Você realmente deve ser um um Faustini legítimo, como se diz em seu blog.Certamente conhece detalhes da saga.Um imigrante italiano, seu bisavô, Antonio Faustini, na segunda metade do século dezenove, formado em farmácia em Turim, veio para o Espírito Santo, não como outros patrícios que imigraram para substituir o braço escravo, mas na condição de profissional liberal.Ele era fora de série!Comprou uma pequena propriedade em Demétrio Ribeiro e montou uma farmácia.Por força das contingências se via obrigado, por razões humanitárias, a fazer o papel do médico sempre ausente.Foi perseguido por isto.Em dado momento, sua pequena propriedade transformou-se em um feudo, no bom sentido.E pasme: numa época em que não existiam o telefone e muito menos a Internet, em que as notícias nunca chegavam aos grotões onde se estabeleceu,ele, trocando correspondência com a Itália e compulsando seu livros adorados fez de seus filhos competentes profissionais em diferentes áreas, depois de propiciar-lhes o ensino fundamental com mestras que trazia da Pátria, como Dona Teresita.O Joanin iniciou-o nos mistérios da perfumaria; O Teófilo, na correaria, o Américo, na ourivesaria.Romeu, Antonio, José, nos segredos da manipulação e da farmacopéia.As mulheres eram do lar: A Laura, a Julieta e minha mãe, a segunda mais velha depois do João, auxiliar heróica da mais heróica de todas as mulheres, a Dona Elisabeta Modenezzi.Maria, minha mãe, com oito anos de idade fazia polenta para trinta ou quarenta doentes, ditos camaradas, que o velho abrigava em sua propriedade por falta de hospitais.Grande amargura se abateu sobre seu indômito espírito quando perdeu um filho assassinado pela polícia do Getúlio na estação de João Neiva, sob a suspeita de ser integralista, na década de trinta.Outro, a indefectível ovelha negra, se foi, quem sabe, por abuso do álcool.Perdeu um pequeno José, talvez pelo crupe (difteria), mas, na terrível epidemia da gripe espanhola de 1914 não amargou a morte de nenhum dos seus, não obstante receber dezenas de doentes terminais na PHARMACIA POPULAR e no “lazareto” que providenciou.O fim da história veio com a crise do café e a política getulista da queima dos estoques.Terminou seus dias na casa da Julieta, em Vila Velha, condenado a viver seus últimos anos em uma cama, ele que fora um faz tudo naqueles remotos sítios do Espírito santo do início do século vinte.
Eu, lá pelos meus cinco anos, tinha medo quando minha mãe ia visitar a irmã, pois o guerreiro de cabelos branquíssimos segurava minhas mãos durante horas e nem minha mãe conseguia soltar-me. Fico vendo estas novelas exaltando figuras menores… Há tempos tentei de modo infrutífero sensibilizar outro Faustini global para tentarmos uma série ou algo parecido, mas sequer obtive respostas.Vamos ver se esta mensagem, ao menos, chega ao destinatário.Acho que você se protege demais contra os malefícios da internet, fato natural, eis que a usa profissionalmente.Eu não.
Eu, lá pelos meus cinco anos, tinha medo quando minha mãe ia visitar a irmã, pois o guerreiro de cabelos branquíssimos segurava minhas mãos durante horas e nem minha mãe conseguia soltar-me. Fico vendo estas novelas exaltando figuras menores… Há tempos tentei de modo infrutífero sensibilizar outro Faustini global para tentarmos uma série ou algo parecido, mas sequer obtive respostas.Vamos ver se esta mensagem, ao menos, chega ao destinatário.Acho que você se protege demais contra os malefícios da internet, fato natural, eis que a usa profissionalmente.Eu não.
Um comentário:
Eu, como filha de uma Faustini Somavilla e neta de Da. Maria, fiquei simplesmente apaixonada pelo texto. Foi maravilhoso conhecer um pouco mais da estória de vida do meu bisavô e seus filhos. Tive o prazer de conhecer e encontrar algumas vezes, em minha infância, Tia-avó Laura e Tia-avó Julieta, porém a infelicidade de conviver pouco com elas. Tia Hélia era o meu elo com o passado. Era ela quem me contava algumas estórias desta época da família no Espírito Santo. É muito bacana e importante que registros como esses sejam feitos para que a estória da família perdure e que nossos filhos, netos e assim por diante tenham acesso a ela. Parabéns e obrigada. Beijos, Lica
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