DO PETRÓLEO E DO SAL
Não sou especialista no assunto "sal” e muito menos na temática do petróleo.Quanto ao primeiro, o cloreto de sódio, sei apenas que foi causa de guerras antigas, sendo indispensável na comida e na vida.Sem ele, a existência outra coisa não seria senão insossa (obviedade à parte).Do petróleo, ouço dizer que é um bem não renovável, sempre embutido nos grandes conflitos do século XX.Por décadas tem sido a razão ou compulsão das potências em suas projeções de poder.Motor vital das economias, para o bem ou para o mal, está presente em todos os momentos da trajetória de qualquer ser.
Na verdade, nem estudioso diletante sou de ambas as problemáticas.Do sal devo abster-me, por ordens do doutor, mas não consigo.Do ouro negro, sei que o preço internacional do barril bate na casa dos cem dólares e é uma das principais causas do males que afetam o meio ambiente em todo o planeta.De moto próprio decidi abolir o carro do rol de meus sonhos de consumo.De outros subprodutos, como o gás de cozinha e bens da indústria petroquímica, talvez não possa prescindir, a não ser que vá viver em cavernas, na condição existencial de troglodita, do lado oeste do Itatiaia.Porque lado oeste? Em razão da proximidade de uma siderúrgica a ser construída quase no sopé da montanha, na vertente oposta.Mas esta é outra história.
Com tudo isto, a imodéstia obriga-me a acrescentar algumas observações fundamentadas precariamente nos preceitos do “achismo".Achar isto ou aquilo a respeito de qualquer tema ganha foros de verdadeira característica sociológica dominante em certa parcela da sociedade brasileira na qual me incluo: do alfinete ao foguete, do futebol ao rockandroll, da genética à cibernética, da planilha à bolsa família, enfim, das perversões até às eleições, nem que seja só para rimar, nos botequins, nas ruas, qualquer que pratique a “achologia” (axiologia ou besteirol?) pode e deve opinar sobre qualquer assunto, ainda que o desconheça.Faço-o agora.
Todo este preambulo foi necessário só para comentar as consequências políticas da descoberta de profusões de petróleo no campo Tupi, na bacia de Santos.São oito bilhões de barris, segundo otimistas porta-vozes governamentais.Tal reserva está a sete mil metros abaixo da superfície, mas este fato, isoladamente, não preocupa, eis que o Brasil é pioneiro na exploração em grandes profundidades da plataforma continental.O imenso problema não está no piso abissal do mar, nem sequer na taluda camada de rocha, com mais de dois mil metros, mas, pasmem, no SAL, este também com uma faixa de mais de dois quilômetros na vertical!
É esta cobertura salina que acarretará aumentos significativos de custos, antes que o petróleo possa chegar às refinarias para processamento.Mas isto não é tudo: novas tecnologias deverão ser pensadas e desenvolvidas.Isto demandará tempo e dinheiro.A palavra de ordem é vencer o sal até chegar a um óleo fino, de qualidade superior, sem enxofre, de maior preço nos mercados.
O prestigioso Centro de Estudos do COPPE, da UFRJ, parceiro da Petrobrás há trinta anos, tem sido ouvido nos últimos dias pela mídia sobre as tremendas dificuldades para extrair aquele óleo.ACHO, com modéstia, que deveria ter tido a primeira palavra, antes da pirotecnia do anúncio oficial.
O sal, nas altas temperaturas existentes nas entranhas da terra, transforma-se em lama gelatinosa que sempre se fecha quando retirada uma sonda, diferentemente do que ocorre com a rocha.
Ouvir um cientista do COPPE adentrando o campo é ver um Ricardinho levantando, nem tanto bolas numa partida de vôlei, mas dificuldades que deverão ser vencidas nos próximos anos.Não obstante, sempre deixam uma mensagem final de otimismo e de capacidade de encontrar soluções para este e inúmeros outros problemas, previsíveis ou não, no caminho do petróleo até gerar riquezas para o Brasil.Continuo ACHANDO que deveria ter sido acionado antes da festa televisiva.
O fato novo foi o petróleo fino abaixo da camada de sal na área Tupi, que não pertence unicamente ao Brasil(temos dois sócios nesta empreitada) e que trará imensos óbices para a exploração. Então porque aquele anúncio retumbante de uma reserva conhecida há mais de dois anos cujos resultados somente serão visíveis em 2015?ACHO que foi por motivos político-eleitorais, em favor de pessoas que ambicionam o poder.Desnecessário seria declinar nomes.
A verdade é que foi gerada uma expectativa formidável, tanto que o Presidente já pensou marotamente na OPEP e afirmou ter sido apelidado de xeque por seu pares no exterior.Par e passo, as ações da Petrobrás subiram cerca de 12% em um único dia, para caírem depois, face o magro balanço com perdas de lucros em relação a 2006.
Vê-se, assim, que o problema não é somente o sal.Rimando, parece ser também eleitoral.Se formos realmente os campeões da democracia, devemos apurar quem ganha e que perde nestes casos, ainda mais se pensarmos que Tupi pode ser apenas uma parcela de campos que se estendem desde o litoral de Santa Catarina até o Espírito Santo.Providencialmente foram suspensas novas concessões e parcerias nas regiões mais promissoras.
