segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

BASTIDORES E CÚPULAS

A sociedade é levada a crer que os assuntos realmente importantes para o Governo são estes que se repetem diariamente na mídia.Pura e ingênua ilusão.Muitos agentes e prepostos do poder estão usando e abusando, no exercício de altos cargos, seus cartões corporativos como se fossem a cada mes um outro salario.Mais que isto, só conseguem pensar em eleições e na política do da cá, toma lá.Estão se lixando para gritas ocasionais...
Quando a imprensa fala de uma alta funcionária que desvirtua o uso dos referidos cartões, alguém lá de cima, nos altos escalões, competente nas artes da dissimulação, encontra rapidamente um derivativo que sempre se transforma em antídoto de primeira linha para críticas, ou serve como engodo para observadores desavisados:algo como o acionamento de dispositivos contemporizadores, aquele velho "vamos apurar até as últimas consequências, doa a quem doer, etc e tal".E não move uma palha , eis que quase todos os detentores do plástico dourado pago pelo contribuinte fazem o mesmo uso pouco ético da benesse.O despacho funcional repetitivo que deveria atender o reclamo da cidadania é qualquer coisa parecida como, ninguem sabe nada, ningúem viu nada, tudo recheado com declarações pomposas, carimbos e ofícios.
Agora se sabe que o cartão dourado foi largamente utilizado também como isca nos anzois para pescarias memoráveis de um órgão que nunca disse a que veio... E quando a imprensa largar os ossos, os fatos destituídos de ética, suspeitos ou delituosos vão desaguar em órgãos e tribunais quase sempre carentes de pessoal, meios ou poderes concretos para para investigar e entregar os eventuais infratores à justiça.
Nesta mesma senda tortuosa, quando se alardeia o uso de recursos públicos para beneficiar as ONG ligadas a políticos deste ou daquele partido, os aspones diligentemente sopram nos ouvidos dos chefes assentados nos píncaros da republica:aos costumes, silêncio,não engrossar o caldo, logo a imprensa esquece, vem ai eleição.A CPI, ora, a CPI...
Quando um tribunal, que seja o de contas, cria normas para disciplinar o repasse de recursos públicos às incontáveis ONG que proliferam e prosperam sem quaisquer controles, muitas vezes até sem endereços conhecidos, dinheiro este originário dos bolsos esfarrapados de exauridos contribuintes sem vez e sem voz no processo, o sujeito que tem a chave do cofre ou o oráculo do planejamento dizem que não houve tempo útil para aplicar as normas do órgão regulador.E, não mais que de repente, aumenta de 2 para 2,8 bilhões o repasse sabe-se la para quê ou para quem.Repasse é a designação eufemística do meu, do nosso parco dinheiro.
Enquanto isto, nos bastidores das estatais e empresas de serviços, nos segundos e terceiros escalões que deveriam ser essencialmente técnicos, travam-se outras lutas por cargos, influencia, prestigio, poder político, etc.Muitos dirão que isto sempre ocorreu e é fato natural, embora as eleições ainda estejam relativamente distantes no tempo, não nos apetites.E a coisa vai da valsa, nada de novo sob o sol, a sociedade tentando sobrevir nos limites da desesperança, amedrontada, engolindo como sempre pílulas sulfurosas e ingerindo sapos , cobras e lagartos.
A questão maior é saber até quando.Ora, se a fachada visível do governo, os ministérios, devem ou não ter, conforme o momento, conotações ideológicas, corporativas, franciscanas no pior sentido ou se o executivo precisa contemplar aliados insaciáveis que ainda ontem estavam na oposição e que agora adentram a nau chamada base aliada, estes fatos pouco interessam ao cidadão comum e muito menos àqueles que se beneficiam de bolsas ou do precário serviço de alguma ONG, indubitavelmente os mais produtivos instrumentos eleitorais até hoje postos em prática aqui.
