terça-feira, 25 de dezembro de 2007

RIOS EM AGONIA

RIOS EM AGONIA


A Primeira greve de fome de um bispo lá em uma cidade do nordeste e o moroso e inconcluso acesso oeste(uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul) nesta cidade de Resende-RJ, suscitaram-me, a tempos, em circunstancias diferentes, um artigo intitulado “Rios Políticos”.A segunda dieta do religioso, concluída recentemente sem resultados outros que não um desmaio e uns quilos perdidos, condenada veladamente pelo Vaticano por ser de natureza política, incita-me a escrever estas mal traçadas linhas.
Posso estar errado novamente, mas o que sei é que naquela oportunidade cometi grave equívoco: os rios do Brasil agonizam e, em si, não são políticos, servindo apenas de fachada, engodo, escada e farsa para seres, estes sim políticos, muitos deles mal intencionados.Nosso rio, o ancestral Paraíba dos índios Puris, como o Velho Chico, lamentavelmente também tem se prestado a abusos de toda ordem.
Parecem-me naturais ilações nesta hora.Logo após a conclusão da represa chamada "do Funil", entre Resende-RJ e Queluz-Sp, que de alguma forma disciplinou as cheias que traziam águas revoltosas até quase o centro da primeira cidade, eram comuns nas localidades ribeirinhas a existência de panfletos da empresa responsável pela construção da barragem alertando a população, mormente os que pretendiam adquirir imóveis a beira rio, sobre os possíveis e previsíveis riscos em caso de grandes chuvas, quando necessariamente as comportas deveriam ser abertas para evitar mal maior, ou, explicitamente, a eventual ruptura das paredes de contenção em caso de extravasamento.
Nunca temi sequer prenúncios de tal catástrofe, pois nas pranchetas e nos cálculos trabalhava um dos maiores engenheiros que o país conheceu, o doutor Francisco Fortes, resendense, anos depois figura de destaque na Itaipu Binacional e fazendeiro de sucesso em nossa cidade, comprador da gleba conhecida como Fazenda Aliança, no trajeto das águas domesticadas, a jusante.
A área no entorno da represa, frente ao maciço do Itatiaia, parece ter algum tabu.De inegável vocação turística, carrega consigo,quem sabe, sortilégios, vaticínios...Seria por ciumes da mãe natureza, zelosa(invejosa) da beleza sem par da baixada que se estende ao sopé da mais magnífica montanha deste país?A verdade é que lá também foi instalado um componente vital do projeto estratégico colimado pelo regime militar de tornar o Brasil auto-suficiente em energia nuclear: a Usina de Enriquecimento de Urânio!
Como dizia, li, nos primeiros anos, após o término do represamento das águas, os panfletos afixados nos postes e de longe, nos setenta, acompanhei os brados de um político, ainda agora um dos mais atuantes na região, vociferando contra o projeto de enriquecimento de urânio às margens da represa originalmente destinada a geração de energia elétrica.Movia ele céus e terras para alardear indignações, fazia carreatas, etc. Do outro lado da rodovia Presidente Dutra, tudo muito perto, estava a jóia da coroa familiar, uma belíssima pousada para repouso e lazer de turistas.Registre-se apenas, em nome da verdade:sabemos todos que sua motivação não era só a preocupação com a propriedade que haveria de herdar.Fundamentava-se, sobretudo, em questões ecológicas e ambientais, assim cremos.
A moenda do tempo parece triturar o pensamento, o sentimento, ou melhor, os desígnios.Agora, ninguém mais crê que se queira ainda fazer uma bomba atômica ante a paisagem e os políticos se dão por satisfeitos por terem quase silenciado sonhos de grandeza, que a bem da verdade, também não precisavam tomar forma concreta naquele espaço de tão magnífica beleza.
Inegavelmente, nos dias que correm, os prepostos dos poderosos não tiram o olho vigilante e suspeitoso da remanescente empresa nacional que tenta ainda encontrar tecnologias avançadas para enriquecer o urânio, e tem conseguido faze-lo, com inusitada competência, para fins pacíficos e para o bem do Brasil, a despeito de tudo e de todos.A INB caminha competente, mas ainda vista com veladas desconfianças por parte de setores da mídia e de certos intelectuais do próprio país.Mas, repito, indispensável, jamais deveria ter sido implantada ali.
Voltando ao Paraíba, cloaca coletora de esgotos desde o vale paulista até sua desembocadura em Campos dos Goitacazes, prédios se levantam dos dois lados do rio tomando proporções gigantescas.Naquela mesma área de graves, ou no mínimo sombrias perspectivas futuras, constrói-se agora uma siderúrgica, a Votorantim, afrontando ainda mais a paisagem, os ares e águas que restarão aos nossos descendentes.Tudo isto acontecendo como se esquecido fosse o crucial fato: o abastecimento do precioso líquido para a cidade do Rio de Janeiro, segundo PIB nacional, depende quase que exclusivamente deste pobre rio.
Por ironia, o ato final da novel concessão cinzenta do aço, quis o fado que estivesse nas mãos, ou na caneta, de um rebento daquele outro que tanto verberara contra a pretensa bomba atômica muito próxima de seus domínios e da paisagem.Não disse agora, mas é com se dissesse: faça o que digo, mas não o que faço, ou o contrário, sabe-se lá.
O bispo?Respeito seu ato, mas classifico-o de tresloucado, felizmente não consumado.Daqui para frente o problema passa a ser do Vaticano, quanto à disciplina, da CNBB, quanto às justificaticas políticas e seculares e do Presidente Lula, quanto a necessidade ou não da transposição do Rio São Francisco.Não entro, por enquanto, no mérito de nenhuma destas questõe, ainda menores ante a agonia de todos os rios brasileiros.
E o nosso rio daqui, nosso conspurcado e andrajoso rio?Para este, sim, resta mais uma perda, mais um sacrifício, o de doar suas águas para outro exercício da inconsequência, da insensatez humanas.Se já não respira e nem vive, também não encontra aqui quem por ele fale: prelados, políticos, ministério público e esta sociedade amorfa, todos nós, que queremos apenas consumir, exercer poderes e levar vantagens.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

