quarta-feira, 27 de agosto de 2008

RAPOSA SERRA DO SOL:MAIS UM CAPÍTULO


Um Ministro do Supremo vota com a consciência, saber jurídico e o conhecimento dos fatos.Caso seja relator do processo deve ter em mente as consequências que poderão advir de suas palavras inscritas nos anais, a serem cumpridas a ferro e a fogo, caso prevaleça em plenário sua posição.O mesmo se deve esperar de temas já apreciados, de grande relevância, como por exemplo, o uso das células tronco, o nepotismo, as listas sujas de candidatos, impugnações que amarelecem no contraditório, etc. Haja Ministério Público, haja polícia, haja vontade heróica para transformar julgamentos em ações.
Poucos brasileiros talvez saibam que neste 27 de Agosto entrou em julgamento a demanda em torno da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, na qual se cogita do indiscutível direito que certas etnias índias têm quanto às terras que ocupavam ou pelas quais passavam ancestralmente.Fosse somente isto seria muito simples, mas o embrulho é maior, eis que subjacentes estavam, e estarão, até o juízo final, assuntos como soberania e defesa nacional, possibilidade de conflito entre irmãos, propriedade privada com a retirada de famílias da área, discriminação de brasileiros miscigenados, a saga de fazendeiros que acreditaram na expansão da fronteira agrícola, contrabando, desmatamento, o ordenamento jurídico do país, o desmesurado arbítrio de funcionários de segundo nivel que destinaram, a revelia da opinião pública, vastas áreas a poucos, enfim, o próprio pacto federativo.
E tudo isto vem acontecendo a década e meia num cenário onde se misturam fronteiras internacionais desabitadas, imensas riquezas minerais, igrejas em litígio, assinaturas de tratados contraditórios, impedimentos físicos de livre trânsito nas estradas federais, seletividade de quem pode ou não adentrar as reservas e, o que é mais grave, ações visivelmente deletérias de organizações estrangeiras fora de qualquer controle que há muito fazem a cabeça dos índios sob as vistas complacentes, pasmem, de órgãos governamentais e políticos da situação com mandato na presente legislatura.
Não foi possível acompanhar o relatório do Ministro na íntegra.O que se pode auferir de ponderáveis trechos de sua explanação foi mais ou menos o seguinte: o iminente jurista teceu doutas e transcendentais considerações em torno da fraternidade que deve existir entre povos, governos, cidadãos, famílias, etc. Igual período de tempo consumiu para nos ensinar que cabe aos governantes, em todos os níveis, criar condições para que subsista, em quaisquer condições, a decantada fraternidade que ele crê com substância jurídica, lembrando que tal componente dos ideais da Revolução Francesa nunca foi institucionalizado, diferentemente da igualdade e da liberdade...
Mas era isto que a sociedade esperava do preclaro Ministro? A resposta fica uma tanto prejudicada.Porque? Ora, numa quadra de nossa história em que leis não são cumpridas, outras nem "emplacam" nos costumes, os criminosos de colarinho branco não ficam presos, a violência impera a despeito de aparatos policiais e imensos gastos governamentais sem resultados, poder-se-ia pensar em por em prática seu ilustre discurso, quase um repositório de boas intenções que tangenciam a ingenuidade?Ora, deveria o iminente magistrado conversar com os juízes que exercem seu mister no Rio de Janeiro e em tantos lugares onde o banditismo cria zonas liberadas e coisas piores.Não há nem haverá governos, polícias, ministérios públicos capazes de por em prática suas teorias.Enquanto isto Roraima espera agonizante.
Respeite-se seu voto propugnando pela demarcação contínua nas absurdas dimensões propostas pelo governo.Mas seu relatório ficaria melhor em uma hipotética festa de formatura em um curso de advocacia.Lá certamente receberia aplausos dos jovens ainda não calejados e infelicitados nas lides.Não encontraria a contradita-lo o Ministro Rezek ,do qual muitas vezes se valeu em seus estudos e pareceres.

domingo, 24 de agosto de 2008

A FUNAI E A FEDERAÇÃO

HÁ DIAS TOMEI CONHECIMENTO DE OPORTUNO ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO COM O TÍTULO ACIMA, ASSINADO POR DENIS ROSENFIELD, DANDO CONTA DE ATOS ADMINISTRATIVOS EXORBITANTES NA IDENTIFICAÇÃO E DEMARCAÇÃO DE RESERVAS INDÍGENAS COMO A RAPOSA SERRA DO SOL, EM RORAIMA, E OUTRA, AO SUL DE MATO GROSSO DO SUL.TRANSCREVO UM PEQUENO TRECHO:... "BASEADA NUMA PROFUSÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS, EDITADOS POR ELA MESMA, E FORA DE QUALQUER CONTROLE, A FUNAI, SOB O MANTO DA JUSTIÇA SOCIAL, DEIXOU TRANSPARECER SEU POUCO APREÇO PELO DIREITO DE PROPRIEDADE, E, ATRAVÉS DESTE, PELO ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL DO PAÍS...”.
PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS DE AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS SÃO PREVISTOS NA LEI MAIOR, MAS APLICÁVEIS APENAS A SITUAÇÕES ESPECÍFICAS QUE NÃO SE CONFRONTEM COM A LEI OU QUE POSSAM POR EM CHEQUE A HARMONIA ENTRE PODERES.FAZER LETRA MORTA DESTA VERDADE ÓBVIA É TENTATIVA DE SUICÍDIO, VERDADEIRO TIRO NO PRÓPRIO PÉ.
OUTROS COMENTÁRIOS SERIAM DESNECESSÁRIOS APÓS ESTA INTRODUÇÃO, MAS NÃO ME FURTO AO DEVER DE CONSCIÊNCIA DE ADVERTIR MEUS LEITORES, COM A ÊNFASE POSSÍVEL, PARA QUE NÃO SOBREVENHA NO FUTURO UM CAOS INSTITUCIONAL QUE A NINGUÉM INTERESSA.FORÇOSO É RECONHECER, NO CENÁRIO EM QUE VIVEMOS, QUE AS ESPERANÇAS DE CONTER TAIS DESVIOS SÃO TÊNUES, EMBORA OS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS A INGERÊNCIAS INDEVIDAS DE FUNCIONÁRIOS MOVIDOS POR RAZÕES IDEOLÓGICAS SEJAM GRITANTES.

NUMA QUADRA EM QUE O PODER LEGISLATIVO SE MOSTRA FRACO, TENDO MUITOS DE SEUS INTEGRANTES COMPROMETIDOS COM ESQUEMAS DE PODER OU COM O RABO PRESO, POUCO FALTARÁ PARA QUE BUROCRATAS DE CERTOS ÓRGÃOS DO EXECUTIVO FAÇAM LETRA MORTA DA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO, ABREVIANDO , POR TAL VIA DESASTROSA, O CAMINHO PARA A RUPTURA DO ORDENAMENTO JURÍDICO, NO QUAL SOBRELEVA O PACTO FEDERATIVO, BEM COMO O DESFALECIMENTO DAS INSTITUIÇÕES.
O GOVERNO, POR DEVER DE OFÍCIO, COMO FIADOR E GUARDIÃO DO ESTADO DE DIREITO, DEVERIA SE PREOCUPAR MUITO MAIS QUE QUALQUER MORTAL COM O REFERIDO PACTO E AS GRAVES CONSEQUÊNCIAS QUE PODERÃO ADVIR , EIS QUE VÁRIOS ESTADOS VEM SENDO E SERÃO AMPUTADOS DE CONSIDERÁVEIS PARTES DE SEUS TERRITÓRIOS.

USURPANDO UM PODER ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS DE OUTRO,NO CASO O SENADO, CONFIGURARIAM TAIS FATOS PORTAS ABERTAS PARA MUDANÇAS RADICAIS NO REGIME DEMOCRÁTICO? ENTENDO QUE A RESPOSTA PODE SER SIM, COM O ANDAR OU AS TROPELIAS DA CARRUAGEM.EVIDÊNCIAS PULULAM, SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER ...
ENQUANTO ISTO, OS TRIBUNAIS SUPERIORES SE ENREDAM EM QUESTÕES MENORES, EXCLUINDO-SE O EMBLEMÁTICO CASO DA RAPOSA DO SOL E UMA OU OUTRA DECISÃO ELEITORAL.O SENADO VIVE CRISE DE CREDIBILIDADE E PARECE ALHEIO A USURPAÇÃO DE SEUS PODERES.NADA NEM NINGUÉM COM REPRESENTATIVIDADE TÊM VONTADE POLÍTICA OU CACIFE PARA METER OS DEDOS NESTAS FERIDAS.