Mas, o próximo grande passo histórico se dará quando o eleitor brasileiro, em todo o processo eleitoral, raciocinar como um consumidor em busca de melhores serviços, melhor qualidade de vida, conscientizando-se que votou em busca de dignidade, resultados, mudanças, perspectivas melhores para seus descendentes.Tendo real discernimento para escolher e exigir, para e passo compreenderá que também tem deveres. Então a moenda gira em sentido contrário.
Por ora, parece até, em um enfoque superficial, que não indignam a maioria dos eleitores problemas como a falta de segurança, a violência, a precariedade do atendimento de saúde, visivel nas triagens dos hospitais da rede pública, a inexistência de esgotos nas periferias, o analfabetismo dos mais velhos e a deficiência de escolas para os filhos, as doenças erradicadas voltando celeremente e ceifando vidas, os preços proibitivos do feijão, da carne e outros alimentos de primeira necessidade, as prateleiras vazias de remédios de uso contínuo...
Por enquanto é melhor para o país que assim continuem estes cinquenta milhões que se mostram comportados e não pensam em retaliações, luta armada, clandestinidades, enfim, chutar o balde.Ao Brasil, às famílias, aos jovens, às nossas crianças, às nossas esperanças de melhores dias não interessam alternativas extremistas e radicais para resolver impasses.Um dia todos comprenderemos que o voto é o único caminho para a redenção e saberemos usa-lo com com sabedoria.
Enquanto isto, a elite, a cúpula, faz por não merecer tal passividade.Em um exercício de inconsequências transfere os arranca-rabos de seus gabinetes para baixo, para as empresas estratégicas que mexem com o petróleo, o gás, a energia elétrica, querendo transforma-las em balcões políticos de troca de favores ou trincheiras de escaramuças entre os partidos políticos.
Lamentavelmente isto não é tudo.No campo minado da saúde, a palavra de ordem resume-se no alerta para o perigo da dupla vacinação contra a febre amarela.É verdade que as pessoas com deficiências imunológicas podem sofrer sérias consequências com tal prática, mas isto, por si só, não justificaria o empenho de todos os escalões, a começar pelo primeiro, em pautar a grande mídia somente com este problema.Seria uma finta para desviar a atenção quanto a possível falta de vacinas para as pessoas que pretendem viajar para as áreas de risco?A propósito:somente serão vacinados os que tenham as passagens em mãos?E os dez dias?Quais os critérios?
Felizmente deu uma refrescada no verão infernal e mesmo se não fosse por isto, a verdade é que não haveria, por enquanto, razão para se temer uma epidemia urbana da febre, mas, para qualquer lado que se olhe,parecem estes senhores estar brincado com a verdade.
Em respeito a cidadania, a farra dos cartões precisa ser contida.Apesar da dengue , da tuberculose e das pungentes filas nos hospitais, ainda que exorcisando o fantasma amarílico, desnecessário seria explicitar o que poderia acontecer na cabeça do proverbialmente pacífico povão se ocorresse outro apagão decorrente da falta de chuvas, se o transporte subvencionado se tornasse caótico pelo preços dos combustíveis, se não acendessem nos fornos das empresas, nas termoelétricas ou nos lares as chamas do gás para gerar empregos, manter a vida em seu curso normal ou tornar mais palatáveis tantos e tão recorrentes ossos duros de roer, enfim, se faltasse o alimento, a televisão, a novela, a notícia...Se a festa emblemática às avessas dos cartões corporativos continuar impune, logo alguém la de cima vai mandar o povo comer brioches.Aí pode ser que a história se repita.