EQUÍVOCOS DA DEMOCRACIA


Agora todo mundo é índio, é quilombola, é perseguido pela ditadura militar.Perdoem-me os legítimos, mas observem atentamente que Hugo Chaves, mandatário do país limítrofe ao norte, não tem nenhum problema desta natureza.Lá não se fazem reservas indígenas contínuas na fronteira internacional com Roraima.Não ocorrem invasões de propriedades, senão por inspiração explicitamente governista.Ninguém fala em indenizações e outro temas.Não obstante, usa o instrumento plebiscitário intentando perpetuar-se no poder.Perdeu “por enquanto”, como disse.
Aqui no Brasil, no torvelinho de acontecimentos absolutamente desconhecidos para o cidadão comum, Roraima vive um drama.As reservas indígenas continuas Raposa-Serra do Sol, em algum momento serão evacuadas.Está em gestação uma provável operação policial para tirar milhares de pessoas dos terenos que cultivam, pequenos agricultores brasileiros também com inequívoca descendência índia.Com a palavra o atual Ministro da Justiça.
Delineia-se assim mais uma vez o palco das inconsequências e irresponsabilidades de nossos representantes congressuais e do governo.Estes que teimam em negar verdades históricas, movidos por ideologias alienígenas não aclimatadas.Que querem?Uma guerra civil?Acaso levam em conta que somos, na imensa maioria, um país de mestiços, eleitores, pobres e sofridos, para os quais a Amazônia poderia ser a redenção?(O Presidente da República, exemplo único de sucesso eleitoral na casa inimaginável dos cinquenta e tantos milhões de votos, tem um pé, ou melhor, o corpo inteiro, na seara da mais legítima população brasileira. Pena que lá já não tenha também sua alma e sua vontade política).
As esquerdas têm vivido vinte anos no centro dos acontecimantos ou no lugar de honra do botim.É um continuado excesso alimentar seguido de flatulências no banquete da decantada democracia pós-constituição cidadã.A festança ainda não terminou e tem seguimentos repetitivos, monótonos mesmo, no processo eleitoral e nos desvirtuamentos das posturas republicanas.
Os eleitos, os escolhidos comensais dos poderes se nutrem da ignorância, da indiferença e das bolsas isto e aquilo que garantem o espetáculo dos milhões de votos.Recordes são ultrapassados a cada elaição como fato corriqueiro, fenômeno pitoresco que deverá perdurar por algum tempo, para o bem ou para o mal.
E assim se vive por aqui...Um grupo se reúne, contrata uma determinada ONG.Em poucos meses conseguem laudos "comprobatórios" de uma origem étnica remota sem fundamentos outros que não sejam carimbos e o indefectível fraseado sociológico de Brasília.Indivíduos que habitam determinadas áreas, até nas grandes cidades, de repente são alçados a dignidade de descendentes vivos dos escravos que nunca se submeteram ao jugo absurdo da escravidão.Deveriam ao menos, estas pessoas, terem algum respeito pelo sofrimento daqueles que lhes move o pleito.
No capítulo referente às perseguições políticas, muita gente está enriquecendo com profícuas diligências perante órgãos públicos.Políticos doublé de advogados são também regiamente beneficiados.Estes que frequentam e têm livre trânsito em todos os palácios e instâncias, movendo milhões da noite para o dia com uma presteza invejável nas esferas administrativas desta terra. Porquê não exercitam tamanha proficiência em favor dos que lutam nos tribunais há várias décadas para receberem precatórios julgados (e mais que passados em julgado), mas nunca pagos?