É BEM VERDADE QUE, EM FACE DE ANTIGAS DEFICIÊNCIAS EDUCACIONAIS, MILHÕES E MILHÕES VOTAM DECISIVAMENTE NO MISTER DE AVALIZAR UM SISTEMA ÚTIL ATÉ AQUI, MAS QUE NÃO COMPREENDEM E, CONSEQUENTEMENTE, NÃO PODEM APRIMORAR.EM INSTÂNCIAS ÚLTIMAS, O PREJUÍZO SERÁ DE TODOS, IMPOSSIBILITADA, QUEM SABE, A SADIA ALTERNÂNCIA NO PODER.
NÃO OBSTANTE, QUE SE ENCONTRAR ALGUMA FORMA DE DIZER NÃO AOS QUE INTENTAM AGORA SITUAR-SE NO CERNE DA DEMOCRACIA LANÇANDO MÃO DE INSTRUMENTOS PÚBLICOS, DE CUNHO PRETENSAMENTE SOCIAL, QUE PECAM DE MODO CAPITAL PELA BASE, EIS QUE EXTRAPOLAM LIMITES E DESAUTORIZAM LEIS EM VIGOR.NA QUESTÃO DAS RESERVAS INDÍGENAS TAIS ATOS TEM SIDO PRATICADOS SEM PARCIMÔNIA, APARENTANDO NORMALIDADE QUE NÃO TÊM ATÉ MESMO PARA PESSOAS ESCLARECIDAS, MULTIDÕES DESAVISADAS E, PASMEM, ORDENS ADVOCATÍCIAS.

EMBORA O SISTEMA POLÍTICO PERCA SUBSTÂNCIAS PURISTAS E IDEAIS REPUBLICANOS A CADA ELEIÇÃO, AINDA SE CRÊ QUE A SOCIEDADE POSSA DESENCADEAR UMA REAÇÃO DE ALCANCE NACIONAL A SER CONCRETIZADA PELA VIA POLÍTICA, APESAR DAS URNAS BOLSISTAS, INTEGRADA A INDISPENSÁVEIS MUTIRÕES DA JUSTIÇA.
TALVEZ, POR OBRA E GRAÇA DO ESCLARECIMENTO DIUTURNO E INCASÁVEL NAS ESCOLAS, NA MÍDIA, NA INTERNET OU NOS REDUTOS ONDE DOIS OU MUITOS SE REUNAM EM NOME DA VERDADEIRA DEMOCRACIA, POSSAM SER REVERTIDAS AS EXPECTATIVAS SOMBRIAS QUE SE DELINEIAM PRENUNCIANDO HORIZONTES INFELIZES, IDÉIAS SEPARATISTAS E LUTAS INTESTINAS QUE O BRASILEIRO COMUM NÃO DESEJA NEM MERECE.

terça-feira, 8 de julho de 2008

UMA PRAINHA EM VILA VELHA...

Ontem havia uma prainha aqui, uma nesga do passado
Mirando lendas ancestrais de Vila Velha.Um sigelo mar
Possível, crível, uma enseada mulher, de recatadas
Marolas, ventos suaves e doces trejeitos de abraçar,
Com horizontes sem presságios para se respirar.
Uma prainha violentada à sombra de castanheiras
E figueiras sobrenaturais trazidas de muito alem,
Em barcos antigos que vislumbrei sem ver e sem tocar.
Uma prainha da qual guardei o som, o marulhar,
E provei o sal colhendo budigões, pescando sardas, peroás.

Os antigos falavam de um ancoradouro desaparecido,
Um ícone feito de pedras negras e vontades férreas
Onde resplendia a vida deixada em terra firme,
Não nos escolhos para se sublimar, mas no aconchego do lar;
Não nos grotões do medo, mas nos momentos de alegria
Que efêmeros escorriam das moendas e alambiques;
Era a vila, em essência, um porto sem adeuses,
Ora burburinhando sagas, ora pachorrenta
Sob as vistas do paternal e ascético mosteiro.
Os pecados, o convento, se não consentia, perdoava
E só se alvoroçava nas jornadas em que aportavam
Os possessos a serem exorcizados em plena luz do dia.
E porque os demônios existiam, urros hediondos se ouviam
Ecoando na mata e nas casas devotas que espreitavam
Até que as legiões deixavam os umbrais e todos diziam
Que por força da fé e dos sagrados rituais não voltariam...


Mas voltaram...O convento recende ainda santidade,
Parece estar em paz, já não pratica vetustos exorcismos,
Mas visto de longe, tem agora álgido e cortante olhar
Divisando o mal que se esconde nos semblantes.
A prainha foi esquecida, restando o cimento, a dura certeza
De que muito mais se perdeu alem de vãs reminiscências.
A identidade soçobrou, dizem que por avoengas maldições...
Não é verdade, nada explica a malsã realidade, o que se vê,
Senão ambições e ódios ardendo ainda em muitas consciências.
Nos rochedos, incrustam-se desesperanças.Some a ave migrante
Do sonho.Muitos agora sobrenadam a verdade
Como peixes doentios mordiscando as praias imundas.
Até os impunes que se esconderam nas penumbras da lei
Sabem que o convento jamais esquecerá seus crimes.
Outros, arrogantes, ilusoriamente ainda triunfantes,
Martelam meias verdade e falácias nas musiquetas enganosas
Enquanto não chega o desfecho de não mais poderem sair às ruas
E fazer sexo mastigando siris azuis e guaiamus vermelhos
Límpidos de qualquer perversidade ou sujidade.
Seus nomes inscrever-se-ão nos claustros para a fogueira justa.
Por hora, não poderão ignorar o que salgado está na alma
E no olhar da efígie que vigia na penedia em nome das consciências
Assentada sobre ruínas invisíveis e crenças renitentes.
Os demônios da violência... Estes pululam no cotidiano. Existem sim,
Mas o convento vela por ti, Vila Velha, pelos isentos de culpa e por mim
Que mergulho em imagens fugidias e indignações tardias.

terça-feira, 10 de junho de 2008

ILAÇÕES, SUPOSIÇÕE OU FATOS:



Angelicalmente, surpreendentemente, Chaves procurou a mídia internacional para dizer que as FARC deveriam entregar as armas e abandonar a luta armada, acrescentando que tal postura já não poderia surtir efeitos depois de tantas transformações no mundo.Acrescentaríamos nós: este mundo que tende inelutavelmente para a Democracia, contra tudo e contra todos, mormente os políticos corruptos que dela se aproveitam e os que intentam usa-la como instrumento até no processo político eleitoral.Este é um primeiro fato.

Poder-se-ia tirar ilações, e como, e quantas...Ora, o grupo narcotraficante e terrorista vem sofrendo sucessivos revezes frente às tropas legais da Venezuela.Aqueles computadores recolhidos durante a ação vitoriosa do governo colombiano, quando morreu o segundo na hierarquia da facção, certamente têm informações muito mais contundentes do que presume nossa vã filosofia, com potencial explosivo para comprometer ou justiçar partidos e governantes sul-americanos em pleno exercício do poder de norte a sul, especialmente o aprendiz de ditador que dá as cartas em Caracas.Seria esta mera elocubração ou mais um fato?

A morte do “Tiro Fijo” foi a gota de água para transbordar o cálice, como gostava de dizer um compositor e poeta nacional parafraseando o Cristo como se fosse outro.Parece lícito supor-se que os narco-guerrilheiros, faltando-lhes lideranças e vontade de continuar a luta, talvez dinheiro e apoio logístico, com mais de quinhentos reféns doentes, desnutridos e martirizados a tirar-lhes a mobilidade, condição indispensável para qualquer guerrilha, podem ter enviado um emissário para Chaves com uma urgente mensagem.Qualquer coisa mais ou menos assim: Chefe, não dá mais.Pedimos guarida ao país amigo, o único que compreende nossa causa!Adentramos seu petrolífero território, combatentes que somos da libertação e, necessariamente, levaremos os reféns, nossa mais preciosa moeda de troca.Murmurarão alguns: invencionices...

