RIOS EM AGONIA
A Primeira greve de fome de um bispo lá em uma cidade do nordeste e o moroso e inconcluso acesso oeste(uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul) nesta cidade de Resende-RJ, suscitaram-me, a tempos, em circunstancias diferentes, um artigo intitulado “Rios Políticos”.A segunda dieta do religioso, concluída recentemente sem resultados outros que não um desmaio e uns quilos perdidos, condenada veladamente pelo Vaticano por ser de natureza política, incita-me a escrever estas mal traçadas linhas.
Posso estar errado novamente, mas o que sei é que naquela oportunidade cometi grave equívoco: os rios do Brasil agonizam e, em si, não são políticos, servindo apenas de fachada, engodo, escada e farsa para seres, estes sim políticos, muitos deles mal intencionados.Nosso rio, o ancestral Paraíba dos índios Puris, como o Velho Chico, lamentavelmente também tem se prestado a abusos de toda ordem.
Parecem-me naturais ilações nesta hora.Logo após a conclusão da represa chamada "do Funil", entre Resende-RJ e Queluz-Sp, que de alguma forma disciplinou as cheias que traziam águas revoltosas até quase o centro da primeira cidade, eram comuns nas localidades ribeirinhas a existência de panfletos da empresa responsável pela construção da barragem alertando a população, mormente os que pretendiam adquirir imóveis a beira rio, sobre os possíveis e previsíveis riscos em caso de grandes chuvas, quando necessariamente as comportas deveriam ser abertas para evitar mal maior, ou, explicitamente, a eventual ruptura das paredes de contenção em caso de extravasamento.
Nunca temi sequer prenúncios de tal catástrofe, pois nas pranchetas e nos cálculos trabalhava um dos maiores engenheiros que o país conheceu, o doutor Francisco Fortes, resendense, anos depois figura de destaque na Itaipu Binacional e fazendeiro de sucesso em nossa cidade, comprador da gleba conhecida como Fazenda Aliança, no trajeto das águas domesticadas, a jusante.
A área no entorno da represa, frente ao maciço do Itatiaia, parece ter algum tabu.De inegável vocação turística, carrega consigo,quem sabe, sortilégios, vaticínios...Seria por ciumes da mãe natureza, zelosa(invejosa) da beleza sem par da baixada que se estende ao sopé da mais magnífica montanha deste país?A verdade é que lá também foi instalado um componente vital do projeto estratégico colimado pelo regime militar de tornar o Brasil auto-suficiente em energia nuclear: a Usina de Enriquecimento de Urânio!
Como dizia, li, nos primeiros anos, após o término do represamento das águas, os panfletos afixados nos postes e de longe, nos setenta, acompanhei os brados de um político, ainda agora um dos mais atuantes na região, vociferando contra o projeto de enriquecimento de urânio às margens da represa originalmente destinada a geração de energia elétrica.Movia ele céus e terras para alardear indignações, fazia carreatas, etc. Do outro lado da rodovia Presidente Dutra, tudo muito perto, estava a jóia da coroa familiar, uma belíssima pousada para repouso e lazer de turistas.Registre-se apenas, em nome da verdade:sabemos todos que sua motivação não era só a preocupação com a propriedade que haveria de herdar.Fundamentava-se, sobretudo, em questões ecológicas e ambientais, assim cremos.
A Primeira greve de fome de um bispo lá em uma cidade do nordeste e o moroso e inconcluso acesso oeste(uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul) nesta cidade de Resende-RJ, suscitaram-me, a tempos, em circunstancias diferentes, um artigo intitulado “Rios Políticos”.A segunda dieta do religioso, concluída recentemente sem resultados outros que não um desmaio e uns quilos perdidos, condenada veladamente pelo Vaticano por ser de natureza política, incita-me a escrever estas mal traçadas linhas.
Posso estar errado novamente, mas o que sei é que naquela oportunidade cometi grave equívoco: os rios do Brasil agonizam e, em si, não são políticos, servindo apenas de fachada, engodo, escada e farsa para seres, estes sim políticos, muitos deles mal intencionados.Nosso rio, o ancestral Paraíba dos índios Puris, como o Velho Chico, lamentavelmente também tem se prestado a abusos de toda ordem.
Parecem-me naturais ilações nesta hora.Logo após a conclusão da represa chamada "do Funil", entre Resende-RJ e Queluz-Sp, que de alguma forma disciplinou as cheias que traziam águas revoltosas até quase o centro da primeira cidade, eram comuns nas localidades ribeirinhas a existência de panfletos da empresa responsável pela construção da barragem alertando a população, mormente os que pretendiam adquirir imóveis a beira rio, sobre os possíveis e previsíveis riscos em caso de grandes chuvas, quando necessariamente as comportas deveriam ser abertas para evitar mal maior, ou, explicitamente, a eventual ruptura das paredes de contenção em caso de extravasamento.
Nunca temi sequer prenúncios de tal catástrofe, pois nas pranchetas e nos cálculos trabalhava um dos maiores engenheiros que o país conheceu, o doutor Francisco Fortes, resendense, anos depois figura de destaque na Itaipu Binacional e fazendeiro de sucesso em nossa cidade, comprador da gleba conhecida como Fazenda Aliança, no trajeto das águas domesticadas, a jusante.
A área no entorno da represa, frente ao maciço do Itatiaia, parece ter algum tabu.De inegável vocação turística, carrega consigo,quem sabe, sortilégios, vaticínios...Seria por ciumes da mãe natureza, zelosa(invejosa) da beleza sem par da baixada que se estende ao sopé da mais magnífica montanha deste país?A verdade é que lá também foi instalado um componente vital do projeto estratégico colimado pelo regime militar de tornar o Brasil auto-suficiente em energia nuclear: a Usina de Enriquecimento de Urânio!