Haja reparação, haja indenização, haja terra para compensar os "erros" do passado, nem todos propriamente ancestrais, mas até recentes.Estes são equívocos possibilitados pela constituição de 88, ou, como queiram, a farra da esquerda predatória no poder que muito caro vai custar a sucessivas gerações de contribuintes brasileiros.Mas ainda vem o pior: haja vastidões, de preferência ricas em minerais estratégicos, para compensar os acertos internacionais feitos pelos nossos políticos, a seguir explicitados.
Alguns partidos começaram estas histórias nos oitenta talvez cientes da ilegitimidade e da fraqueza do governo Sarney.Radicais começaram a mover a moenda que tritura a soberania do país nesta fase amarga de nossa trajetória.No princípio não era o balaio de gatos que hoje se vê no arcabouço político, em que resquícios ideológicos são mera cortina de fumaça para mensalões, sanguessugas, propinudutos e coisas piores, como o perigoso namoro com a narco-guerrilha.As esquerdas pousavam então de virgens incorruptíveis ante a opinião pública.
Num primeiro momento, a pretexto de neutralizar "os militares”, facções de todos os matizes e de diferentes calibres de voracidade se uniram para acessar o poder pela via democrática.Então, "Faustos" tupiniquins, necessitados de grana , fizeram pactos com os demônios que lhes sopravam aos ouvidos, lá de fora, sugestões, palavras de ordem e coisas tais: Os interlocutores preferenciais eram alguns partidos políticos da Europa e poderosas organizações internacionais.
A moeda de troca com tais ONG que hoje estão entronizadas ao norte, preferencialmente nas reservas indígenas riquíssimas em recursos minerais, foram nacos substanciais da própria Amazônia.Lá onde até o exército Brasileiro está impedido de entrar (mas não a FUNAI, a polícia Federal, alguns prelados e todos os estrangeiros mentores ou prepostos das referidas ONG).
Nestes transcendentais assuntos, parece que o Brasil tem sido representado décadas por vendilhões ou omissos.Alguém já disse que tem sido legislado por picaretas e vigiados por uma justiça fraca e inoperante.Num país em que pessoas abrigadas sob o manto de movimentos sociais obstruem, como fizeram pouco, uma ferrovia estratégica que conduz seres humanos e transporta produtos para exportação, ou têm como profissão única e meta existencial invadir propriedades agrícolas produtivas sem que ninguém mova uma palha para reverter tal quadro e conte-los, não parece restar dúvidas de que estamos em uma terra sem lei.Disse isto, em alto e bom som, uma revista de circulação nacional.
Sendo assim, urge que algum sentimento verdadeiramente democrático e cidadão se manifeste veementemente por todos os canais de opinião, mormente pelas mídias escrita e televisiva, no seio das quais certas esquerdas predatórias teceram originalmente suas tramas de lesa Pátria.E tudo se fará com um reconhecimento firme dos direitos dos índios, dos quilombolas, descendentes legítimos daqueles pobres seres que o próprio Exército Brasileiro, quando instado a atuar como capitão de mato, se negou a perseguir, dos vitimados políticos, inclusive da ditadura getulista.Mas tudo sem exageros, interesses escusos, desígnios ideológicos e proselitismos hoje em voga, deploráveis posturas que querem jogarnas costas das gerações vindouras algo impossível de pagar.
A propósito, todos estes temas deveriam desaguar em muitos plebiscitos, mas até agora niguem se dispos a fazê-los...