E, provavelmente, os dirigentes narco-comunistas podem ter acrescentado: muitos destes nossos preciosos prisioneiros morrerão até o final das negociações.A propósito, desejamos continuar nossa luta em seu país, adotando inclusive a via eleitoral em uma primeira fase bolivariana, como o gramncismo vem fazendo neste lado do mundo com muito sucesso. O esperto coronel deve ter pensado: Caramba! Quero os reféns, como tenho dito há meses, para repatria-los e merecer grande prestígio internacional, mas não quero “La organizacion” aqui em meu país.Tiram-me os poderes em menos de cinco anos!Criam uma guerrilha em meus domínios...Vade retro! A saída está ao sul. Verdade ou mentira?

Agora fatos: Começou a aparecer insistentemente na mídia, com maior ênfase na internet, a hipótese do Lula (notem que não dizem o Brasil) receber aqui os reféns para liberta-los, nada acrescentando quanto a nefasta troupe de seqüestradores e bandidos que pode vir atrás com potencial de se espalhar nas favelas das grandes cidades, deixando a opção da selva pela via urbana, fortalecendo de muito a ingerência que já se faz notada no Rio de Janeiro e em alguns órgãos governamentais, como revela a imprensa. Nosso pais teria imenso e humanitário orgulho em receber os infelizes supliciados para conduzi-los a pátria, ao lar, mas os criminosos que podem vir na esteira, NÃO!

Ora, depois das concessões inexplicáveis em contenciosos na Bolívia e na Argentina, alem de outras que se esboçam no Paraguai, feitas pela diplomacia brasileira, afora as ingerências descabidas de Chaves criticando o Congresso e a Justiça do Brasil, este artigo tem até caráter preventivo (quase disse premonitório).São ilações, suposições ou fatos? A resposta é sua, leitor.Quem viver verá.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O NOTICIÁRIO

Estaria a mente do observador, de antemão declarado isento e sem filiação partidária, envenenada por tantas notícias sombrias?Por ironia, tais constatações estão superpostas a acontecimentos auspiciosos no momento em que o Brasil reencontra seu destino: de um lado, a economia parece livrar-se de carrascais plantados equivocadamente, antes, pelo próprio partido atualmente no poder; par e passo, o Estado exaure-se em contradições estarrecedoras, não ambulantes, como diria o primeiro mandatário, mas no mínimo sazonais, inegavelmente atreladas ao sistema político-eleitoral vigente.
O embrulho, que se agiganta, não parece depender, hoje, deste ou daquele pensamento teórico ou ideologia dominante, eis que todos se dizem de esquerda ou quase isto nas eleições.Talvez encontre fulcro, isto sim, no partido político vitorioso que no afã de conquistar o poder fez concessões descabidas a radicalismos e sectarismos que não se coadunam, de forma alguma, com a história deste grandioso país.
Vem a baila, então, o ordenamento jurídico do país.Vigora?A lei está acima das vontades e interesses individuais ou de grupos, facções, prepostos do poder e partidos políticos?A propriedade privada subsiste? O supremo interesse público tem sido preservado?A democracia almejada é isto que se vê no cotidiano, com a prevalência de esquemas escusos, corrupção desenfreada, violência campeando de norte a sul? O saneamento básico, a educação e a saúde vão bem, apesar da escorchante carga tributária?
Estas e muitas outras questões rondam as consciências, mas, forçoso é reconhecer, não terão qualquer importância nesta e nas próximas eleições enquanto as bolsas de cunho social, emergenciais, se entronizam no arbítrio de milhões de pobres e famélicos eleitores que bem as merecem, mas que lamentavelmente perderam a capacidade de discernimento quanto o futuro próprio, de seus descendentes e do próprio país.
Neste mês exacerbaram-se farpas entre representantes supremos dos poderes da República.O fato já não causa perplexidades em ninguém, muito menos aos contendores na arena aparentemente tranquila da decantada democracia brasileira.Mas o noticiário desta noite deveria tirar o sono de estadistas, se é que ainda exista algum desperto neste instante emblemático em que se delineia mais uma vez o caos institucional.
A televisão mostrou! De um lado, grupos sociais de inspiração petista, egressos dos tempos do vale tudo nas lutas pelo poder, bloqueando entradas dos canteiros de obras de uma grande hidroelétrica do PAC, indispensável aos desígnios governamentais, ou melhor, do PT no poder constitucional.A usina de energia mostra-se como um dos mais festejados rebentos do parto de crescimento idealizado por este mesmo PT e sua estrela maior nestes dias, a Dona Dilma, auto denominada mãe do controverso programa.Do outro lado das porteiras, nada mais, nada menos, que a Força Nacional de Segurança, criatura também do PT, armada até os dentes, emudecida, imobilizada, montando guarda e fazendo figuração.
No mais, obras paradas, tudo em absoluto silêncio governamental, ausência abismal dos políticos do PT e dos dirigentes do consócio empresarial.
Uma única voz, a de um infeliz mestre de obras, operário, cidadão, contribuinte, muito provavelmente pai de família distante do lar, trabalhando duro por si, pelos seus e pelo Brasil, talvez o responsável de plantão já que seu superior era mantido como refém, lamentava o marasmo, o prejuízo para a sociedade e, porque não dizer, clamando pela atenção dos poderosos quanto ao próprio medo de ser vitimado pelos festejados invasores.




domingo, 9 de março de 2008

A Guerra Que Não Houve

Sem novidades no Front sul americano, felizmente...Aos poucos os soldados perplexos voltam para casa e os presidentes envolvidos retomam suas agendas, nas quais, queiram ou não, está presente a cocaína, impregnadas também de gás e lambuzadas de petróleo.O mais fraco na encenação grotesca, aparente vítima, ainda pratica discursos inflamados, mas sabe que tudo é inútil.Parece compreender que meia dúzia de narco-guerrilheiros não justificariam um conflito envolvendo o Equador e seu admirável povo, apesar de ter sido realmente condenável a incursão em seu território posta em prática pela Colômbia.
Relações diplomáticas são restabelecidas timidamente nestes dias e não poderia ser de outra forma, por mais que um peru de fora, como se diz no Brasil, tentasse insuflar os ânimos.Os mandatários supremos, ainda ressentidos, parecem tomar juízo e retomar o diálogo, deixando de lado asnices, fanfarronices e desatinos bestiais.
Os episódio tem muitas vertentes, até históricas, mas enrosca-se inevitavelmente em fatos relativamente recentes, como estas Farc descambando para crimes hediondos como o sequestro, o assassinato político e a venda internacional de drogas.Configuraria estupidez inominável envolver todo o subcontinente para financia-las, dar-lhes guarida ou utiliza-las como massa de manobra para incomodar o gigante ao norte.Seria o mesmo que trocar sangue por um zumbido de mosca, envolvendo o Brasil e a Argentina, dois aliados ou cooptados de Chaves.
Este senhor, protagonista mais açodado no momento crucial, dito peru de fora, não agredido por enquanto, em vez de amenizar a fervura, pelo contrário, tudo fez para exacerba-la, fermentando apenas seus tresloucados e ambiciosos desideratos.A coisa poderia ter desdobramentos inimagináveis, eis que o referido personagem tem financiado campanhas eleitorais em outros países com dinheiro do petróleo, patrimonio do povo venezuelano.
Assemelha-se, o discípulo de Fidel, mal comparando, a verdadeiro estopim capaz de desestabilizar esta parte do planeta, eis que é também cliente contumaz no mercado internacional de armas e não demonstra apreço pelas instituições mais caras ao mundo livre.
Não tem contradições existenciais ambulantes, não tem "movimentos" aliados invadindo propriedades impunemente, não tem ONG criando reservas gigantescas em seus limites com o beneplácito dos poderes, não inventou mensalões para obter apoio político, não abusa de cartões corporativos, não paga indenizações a militantes das inúmeras facções de esquerda que atuaram na Venezuela, não tem fatias de seu território dominadas por bandidos e muito menos traficantes guerrilheiros, embora aceite em seus domínios as FARC oriundas da Colômbia, não tem oposição e sufoca a imprensa, não tem, apenas aparentemente, conflitos raciais importantes como estes que se esboçam, conduzidos de cima para baixo e que podem levar nosso país a um impasse.
Sobranceiro a tudo isto, quer apenas perpetuar-se no poder, se possível por mais tempo que seu guru de Cuba.O aparato bélico que vem engendrando, ele bem sabe, jamais preocupará seu desafeto poderoso, mas intimidará os democratas de seu pais e da América do Sul.
Nada de novo ao sul do Rio Grande...Longe deste obscuro escriba querer botar mais lenha na fogueira, mas seria ingenuidade pensar que a paz abandona as trincheiras neste momento graças a esforços diplomáticos deste ou daquele ator cucaracha.A cena aquieta-se por ora, não por ações de "A" ou "B", senão para evitar, para alguns, perdas maiores, eleitorais ou criminais, em futuro próximo.Ou, se nada disto for verdade, ao menos para merecer ainda algum respeito, improvável, da opinião pública mundial.Tratou-se de uma comédia de erros, envolvendo assuntos sérios como soberania, ao lado de projetos pessoais autoritários, ditatoriais, e terrorismo.
Encerro descrente como sempre.Esta trégua é suspeita.Não tenham dúvidas, meus caros amigos: muito mais coisas naqueles discos rígidos apreendidos do que possa imaginar nossa vã filosofia, de outra forma os aloprados do cenário tupiniquim não silenciariam.Tem muita gente com as barbas de molho por aqui.Precisamos saber.