Como dizia, li, nos primeiros anos, após o término do represamento das águas, os panfletos afixados nos postes e de longe, nos setenta, acompanhei os brados de um político, ainda agora um dos mais atuantes na região, vociferando contra o projeto de enriquecimento de urânio às margens da represa originalmente destinada a geração de energia elétrica.Movia ele céus e terras para alardear indignações, fazia carreatas, etc. Do outro lado da rodovia Presidente Dutra, tudo muito perto, estava a jóia da coroa familiar, uma belíssima pousada para repouso e lazer de turistas.Registre-se apenas, em nome da verdade:sabemos todos que sua motivação não era só a preocupação com a propriedade que haveria de herdar.Fundamentava-se, sobretudo, em questões ecológicas e ambientais, assim cremos.
A moenda do tempo parece triturar o pensamento, o sentimento, ou melhor, os desígnios.Agora, ninguém mais crê que se queira ainda fazer uma bomba atômica ante a paisagem e os políticos se dão por satisfeitos por terem quase silenciado sonhos de grandeza, que a bem da verdade, também não precisavam tomar forma concreta naquele espaço de tão magnífica beleza.
Inegavelmente, nos dias que correm, os prepostos dos poderosos não tiram o olho vigilante e suspeitoso da remanescente empresa nacional que tenta ainda encontrar tecnologias avançadas para enriquecer o urânio, e tem conseguido faze-lo, com inusitada competência, para fins pacíficos e para o bem do Brasil, a despeito de tudo e de todos.A INB caminha competente, mas ainda vista com veladas desconfianças por parte de setores da mídia e de certos intelectuais do próprio país.Mas, repito, indispensável, jamais deveria ter sido implantada ali.
Voltando ao Paraíba, cloaca coletora de esgotos desde o vale paulista até sua desembocadura em Campos dos Goitacazes, prédios se levantam dos dois lados do rio tomando proporções gigantescas.Naquela mesma área de graves, ou no mínimo sombrias perspectivas futuras, constrói-se agora uma siderúrgica, a Votorantim, afrontando ainda mais a paisagem, os ares e águas que restarão aos nossos descendentes.Tudo isto acontecendo como se esquecido fosse o crucial fato: o abastecimento do precioso líquido para a cidade do Rio de Janeiro, segundo PIB nacional, depende quase que exclusivamente deste pobre rio.
Por ironia, o ato final da novel concessão cinzenta do aço, quis o fado que estivesse nas mãos, ou na caneta, de um rebento daquele outro que tanto verberara contra a pretensa bomba atômica muito próxima de seus domínios e da paisagem.Não disse agora, mas é com se dissesse: faça o que digo, mas não o que faço, ou o contrário, sabe-se lá.
O bispo?Respeito seu ato, mas classifico-o de tresloucado, felizmente não consumado.Daqui para frente o problema passa a ser do Vaticano, quanto à disciplina, da CNBB, quanto às justificaticas políticas e seculares e do Presidente Lula, quanto a necessidade ou não da transposição do Rio São Francisco.Não entro, por enquanto, no mérito de nenhuma destas questõe, ainda menores ante a agonia de todos os rios brasileiros.
E o nosso rio daqui, nosso conspurcado e andrajoso rio?Para este, sim, resta mais uma perda, mais um sacrifício, o de doar suas águas para outro exercício da inconsequência, da insensatez humanas.Se já não respira e nem vive, também não encontra aqui quem por ele fale: prelados, políticos, ministério público e esta sociedade amorfa, todos nós, que queremos apenas consumir, exercer poderes e levar vantagens.
Voltando ao Paraíba, cloaca coletora de esgotos desde o vale paulista até sua desembocadura em Campos dos Goitacazes, prédios se levantam dos dois lados do rio tomando proporções gigantescas.Naquela mesma área de graves, ou no mínimo sombrias perspectivas futuras, constrói-se agora uma siderúrgica, a Votorantim, afrontando ainda mais a paisagem, os ares e águas que restarão aos nossos descendentes.Tudo isto acontecendo como se esquecido fosse o crucial fato: o abastecimento do precioso líquido para a cidade do Rio de Janeiro, segundo PIB nacional, depende quase que exclusivamente deste pobre rio.
Por ironia, o ato final da novel concessão cinzenta do aço, quis o fado que estivesse nas mãos, ou na caneta, de um rebento daquele outro que tanto verberara contra a pretensa bomba atômica muito próxima de seus domínios e da paisagem.Não disse agora, mas é com se dissesse: faça o que digo, mas não o que faço, ou o contrário, sabe-se lá.
O bispo?Respeito seu ato, mas classifico-o de tresloucado, felizmente não consumado.Daqui para frente o problema passa a ser do Vaticano, quanto à disciplina, da CNBB, quanto às justificaticas políticas e seculares e do Presidente Lula, quanto a necessidade ou não da transposição do Rio São Francisco.Não entro, por enquanto, no mérito de nenhuma destas questõe, ainda menores ante a agonia de todos os rios brasileiros.
E o nosso rio daqui, nosso conspurcado e andrajoso rio?Para este, sim, resta mais uma perda, mais um sacrifício, o de doar suas águas para outro exercício da inconsequência, da insensatez humanas.Se já não respira e nem vive, também não encontra aqui quem por ele fale: prelados, políticos, ministério público e esta sociedade amorfa, todos nós, que queremos apenas consumir, exercer poderes e levar vantagens.
Um comentário:
Muito bom! Parabéns.
Otavia
Postar um comentário