Não sou especialista no assunto "sal” e muito menos na temática do petróleo.Quanto ao primeiro, o cloreto de sódio, sei apenas que foi causa de guerras antigas, sendo indispensável na comida e na vida.Sem ele, a existência outra coisa não seria senão insossa (obviedade à parte).Do petróleo, ouço dizer que é um bem não renovável, sempre embutido nos grandes conflitos do século XX.Por décadas tem sido a razão ou compulsão das potências em suas projeções de poder.Motor vital das economias, para o bem ou para o mal, está presente em todos os momentos da trajetória de qualquer ser.
Na verdade, nem estudioso diletante sou de ambas as problemáticas.Do sal devo abster-me, por ordens do doutor, mas não consigo.Do ouro negro, sei que o preço internacional do barril bate na casa dos cem dólares e é uma das principais causas do males que afetam o meio ambiente em todo o planeta.De moto próprio decidi abolir o carro do rol de meus sonhos de consumo.De outros subprodutos, como o gás de cozinha e bens da indústria petroquímica, talvez não possa prescindir, a não ser que vá viver em cavernas, na condição existencial de troglodita, do lado oeste do Itatiaia.Porque lado oeste? Em razão da proximidade de uma siderúrgica a ser construída quase no sopé da montanha, na vertente oposta.Mas esta é outra história.
Com tudo isto, a imodéstia obriga-me a acrescentar algumas observações fundamentadas precariamente nos preceitos do “achismo".Achar isto ou aquilo a respeito de qualquer tema ganha foros de verdadeira característica sociológica dominante em certa parcela da sociedade brasileira na qual me incluo: do alfinete ao foguete, do futebol ao rockandroll, da genética à cibernética, da planilha à bolsa família, enfim, das perversões até às eleições, nem que seja só para rimar, nos botequins, nas ruas, qualquer que pratique a “achologia” (axiologia ou besteirol?) pode e deve opinar sobre qualquer assunto, ainda que o desconheça.Faço-o agora.
Todo este preambulo foi necessário só para comentar as consequências políticas da descoberta de profusões de petróleo no campo Tupi, na bacia de Santos.São oito bilhões de barris, segundo otimistas porta-vozes governamentais.Tal reserva está a sete mil metros abaixo da superfície, mas este fato, isoladamente, não preocupa, eis que o Brasil é pioneiro na exploração em grandes profundidades da plataforma continental.O imenso problema não está no piso abissal do mar, nem sequer na taluda camada de rocha, com mais de dois mil metros, mas, pasmem, no SAL, este também com uma faixa de mais de dois quilômetros na vertical!
É esta cobertura salina que acarretará aumentos significativos de custos, antes que o petróleo possa chegar às refinarias para processamento.Mas isto não é tudo: novas tecnologias deverão ser pensadas e desenvolvidas.Isto demandará tempo e dinheiro.A palavra de ordem é vencer o sal até chegar a um óleo fino, de qualidade superior, sem enxofre, de maior preço nos mercados.
O prestigioso Centro de Estudos do COPPE, da UFRJ, parceiro da Petrobrás há trinta anos, tem sido ouvido nos últimos dias pela mídia sobre as tremendas dificuldades para extrair aquele óleo.ACHO, com modéstia, que deveria ter tido a primeira palavra, antes da pirotecnia do anúncio oficial.
O sal, nas altas temperaturas existentes nas entranhas da terra, transforma-se em lama gelatinosa que sempre se fecha quando retirada uma sonda, diferentemente do que ocorre com a rocha.
Ouvir um cientista do COPPE adentrando o campo é ver um Ricardinho levantando, nem tanto bolas numa partida de vôlei, mas dificuldades que deverão ser vencidas nos próximos anos.Não obstante, sempre deixam uma mensagem final de otimismo e de capacidade de encontrar soluções para este e inúmeros outros problemas, previsíveis ou não, no caminho do petróleo até gerar riquezas para o Brasil.Continuo ACHANDO que deveria ter sido acionado antes da festa televisiva.
O fato novo foi o petróleo fino abaixo da camada de sal na área Tupi, que não pertence unicamente ao Brasil(temos dois sócios nesta empreitada) e que trará imensos óbices para a exploração. Então porque aquele anúncio retumbante de uma reserva conhecida há mais de dois anos cujos resultados somente serão visíveis em 2015?ACHO que foi por motivos político-eleitorais, em favor de pessoas que ambicionam o poder.Desnecessário seria declinar nomes.
A verdade é que foi gerada uma expectativa formidável, tanto que o Presidente já pensou marotamente na OPEP e afirmou ter sido apelidado de xeque por seu pares no exterior.Par e passo, as ações da Petrobrás subiram cerca de 12% em um único dia, para caírem depois, face o magro balanço com perdas de lucros em relação a 2006.
Vê-se, assim, que o problema não é somente o sal.Rimando, parece ser também eleitoral.Se formos realmente os campeões da democracia, devemos apurar quem ganha e que perde nestes casos, ainda mais se pensarmos que Tupi pode ser apenas uma parcela de campos que se estendem desde o litoral de Santa Catarina até o Espírito Santo.Providencialmente foram suspensas novas concessões e parcerias nas regiões mais promissoras.
Pode parecer óbvio, mas o sangue negro da mãe terra não deve ter dono.Como a Amazônia, não pertence a este ou aquele partido no poder, a este ou aquele regime, a este ou aquele grupo de acionistas, a esta ou àquela corporação.É propriedade inalienável do povo brasileiro.Assim, ACHO que devamos todos, cidadãos de sempre, vigiarmos muito alem de nossos olhares, empenhando nossos corações na questão, como fizemos na campanha do "Petróleo é Nosso" e em tantos outros episódios da história . E você, o que ACHA?