segunda-feira, 3 de março de 2008

MEU NETO



Sempre imaginei que quando nascesse meu primeiro neto me visse obrigado a produzir obra de grande envergadura, monumental, diferente das amenidades que espalho ou de ocasionais polêmicas com desafetos ácidos que transitam dia e noite nesta ilusória comunidade virtual da qual participo com orgulho.
Nascido em um lar típico da classe média, o João Pedro completa uma semana.Recebo fotografias, muitas fotografias...Vejo-me incapaz de dizer mais do que a seguir se vê.Observo seu semblante, seu tipo, sua condição social... Observo-o demoradamente com atenção e emoção.Nos próximos dias quero toca-lo, quero abraça-lo com carinho no instante de vida em que os últimos remanescentes antigos de minha família desaparecem um após o outro.
Fixo-me em sua tez:é branco, apesar de sua avó materna mostrar traços inequívocos do sangue indígena que alicerçou um dos pilares de nossa nacionalidade.Seus ascendentes paternos remontam aos portugueses que vieram inventar o Brasil, talvez aos árabes que um dia dominaram a península ibérica, enfim toda esta gente que soube olhar muito alem dos horizontes imediatos, no espaço e no tempo, abrigando sentimentos e aspirações grandiosas como a saga de buscar o levante pelo poente.Mas tudo isto parece ser letra morta nos dias que correm.
No que me concerne, digo que o menino ascendeu, em relação a mim, um degrau na escala de mobilidade social.O mesmo fizera eu, quanto ao meu pobre pai, operário italiano que veio para o Brasil após a primeira guerra mundial.Minha tradição familiar remonta aos ‘Bergamaschi’, quanto ao linguajar, mas viveram meus antepassados no extremo norte da Itália.
A propósito, diria que a belíssima musica “Claire de lune”, de Debussy, é parte da imortal Suite Bergamaschi deste genial compositor francês que tanto inspirou Tom Jobim e outros músicos brasileiros.Posso fazer tais digressões, pois falo de minorias que jamais tiveram qualquer importância política nem lá, nem aqui, ou de constatações históricas mais do que óbvias.Longe de minhas intenções querer praticar nas entrelinhas quaisquer resquícios de racismos.Mas o menino é branco.Inelutavelmente branco e classe média.
Quer isto dizer, ou trazer a tona, uma preocupação.Parafraseando, não sei se devidamente, um desabafo do eminente jurista Ives Granda Martins em artigo recente publicado na imprensa, parece que os governantes e os legisladores, de uns tempos para cá, esqueceram os brancos, que são tratados desigualmente pelo simples fato de serem brancos.Acrescentaria apenas que esqueceram também a classe média, obrigada tão somente a pagar substancial parcela da conta no saco sem fundos onde se escondem o bem e o mal, mais o segundo que o primeiro.
Vá lá, João Pedro, vá estudar, produzir e pagar impostos.Saiba meu querido neto: ainda que participando de lutas políticas justas em prol da humanidade, jamais receberá estas indenizações pagas hoje a sectarios de uma ideologia em desuso no mundo, onus absurdo que recai brutalmente sobre o contribuinte brasileiro.
Você nunca será partícipe de quinhões do território repartidos entre poucos, sob inspiração e controle de ONG internacionais com sedes em países ricos da Europa e da América do Norte.
Você ficará de fora dessas bolsas que proliferam e de todas as benesses eleitorais.Você não será convidado para o botim dos cartões corporativos, mensalões, espetáculos de crescimento, o biodisel, o gás, as reservas de petróleo do pré-sal, o álcool, a farra do poder. Mas vai pagar a conta.Não tenha qualquer duvida...
Ah!Acabo de vislumbrar uns traços de indignação em seu semblante dorminhoco...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

QUEM TEM MEDO?

Alguns nomes magistralmente escolhidos para obras de grande expressividade do teatro e do cinema são recorrentes em meu pensamento por externarem violência, complexos, monstruosidades comportamentais, carências, culpas ou gritos políticos presos nas gargantas.Em um tempo de tantas aberrações poderiam estar adormecidos na memória.Mas não estão, voltam à baila recorrentemente.Coadunam-se com a realidade.
O mais contundente parece ser: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, isto é, eu e meu computador, mergulhados na asfixiante cena política.Resume o que sinto nesta noite destrambelhada, imunda, em que os contribuintes roncam ou estão todos mortos.O polvo de cinqüenta milhões de braços (não disse povo) também dorme passivo, sem pesadelos, no processo repetitivo que esconde sanguessugas, mensalões e agora festivos e imorais cartões corporativos utilizados em uma farra absurdamente desproporcional às agruras do cidadão comum.Espera o gigantesco molusco, suspirando, a próxima eleição...
De todos os fatos recentes, um se arvora em paradigma para se compreender a conjuntura.Esta inexplicável perda de dados estratégicos da mega empresa estatal poderosíssima que agora contabiliza também reservas gigantescas que poderão ranquear nosso país entre os oito maiores produtores do planeta.Por mais ingênuo que seja o leitor, não há de considerar o acontecimento uma ocorrência meramente policial, ainda que nos digam: Olha, temos as cópias, etc e tal.Acaso não pensaram em criptografar as informações estratégicas?Quem ou que concorrentes farão uso dos dados? A que preço para o país?
Vejo-me adolescente nas ruas e praças portando bandeirinhas e bradando com sinceridade nacionalista: O petróleo é nosso, viva a Petrobrás!Mais ou menos nesta época, lá pelos cinqüentas, passava um filme deprimente intitulado “Quem tem medo de Virginia Woolf” que me impressionou para o resto da vida.Virginia Woolf foi uma escritora que abalou as estruturas mentais na primeira metade do século XX, para o bem e para o mal.
Defendi até esta altura da vida teses intocáveis como o monopólio estatal do petróleo e o acatamento quase sagrado da Petrobrás como condutora da prerrogativa constitucional em proveito do Brasil e de sua sociedade.Já não sei se ainda penso assim.
Parafraseando o mencionado filme ao longo do qual muitos podres da família americana e de suas instituições mais prestigiosas na época vão aos pouco surgindo em atormentados diálogos após uma festa na qual dois casais abusam do álcool, perguntaria: quem tem medo da privatização da Petrobrás?
Como pode um acervo de dados estratégicos da reserva Tupi sumir assim sem mais nem menos, ainda mais transportados num container (!), com o grave risco de favorecimento dos concorrentes internacionais?Nestas circunstâncias já não parece ter muita importância saber quem ou que quadrilha praticou o crime.Importa, isto sim, quantificar as perdas para o Brasil e responsabilizar, refazer, remodelar, revolucionar as estruturas internas de uma empresa que não responde apenas aos seus funcionários ou acionistas, mas acima de tudo, aos mais altos interesses nacionais.Uma empresa tão poderosa que pode ter extrapolado todos os controles da sociedade, incorrendo em equívocos primários aqui e alhures.
Moro em uma cidade de porte médio onde tem uma ponte metálica terminada em 1905.A população esqueceu o nome do político que a inaugurou e a chama carinhosamente de “Ponte Velha”, considerando a estrutura férrea um dos símbolos da cidade, ultimamente expropriado por marqueteiros a serviço da administração municipal.Ah! Tem também um pequeno e romântico jornal com o mesmo nome...
Nesta senda de idéias, concluindo o desabafo, me vem à mente, por associação, o nome de outra peça de teatro famosa: “Panorama Visto da Ponte”.O enredo nada tem a ver com o que vou dizer, mas o título é sugestivo para o que vou fazer: sair pela noite, agora só, para esperar a manhã romper vista da ponte, antes que minha própria imagem desapareça na fuligem da Siderúrgica Votorantin que, para os que não sabem, está chegando célere.
Afora a resplendente paisagem de minha terra, enquanto possível, nada poderei ver de promissor nem descortinarei nenhuma esperança nos horizontes que abrigam o futuro.Este mesmo que está sendo gerado nesta noite suja, ainda ao alcance de nossas consciências entorpecidas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

