Outro, a indefectível ovelha negra, se foi, quem sabe, por abuso do álcool.Perdeu um pequeno José, talvez pelo crupe (difteria), mas, na terrível epidemia da gripe espanhola de 1914 não amargou a morte de nenhum dos seus, não obstante receber dezenas de doentes terminais na PHARMACIA POPULAR e no “lazareto” que providenciou.O fim da história veio com a crise do café e a política getulista da queima dos estoques.Terminou seus dias na casa da Julieta, em Vila Velha, condenado a viver seus últimos anos em uma cama, ele que fora um faz tudo naqueles remotos sítios do Espírito santo do início do século vinte.
Eu, lá pelos meus cinco anos, tinha medo quando minha mãe ia visitar a irmã, pois o guerreiro de cabelos branquíssimos segurava minhas mãos durante horas e nem minha mãe conseguia soltar-me. Fico vendo estas novelas exaltando figuras menores… Há tempos tentei de modo infrutífero sensibilizar outro Faustini global para tentarmos uma série ou algo parecido, mas sequer obtive respostas.Vamos ver se esta mensagem, ao menos, chega ao destinatário.Acho que você se protege demais contra os malefícios da internet, fato natural, eis que a usa profissionalmente.Eu não.