TRÁGICAS EVIDÊNCIAS

(SOBRE O DESAPARECIMENTO DE UM EMPRESÁRIO)

Não se diga que as buscas para encontrar destroços do helicóptero desaparecido entre Angra dos Reis e São José dos Campos em 24 de janeiro cessaram em decorrência do clima de carnaval. Também não foi o mau tempo... As atividades para resgatar até mesmo despojos humanos do Engenheiro João Verdi de Carvalho Leite, fundador e Presidente da Avibras Aeroespacial e de sua esposa foram suspensas já a algum tempo por não restarem esperanças de encontrá-los com vida. Esta é uma óbvia e trágica constatação.Carente de informações oficiais, rendo-me as evidências e elevo meus pensamentos: Que Deus os tenha.

As diferentes mídias também silenciaram sobre o assunto antes do final de janeiro, fato que me conduziu naturalmente aos sites de pesquisa. O que lá encontrei não foi muito lisonjeiro para o proverbial espírito de tolerância e passividade do brasileiro comum.Por uma razão muito simples:penso,em face deste e de outros acontecimentos, que não é lícito a ninguem cogitar aprioristicamente de teorias conspiratórias como esta, só para citar um exemplo, que agora insufla ânimos dando conta de pretenso assassinato de Jango Goulart a mando de um governante.Até porque o acusador foi preso recentemente por ter cometido crimes diversos.

Longe de mim querer comparar Jango ao Engenheiro Verdi. Entendo que ambos cumpriram importantes papeis, para o bem ou para o mal, na trajetória singular que o pais vem percorrendo em busca da estabilidade política, de um lado, e o crescimento econômico, de outro.O primeiro fora ícone das esquerdas, alijado do poder pelos militares em 1964, tendo sido banido do país.O outro merecera bastante apreço destes mesmos militares e de milhares de trabalhadores por ter sido idealizador,na área empresarial civil, junto a outros, de um importante segmento da indústria voltado para a Defesa Nacional, setor este desprestigiado e deixado a mingua posteriormente por falta de visão de uns poucos ou, quem sabe, por equivocados desígnios políticos.Na segunda metade dos oitentas suas organizações se situavam no topo entre as maiores empresas de exportação.

O presumível passamento deste grande brasileiro, o Engenheiro Verdi, e de sua digníssima esposa, alem de pungente é também amargamente irônico. Na verdade, o empresário levantou vôo para a morte nas vésperas do embarque para a França e para a Rússia da comitiva governamental que se propunha a iniciar o soerguimento dos meios desta negligenciada Defesa Nacional, pela qual tanto labutou. Nos últimos anos tentava reconduzir a Avibras a um novo e expressivo lugar entre as empresas nacionais de exportação.

Fosse por legítimo interesse empresarial, participe de várias negociações com a Rússia por mais de dez anos em muitos projetos, ultimamente reavivados, fosse pelo fato de ser competentíssimo técnico detentor de tecnologias próprias, não poderia, a exemplo de outros empresários do ramo ainda atuantes, ser alijado de eventual participação na mencionada missão comercial, caso prevalecesse apenas o bom senso.Não é plausivel pensar que tal fato tenha ocorrido.

Trabalhei com ele durante um breve período. Não o vejo há quase vinte anos, mas fico pensando:Teria sido chamado as pressas para externar algum esclarecimento, opinião ou consultoria?Nunca se saberá.Confirmo apenas que era muito bom piloto, consciente de riscos, dominando variados tipos de aeronaves. Tinha plena consciência dos inúmeros acidentes aéreos que vitimam incautos ou afoitos naquelas rotas aéreas que demandam o Vale do Paraíba vindas do litoral, quando variam bruscamente as condições meteorológicas.Quem não se lembra da tragédia que vitimou o Dr. Ulisses, familiares e amigos?Parece que algo de muito importante moveu a roda do destino naquele fatídico entardecer fazendo-o viajar.

Ora, estas são meras suposições ou talvez exercícios de raciocínio por vias indiretas para ressaltar um fato que também acarretou inúmeras pequenas tragédias familiares decorrentes do desemprego, quando empresas de armamento fecharam as portas, alem de pesado ônus às forças armadas brasileiras, a seguir explicitado. Se nada de concreto resultar destas considerações, talvez sirvam de propósito para uma oração pelos mortos, alem de trazer às consciências um fato ocorrido no início dos noventas, trágico também, mas não tão evidente, que muito custou e custará ao nosso país:o deliberado esvaziamento da indústria nacional de meios de defesa, processo autofágico até hoje pouco transparente para a sociedade brasileira.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

BASTIDORES E CÚPULAS

A sociedade é levada a crer que os assuntos realmente importantes para o Governo são estes que se repetem diariamente na mídia.Pura e ingênua ilusão.Muitos agentes e prepostos do poder estão usando e abusando, no exercício de altos cargos, seus cartões corporativos como se fossem a cada mes um outro salario.Mais que isto, só conseguem pensar em eleições e na política do da cá, toma lá.Estão se lixando para gritas ocasionais...
Quando a imprensa fala de uma alta funcionária que desvirtua o uso dos referidos cartões, alguém lá de cima, nos altos escalões, competente nas artes da dissimulação, encontra rapidamente um derivativo que sempre se transforma em antídoto de primeira linha para críticas, ou serve como engodo para observadores desavisados:algo como o acionamento de dispositivos contemporizadores, aquele velho "vamos apurar até as últimas consequências, doa a quem doer, etc e tal".E não move uma palha , eis que quase todos os detentores do plástico dourado pago pelo contribuinte fazem o mesmo uso pouco ético da benesse.O despacho funcional repetitivo que deveria atender o reclamo da cidadania é qualquer coisa parecida como, ninguem sabe nada, ningúem viu nada, tudo recheado com declarações pomposas, carimbos e ofícios.
Agora se sabe que o cartão dourado foi largamente utilizado também como isca nos anzois para pescarias memoráveis de um órgão que nunca disse a que veio... E quando a imprensa largar os ossos, os fatos destituídos de ética, suspeitos ou delituosos vão desaguar em órgãos e tribunais quase sempre carentes de pessoal, meios ou poderes concretos para para investigar e entregar os eventuais infratores à justiça.
Nesta mesma senda tortuosa, quando se alardeia o uso de recursos públicos para beneficiar as ONG ligadas a políticos deste ou daquele partido, os aspones diligentemente sopram nos ouvidos dos chefes assentados nos píncaros da republica:aos costumes, silêncio,não engrossar o caldo, logo a imprensa esquece, vem ai eleição.A CPI, ora, a CPI...
Quando um tribunal, que seja o de contas, cria normas para disciplinar o repasse de recursos públicos às incontáveis ONG que proliferam e prosperam sem quaisquer controles, muitas vezes até sem endereços conhecidos, dinheiro este originário dos bolsos esfarrapados de exauridos contribuintes sem vez e sem voz no processo, o sujeito que tem a chave do cofre ou o oráculo do planejamento dizem que não houve tempo útil para aplicar as normas do órgão regulador.E, não mais que de repente, aumenta de 2 para 2,8 bilhões o repasse sabe-se la para quê ou para quem.Repasse é a designação eufemística do meu, do nosso parco dinheiro.
Enquanto isto, nos bastidores das estatais e empresas de serviços, nos segundos e terceiros escalões que deveriam ser essencialmente técnicos, travam-se outras lutas por cargos, influencia, prestigio, poder político, etc.Muitos dirão que isto sempre ocorreu e é fato natural, embora as eleições ainda estejam relativamente distantes no tempo, não nos apetites.E a coisa vai da valsa, nada de novo sob o sol, a sociedade tentando sobrevir nos limites da desesperança, amedrontada, engolindo como sempre pílulas sulfurosas e ingerindo sapos , cobras e lagartos.
A questão maior é saber até quando.Ora, se a fachada visível do governo, os ministérios, devem ou não ter, conforme o momento, conotações ideológicas, corporativas, franciscanas no pior sentido ou se o executivo precisa contemplar aliados insaciáveis que ainda ontem estavam na oposição e que agora adentram a nau chamada base aliada, estes fatos pouco interessam ao cidadão comum e muito menos àqueles que se beneficiam de bolsas ou do precário serviço de alguma ONG, indubitavelmente os mais produtivos instrumentos eleitorais até hoje postos em prática aqui.
Mas, o próximo grande passo histórico se dará quando o eleitor brasileiro, em todo o processo eleitoral, raciocinar como um consumidor em busca de melhores serviços, melhor qualidade de vida, conscientizando-se que votou em busca de dignidade, resultados, mudanças, perspectivas melhores para seus descendentes.Tendo real discernimento para escolher e exigir, para e passo compreenderá que também tem deveres. Então a moenda gira em sentido contrário.
Por ora, parece até, em um enfoque superficial, que não indignam a maioria dos eleitores problemas como a falta de segurança, a violência, a precariedade do atendimento de saúde, visivel nas triagens dos hospitais da rede pública, a inexistência de esgotos nas periferias, o analfabetismo dos mais velhos e a deficiência de escolas para os filhos, as doenças erradicadas voltando celeremente e ceifando vidas, os preços proibitivos do feijão, da carne e outros alimentos de primeira necessidade, as prateleiras vazias de remédios de uso contínuo...
Por enquanto é melhor para o país que assim continuem estes cinquenta milhões que se mostram comportados e não pensam em retaliações, luta armada, clandestinidades, enfim, chutar o balde.Ao Brasil, às famílias, aos jovens, às nossas crianças, às nossas esperanças de melhores dias não interessam alternativas extremistas e radicais para resolver impasses.Um dia todos comprenderemos que o voto é o único caminho para a redenção e saberemos usa-lo com com sabedoria.
Enquanto isto, a elite, a cúpula, faz por não merecer tal passividade.Em um exercício de inconsequências transfere os arranca-rabos de seus gabinetes para baixo, para as empresas estratégicas que mexem com o petróleo, o gás, a energia elétrica, querendo transforma-las em balcões políticos de troca de favores ou trincheiras de escaramuças entre os partidos políticos.
Lamentavelmente isto não é tudo.No campo minado da saúde, a palavra de ordem resume-se no alerta para o perigo da dupla vacinação contra a febre amarela.É verdade que as pessoas com deficiências imunológicas podem sofrer sérias consequências com tal prática, mas isto, por si só, não justificaria o empenho de todos os escalões, a começar pelo primeiro, em pautar a grande mídia somente com este problema.Seria uma finta para desviar a atenção quanto a possível falta de vacinas para as pessoas que pretendem viajar para as áreas de risco?A propósito:somente serão vacinados os que tenham as passagens em mãos?E os dez dias?Quais os critérios?
Felizmente deu uma refrescada no verão infernal e mesmo se não fosse por isto, a verdade é que não haveria, por enquanto, razão para se temer uma epidemia urbana da febre, mas, para qualquer lado que se olhe,parecem estes senhores estar brincado com a verdade.
Em respeito a cidadania, a farra dos cartões precisa ser contida.Apesar da dengue , da tuberculose e das pungentes filas nos hospitais, ainda que exorcisando o fantasma amarílico, desnecessário seria explicitar o que poderia acontecer na cabeça do proverbialmente pacífico povão se ocorresse outro apagão decorrente da falta de chuvas, se o transporte subvencionado se tornasse caótico pelo preços dos combustíveis, se não acendessem nos fornos das empresas, nas termoelétricas ou nos lares as chamas do gás para gerar empregos, manter a vida em seu curso normal ou tornar mais palatáveis tantos e tão recorrentes ossos duros de roer, enfim, se faltasse o alimento, a televisão, a novela, a notícia...Se a festa emblemática às avessas dos cartões corporativos continuar impune, logo alguém la de cima vai mandar o povo comer brioches.Aí pode ser que a história se repita.

sábado, 26 de janeiro de 2008

A História E As Idéias

Amigos, amigas,
Eis abaixo uma sequência de ideias e mensagens que poderão, de algum modo, ser de utilidade para que entendamos melhor o momento presente.Não, evidentemente, quanto aos despretensiosos comentários que faço, pois outros méritos não tenho senão a necessidade de cultuar a cidadania.Tal paradigma, pressuposto fundamental da democracia, prezo infinitamente mais que os sectarismos e despropósitos políticos em voga que afrontam a razão, a ética e mais que tudo, a esperança.
O mote neste caso foi a febre amarela, flagelo que no passado ceifou milhares de vidas em diferentes conjunturas de nosso país, até o advento de um Oswaldo Cruz e outros sanitaristas, hoje um tanto esquecidos.Tudo começou com um artigo enviado desinteressadamente por um jovem amigo virtual, cultor da história.Quanta falta faz hoje o conhecimento da história, não somente para o ser comum, mas sobretudo para nossos dirigentes e políticos em geral!Claro:bem sei que esta é outra história.
O texto em torno do qual são feitos comentários diversos é da lavra de um ilustre médico,o Dr Adib Jatene, que alem de incontáveis serviços prestados a ciência, ocupou altos cargos em governos passados.Só que tendo adentrado terreno que não era seu, o político,cometeu grave equívoco que acabou tomando a forma de torniquete, ou garrote, como queiram, sacrificando enormemente o desenvolvimento nacional por quase uma década:é considerado o "pai' da extinta CPMF.
Mas, notem bem:a pessoa que enviou parte da matéria transita nas lides da história.Este fato foi, não diria necessário, mas suficiente para que eu me sentisse motivado a opinar, debater, terçar ideias.É isto que hoje falta aos brasileiros:conhecimento da própria história e uso dos ensinamentos que traz para que a compreensão dos fatos e descortino do futuro.Ao menos para que possamos votar conscientemente e clamar por justiça...
E sabem vocês onde fomos parar nesta "brincadeira" benfazeja na internet?Nada mais, nada menos, que no escritório ou nas pregações doutas do Dr Ives Gandra Martins! Duvidam?Consultem os sites e links sugeridos abaixo!
Se mais não posso fazer, indico-lhes, com este exemplo, o uso da internet para o debate sadio e a troca de ideias entre pessoas inteligentes e destituídas de ambições políticas escusas.Recomendo-lhes, sim, a internet, sem sombras de exageros, para a redenção de um sonho que começou muito antes, quando ainda sequer tínhamos os fundamentos do Estado.E, não nos esqueçamos:estudemos a História maiúscula do Brasil!Veremos todos que apesar dos pesares, já fomos melhores do que hoje somos.

http://campus.fortunecity.com/clemson/493/jus/m03-009.htm

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

FEBRE AMARELA E CPMF
(Comentários)

Por favor, leiam com a máxima atenção o utilíssimo artigo a seguir e, se tiverem paciência, os comentários apresentados ao longo dos textos:


Febre amarela ADIB D. JATENE
A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz a disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade
NO PERÍODO em que estive à frente do Ministério da Saúde, tomei conhecimento da importância da relação entre dengue e febre amarela silvestre e o eventual risco da reurbanização desta última. Desde 1942, não ocorreu nenhum caso de febre amarela urbana. Entretanto, persiste, e é impossível eliminar, sua forma silvestre. É por essa razão que o Ministério da Saúde vem vacinando sistematicamente toda a população das áreas de risco, onde há ocorrência de casos humanos, adquiridos sempre nas áreas de mata. Já vacinamos, nos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de pessoas. Nas matas, existe alta concentração de mosquito transmissor e animais, principalmente macacos, portadores do vírus. Daí o risco de pessoas não vacinadas incursionarem em regiões com alta concentração de mosquito, onde alguns estão contaminados e, por isso, são capazes de transmitir a doença. Assinale-se que, nos últimos 12 anos, tivemos 349 casos confirmados, com 161 óbitos, todos adquiridos por pessoas não vacinadas que freqüentaram áreas de mata. A incidência desses casos variou de ano a ano. Tivemos anos com apenas três casos, enquanto em outros, como 1999, 2000 e 2003, ocorreram, respectivamente, 76, 85 e 64 casos, com mortes de 29, 40 e 23 pacientes. Por que com essas três centenas e meia de casos, em doze anos, não tivemos transmissão urbana, já que, nas cidades, existe o Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela? As razões são três: em primeiro lugar, o número de doentes com febre amarela silvestre no mesmo espaço urbano e ao mesmo tempo é muito pequeno, o que reduz significativamente a chance de infectar o mosquito Aedes aegypti; em segundo lugar, é preciso alta concentração de mosquito, ao redor de 40% de infestação, o que corresponde a 40 habitações em cada 100 com a presença do mosquito, segundo a OMS, para que seja possível a transmissão da febre amarela; e em terceiro lugar, porque temos altos índices de cobertura vacinal na área endêmica, portanto, sem susceptíveis em número suficiente para sustentar uma transmissão. A concentração do Aedes aegypti nas cidades brasileiras onde ocorre a dengue não ultrapassa, em média, 5 domicílios infestados em cada 100, suficiente para transmitir a dengue devido ao número alto de doentes, mas absolutamente insuficiente para transmitir a febre amarela urbana. Os que retornam às cidades afetados pela febre amarela silvestre são hospitalizados e têm desenlace, seja para cura, seja para óbito, em prazo relativamente curto. Não há, portanto, nenhuma razão para vacinar as pessoas que não residem em área endêmica nem pretendem adentrar a mata dessas áreas. Vi na televisão pessoas que sempre residiram na cidade de São Paulo e que não pretendem viajar desesperadas, em filas para se vacinarem, alegando que tinham direito. Certamente não tinham necessidade e se expõem aos efeitos adversos de uma vacina com vírus vivo. Nos últimos quatro anos, foram registrados pelo sistema de informação de efeitos adversos pós-vacinação 478 casos (muito mais que os 349 casos de febre amarela registrados em 12 anos), desde reações simples até exantemas generalizados, febre alta e, em dois casos, meningite. Em relação à vacina contra a febre amarela, a Fiocruz é, praticamente, a única produtora em todo o mundo. Há só um outro laboratório privado no exterior, produzindo cerca de 5 milhões de doses por ano, enquanto a produção da Fiocruz é o dobro. A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz sua disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade. Diante da imunização da quase totalidade da população de áreas de risco, o que vem sendo feita há décadas, as recomendações do Ministério da Saúde são suficientes, ratificadas por especialistas e pela própria OMS, para garantir que o país não corre risco de reintrodução de febre amarela urbana, o que seria catastrófico. Em um país em que freqüentemente se busca desmoralizar iniciativas governamentais, disseminando desconfiança na palavra oficial, que se preserve a seriedade com que são tratados assuntos como a febre amarela. Nunca é demais ressaltar a luta por recursos para o setor, seriamente afetada pela decisão -inegavelmente democrática, mas, sem dúvida, perversa-que permitiu retirar R$ 40 bilhões destinados a atender a população de baixa renda e entregá-los a empresas e parcelas da população mais bem aquinhoadas, causando sério risco ao esquema financeiro para o setor.
ADIB D. JATENE , 78, cardiologista, é professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e diretor-geral do Hospital do Coração. Foi ministro da Saúde (governos Collor e FHC), secretário da Saúde do Estado de São Paulo (governo Maluf) e diretor do INCOR.--------------------------------------------------------------------- Folha de São Paulo (22/01/08) http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2201200808.htm


Com respeito e apreço, ousei tecer alguns comentários sobre este artigo:

O dr Adib, um dos maiores médicos brasileiros da segunda metade do século XX, professor emérito da USP, foi cirurgião cardiologista de inegável prestígio internacional.Seu artigo é da maior importância para esclarecer dúvidas, mormente de autoridades desavisadas e acalmar aqueles da população que lêem jornais, contribuindo para evitar a desaconselhável prática da dupla vacinação.
Mostra-se bastante tranqüilo o eminente doutor no caso da recidiva da febre amarela urbana, mas uma pergunta não seria nem inoportuna, nem reprovável, assim creio: caso fosse epidemiologista estaria tão confiante assim, ainda mais se levasse em conta todos os aspectos de omissões governamentais presentes e passadas quanto ao Aedes, evidentemente não de sua responsabilidade, mas de muitos? A dengue vem batendo sucessivos recordes.
Sob o ponto de vista político, ele foi um excelente ministro da saúde, mas é recorrentemente recordado como o mentor da CPMF.Certamente propôs o imposto - alguns insistem em negar tal designação preferindo o eufemismo "contribuição” - por idealismo e humanitarismo, alem de doce (amarga?) ingenuidade, eis que logo sua criatura contributiva foi desvirtuada, prestando-se mais para manobras eleitoreiras e outras piores coisas.


Enviei pela internet os comentários acima para um amigo, o engenheiro José Eduardo de Oliveira Bruno, historiador e membro de diversas academias de história em São Paulo e do Brasil.Ele prontamente remeteu a matéria a seguir, de novembro de 2007, quando ainda acesos estavam os debates em torno do famigerado imposto.Leiam, é muito interessante:



----- Original Message -----
From: J. E. O. BRUNO
To:
Sent: Tuesday, January 22, 2008 6:24 PM
Subject: RE: Jatene e a CPMF

Jatene e a CPMF
Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, "pai" da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: "No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda".Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: "Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!". E Jatene: "Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais". Skaf continua: "A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?". E Jatene: "Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões". Skaf diz: "A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF". "É que a CPMF não dá para sonegar!", diz Jatene.


http://votolula.blogspot.com/2007/11/jatene-e-cpmf.html


Ora vejam só o que faz a política! O Doutor Jatene, antigo aliado do Maluf, de dedo em riste na FIESP! Só o PT para conseguir tal coisa!Não pude deixar de elocubrar, com respeito, os comentários que se seguem:

Sempre concordei que a riqueza e as heranças deveriam ser taxadas, mas nunca aceitei subterfúgios para o aumento da carga tributária incidindo sobre a população mais desfavorecida.Quanto à identificação de sonegadores, propalada virtude do extinto gravame tributário, a imprensa tem noticiado que outras taxações estão em gestação nas hostes petistas para identificar as pessoas que não cumprem suas obrigações fiscais, embora os tribunais, ainda não provocados, emitam sinais audíveis esquentando, a propósito do carnaval, os tambores e tamborins das inconstitucionalidades.Tributar sim, “pero” com sensibilidade e justiça.
Quando se deu o aludido arranca rabo, o doutor Adib, na ocasião politicamente menos ingênuo, ou menos deslumbrado, mas muito mais pragmático, já estava devidamente cooptado para voltar ao Ministério da Saúde.Sem a CPMF, achava que nada mais poderia fazer e pegaria o boné.
Agora, “aqui para nos”, como gosta de dizer um comentarista: em termos de aceitação da sociedade, diria que o notório diálogo se deu em momento errado e, do lado da classe média e dos milhões de assalariados brasileiros, no lugar errado, tendo como pretenso “representante" o sujeito errado.
O Senhor Skaf pode ser tudo alem de empresário competente, mas não seria jamais o campeão indicado para defender aqueles brasileiros pobres, na imensa maioria, que arcaram durante anos, indevidamente, com um imposto em cascata, com prejuízo das compras, da comida e do lazer familiar.Um complemento perverso, isto sim, para tapar os buracos pouco virtuosos de um orçamento viciado em festivais de gastos muitas vezes suspeitos, um queijo furado e malcheiroso permeado por uma das mais insaciáveis cargas tributárias do planeta, com a tendência asfixiante de sempre aumentar.
Ironicamente, o paradoxal PT no poder estava defendendo tese contrária ao seu ideário, a mais equivocada de todas as posturas naquela comédia de erros encenada a contragosto na FIESP.
Note-se, de passagem, que lá ao Norte, uma das primeiras medidas do Presidente Bush para tentar contornar a crise foi diminuir imposto.Aqui, ao contrario, em face de conjunturas internacionais adversas como esta que se delineia e por força dos costumes, imposto sempre fará falta, no caso nem tanto para a saúde, mas para os projetos ditos sociais (também para o PAC? Também para ganhar eleições?).Muito mais depressa do que imaginam os incautos, a CPMF terá um substituto a altura dos 30 ou 40 bilhões erroneamente tidos como perdidos.Mantida a tradicão, logo será substituído por outro, a conferir.
Com ou sem crise, com ou sem PAC, continuo ainda pensando que a supressão da CPMF bem poderia incentivar o consumo de alimentos e bens, permitindo maiores investimentos por parte das empresas.Isto se não surgissem novas ganâncias fiscais.
Em um quadro de real crescimento econômico, ninguém, nem o governo, nem o Doutor Jatene sentiriam saudades deste tributo vindo da era FHC.Afinal, pouco foi aplicado na saúde.Em contrapartida, se houvesse boa vontade e menos desvios, menos corrupção, a saúde seria beneficiada, isto sim, com o refrigério, a colher de chá dada aos brasileiros das classes invariavelmente alijadas de um consumo merecido, sem favor algum a altura de suas necessidades e aspirações.
Resta vigiar, esperar e confiar na crescente conscientização de significativa parcela da sociedade que tem se mostrado cada vez mais vigilante, na esteira de uma imprensa verdadeiramente democrática.Ai é outra história.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A propósito de artigo de Dr Drausio Varella, publicado na Folha de São Paulo, intitulado CIDADE MARAVILHOSA:
É, Dr Drauzio, li seu artigo, abaixo transcrito...Primoroso artigo, mas o senhor apresentou uma única alternativa realmente revestida de mérito factível-O incentivo inteligente às medidas de contenção da explosão populacional, eufemisticamente chamado de planejamento familiar- que aliás não é ideia exclusivamente sua e já foi aplicada em uma outras grandes cidades, em especial Nova Yorque, com resultados bastante positivos.
Mas aqui, doutor, a hipocrisia intelectual de muitos, e mais que isto, a hipocrisia político-social da maioria, campeiam e voam nas asas de inconcebível influência medieval de algumas instituições e organizações, felizmente não todas, que teriam o dever ético de ajudar a encontrar soluções.Não querendo fazê-lo, configurando algo parecido com um modelo equivocado e até perverso, tais entidades representativas da sociedade atuam muitas vezes em sentido contrário àquilo que seria razoável e enfraquecem, dificultam, obstaculizam quaisquer tentativas sérias para atenuar as consequências funestas do desemprego, da fome, do tráfico e por extensão, da violência que tanto infelicita o Rio e outras cidades brasileiras.
Lamentavelmente, permeando tudo isto, parece estar o processo político-eleitoral vigente...O prestigioso médico já se deu conta de que um nascimento a menos aqui ou ali pode representar um voto a menos lá na frente, naquele futuro sem esperanças que nos aguarda a todos?Os seres envenenados pela ambição política vão querer isto?


A Seguir, o artigo:

Não fosse a violência, doença contagiosa, haveria no mundo lugar com mais atrativos?
O RIO de Janeiro continua um cenário de encantos mil, mas está distante da cidade maravilhosa.Semana passada gravei um programa de TV em locações que me obrigaram a circular entre casarões coloniais e becos do início do século passado ainda preservados na região central. Nos espaços entre eles, a visão das montanhas.O sol não deu um minuto de trégua; parecia um crematório. Gravamos até as sete da noite, sem parar sequer para um lanche.Eu tinha acordado às cinco da manhã, em São Paulo. Quando entrei no carro que me levaria de volta para o aeroporto, estava alquebrado, com fome, sede e com a sensação pegajosa de que haviam derramado um galão de cola em meu corpo.Na frente do cemitério São João Baptista, em Botafogo, o trânsito ficou congestionado. Em contraposição à impaciência do motorista carioca, enfrentei a adversidade com resignação paulistana.Em dado momento, ouvi um batuque que vinha do fim da rua. Quando nos aproximamos, pude ver que se originava de um botequim abarrotado de mulatos, negros e brancos que pulavam e batiam nos surdos e tamborins com a energia do herói que cumpre a derradeira missão da existência. Mulheres de calça agarrada e ombros de fora cantavam com os braços para cima e requebravam na calçada.A alegria emanada do bar deu um coice em meu mau humor. Tive ímpeto de descer do carro, pedir uma cerveja, um sanduíche rico em colesterol e chegar perto na folia. A tentação foi tão forte que cheguei a levar a mão à maçaneta da porta, mas fraquejei.Se arrependimento matasse, o autor desta coluna teria ido a óbito dentro do avião, durante as horas de espera até que o aeroporto de Congonhas, fechado pelo mau tempo, autorizasse a partida.Que cidade o Rio de Janeiro!Como pode chegar ao estado de guerra civil em que vive hoje? É inacreditável como aceitamos que nossa cidade-símbolo fosse empobrecida e humilhada, sem esboçarmos qualquer reação coletiva que não seja a de aplaudir invasões de favelas.Quando falamos do Brasil no exterior, os estrangeiros dizem: "Oh! Brazil, Pelé, café" e, invariavelmente, "Rio de Janeiro". O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar são cartões postais tão reconhecidos como a Torre Eiffel, o Big Ben, o Coliseu ou as pirâmides do Egito.Quantos milhões de dólares um país precisaria investir em publicidade para tornar uma de suas praias tão famosa como Copacabana ou Ipanema?Não fosse a violência, doença contagiosa, haveria no mundo lugar com mais atrativos? Que fortuna o país amealharia com a invasão dos que sonham em conhecê-la?Não é possível que nada possa ser feito para retirá-la da situação em que se encontra. É vergonhoso saber que o tráfico arregimenta menores em regime de trabalho anterior à lei Áurea, por salários de setecentos reais sem que sejamos capazes de oferecer-lhes opção mais digna.Qual a solução?Não sei. Mas, deve haver alguma; ou muitas, desde que exista vontade política.Por exemplo, oferecer incentivos fiscais tão generosos quanto sejam necessários, para que empresas ávidas de mão-de-obra se interessem em montar unidades nas áreas pobres. Criar programas federais, estaduais e municipais para investir em infra-estrutura e treinamento de pessoal. Moralizar a polícia, mas dar atenção especial ao ensino, aos postos de saúde e, mais que tudo, levar o planejamento familiar aos mais pobres.Porque, convenhamos, com esse número absurdo de adolescentes dando à luz filhos que não terão condições de educar, de onde virão os recursos para tantas escolas, hospitais, moradias e cadeias para os mal comportados?Tenho consciência, leitor, de que o desabafo acima pode parecer quixotesco, mas não consigo me conformar que um país no qual o cidadão é obrigado a recolher impostos abusivos como o nosso, seja condenado a assistir passivamente à sua ex-capital cair nas garras da bandidagem.Berlim, Hiroshima e outras cidades que os bombardeios transformaram em entulho foram reconstruídas em poucos anos. Hoje é possível andar com segurança em ruas no passado perigosas como as de Nova York ou Chicago. Por que não surge um programa ou sequer uma idéia decente para reduzir a violência urbana entre nós?O Rio é nossa cidade mais conhecida. Ela é como a bandeira brasileira, um símbolo ligado à identidade do país. O drama que a aflige não é problema exclusivo dos cariocas, diz respeito a todos nós e exige mobilização nacional.