sábado, 26 de janeiro de 2008

A História E As Idéias

Amigos, amigas,
Eis abaixo uma sequência de ideias e mensagens que poderão, de algum modo, ser de utilidade para que entendamos melhor o momento presente.Não, evidentemente, quanto aos despretensiosos comentários que faço, pois outros méritos não tenho senão a necessidade de cultuar a cidadania.Tal paradigma, pressuposto fundamental da democracia, prezo infinitamente mais que os sectarismos e despropósitos políticos em voga que afrontam a razão, a ética e mais que tudo, a esperança.
O mote neste caso foi a febre amarela, flagelo que no passado ceifou milhares de vidas em diferentes conjunturas de nosso país, até o advento de um Oswaldo Cruz e outros sanitaristas, hoje um tanto esquecidos.Tudo começou com um artigo enviado desinteressadamente por um jovem amigo virtual, cultor da história.Quanta falta faz hoje o conhecimento da história, não somente para o ser comum, mas sobretudo para nossos dirigentes e políticos em geral!Claro:bem sei que esta é outra história.
O texto em torno do qual são feitos comentários diversos é da lavra de um ilustre médico,o Dr Adib Jatene, que alem de incontáveis serviços prestados a ciência, ocupou altos cargos em governos passados.Só que tendo adentrado terreno que não era seu, o político,cometeu grave equívoco que acabou tomando a forma de torniquete, ou garrote, como queiram, sacrificando enormemente o desenvolvimento nacional por quase uma década:é considerado o "pai' da extinta CPMF.
Mas, notem bem:a pessoa que enviou parte da matéria transita nas lides da história.Este fato foi, não diria necessário, mas suficiente para que eu me sentisse motivado a opinar, debater, terçar ideias.É isto que hoje falta aos brasileiros:conhecimento da própria história e uso dos ensinamentos que traz para que a compreensão dos fatos e descortino do futuro.Ao menos para que possamos votar conscientemente e clamar por justiça...
E sabem vocês onde fomos parar nesta "brincadeira" benfazeja na internet?Nada mais, nada menos, que no escritório ou nas pregações doutas do Dr Ives Gandra Martins! Duvidam?Consultem os sites e links sugeridos abaixo!
Se mais não posso fazer, indico-lhes, com este exemplo, o uso da internet para o debate sadio e a troca de ideias entre pessoas inteligentes e destituídas de ambições políticas escusas.Recomendo-lhes, sim, a internet, sem sombras de exageros, para a redenção de um sonho que começou muito antes, quando ainda sequer tínhamos os fundamentos do Estado.E, não nos esqueçamos:estudemos a História maiúscula do Brasil!Veremos todos que apesar dos pesares, já fomos melhores do que hoje somos.

http://campus.fortunecity.com/clemson/493/jus/m03-009.htm

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

FEBRE AMARELA E CPMF
(Comentários)

Por favor, leiam com a máxima atenção o utilíssimo artigo a seguir e, se tiverem paciência, os comentários apresentados ao longo dos textos:


Febre amarela ADIB D. JATENE
A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz a disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade
NO PERÍODO em que estive à frente do Ministério da Saúde, tomei conhecimento da importância da relação entre dengue e febre amarela silvestre e o eventual risco da reurbanização desta última. Desde 1942, não ocorreu nenhum caso de febre amarela urbana. Entretanto, persiste, e é impossível eliminar, sua forma silvestre. É por essa razão que o Ministério da Saúde vem vacinando sistematicamente toda a população das áreas de risco, onde há ocorrência de casos humanos, adquiridos sempre nas áreas de mata. Já vacinamos, nos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de pessoas. Nas matas, existe alta concentração de mosquito transmissor e animais, principalmente macacos, portadores do vírus. Daí o risco de pessoas não vacinadas incursionarem em regiões com alta concentração de mosquito, onde alguns estão contaminados e, por isso, são capazes de transmitir a doença. Assinale-se que, nos últimos 12 anos, tivemos 349 casos confirmados, com 161 óbitos, todos adquiridos por pessoas não vacinadas que freqüentaram áreas de mata. A incidência desses casos variou de ano a ano. Tivemos anos com apenas três casos, enquanto em outros, como 1999, 2000 e 2003, ocorreram, respectivamente, 76, 85 e 64 casos, com mortes de 29, 40 e 23 pacientes. Por que com essas três centenas e meia de casos, em doze anos, não tivemos transmissão urbana, já que, nas cidades, existe o Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela? As razões são três: em primeiro lugar, o número de doentes com febre amarela silvestre no mesmo espaço urbano e ao mesmo tempo é muito pequeno, o que reduz significativamente a chance de infectar o mosquito Aedes aegypti; em segundo lugar, é preciso alta concentração de mosquito, ao redor de 40% de infestação, o que corresponde a 40 habitações em cada 100 com a presença do mosquito, segundo a OMS, para que seja possível a transmissão da febre amarela; e em terceiro lugar, porque temos altos índices de cobertura vacinal na área endêmica, portanto, sem susceptíveis em número suficiente para sustentar uma transmissão. A concentração do Aedes aegypti nas cidades brasileiras onde ocorre a dengue não ultrapassa, em média, 5 domicílios infestados em cada 100, suficiente para transmitir a dengue devido ao número alto de doentes, mas absolutamente insuficiente para transmitir a febre amarela urbana. Os que retornam às cidades afetados pela febre amarela silvestre são hospitalizados e têm desenlace, seja para cura, seja para óbito, em prazo relativamente curto. Não há, portanto, nenhuma razão para vacinar as pessoas que não residem em área endêmica nem pretendem adentrar a mata dessas áreas. Vi na televisão pessoas que sempre residiram na cidade de São Paulo e que não pretendem viajar desesperadas, em filas para se vacinarem, alegando que tinham direito. Certamente não tinham necessidade e se expõem aos efeitos adversos de uma vacina com vírus vivo. Nos últimos quatro anos, foram registrados pelo sistema de informação de efeitos adversos pós-vacinação 478 casos (muito mais que os 349 casos de febre amarela registrados em 12 anos), desde reações simples até exantemas generalizados, febre alta e, em dois casos, meningite. Em relação à vacina contra a febre amarela, a Fiocruz é, praticamente, a única produtora em todo o mundo. Há só um outro laboratório privado no exterior, produzindo cerca de 5 milhões de doses por ano, enquanto a produção da Fiocruz é o dobro. A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz sua disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade. Diante da imunização da quase totalidade da população de áreas de risco, o que vem sendo feita há décadas, as recomendações do Ministério da Saúde são suficientes, ratificadas por especialistas e pela própria OMS, para garantir que o país não corre risco de reintrodução de febre amarela urbana, o que seria catastrófico. Em um país em que freqüentemente se busca desmoralizar iniciativas governamentais, disseminando desconfiança na palavra oficial, que se preserve a seriedade com que são tratados assuntos como a febre amarela. Nunca é demais ressaltar a luta por recursos para o setor, seriamente afetada pela decisão -inegavelmente democrática, mas, sem dúvida, perversa-que permitiu retirar R$ 40 bilhões destinados a atender a população de baixa renda e entregá-los a empresas e parcelas da população mais bem aquinhoadas, causando sério risco ao esquema financeiro para o setor.
ADIB D. JATENE , 78, cardiologista, é professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e diretor-geral do Hospital do Coração. Foi ministro da Saúde (governos Collor e FHC), secretário da Saúde do Estado de São Paulo (governo Maluf) e diretor do INCOR.--------------------------------------------------------------------- Folha de São Paulo (22/01/08) http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2201200808.htm


Com respeito e apreço, ousei tecer alguns comentários sobre este artigo:

O dr Adib, um dos maiores médicos brasileiros da segunda metade do século XX, professor emérito da USP, foi cirurgião cardiologista de inegável prestígio internacional.Seu artigo é da maior importância para esclarecer dúvidas, mormente de autoridades desavisadas e acalmar aqueles da população que lêem jornais, contribuindo para evitar a desaconselhável prática da dupla vacinação.
Mostra-se bastante tranqüilo o eminente doutor no caso da recidiva da febre amarela urbana, mas uma pergunta não seria nem inoportuna, nem reprovável, assim creio: caso fosse epidemiologista estaria tão confiante assim, ainda mais se levasse em conta todos os aspectos de omissões governamentais presentes e passadas quanto ao Aedes, evidentemente não de sua responsabilidade, mas de muitos? A dengue vem batendo sucessivos recordes.
Sob o ponto de vista político, ele foi um excelente ministro da saúde, mas é recorrentemente recordado como o mentor da CPMF.Certamente propôs o imposto - alguns insistem em negar tal designação preferindo o eufemismo "contribuição” - por idealismo e humanitarismo, alem de doce (amarga?) ingenuidade, eis que logo sua criatura contributiva foi desvirtuada, prestando-se mais para manobras eleitoreiras e outras piores coisas.


Enviei pela internet os comentários acima para um amigo, o engenheiro José Eduardo de Oliveira Bruno, historiador e membro de diversas academias de história em São Paulo e do Brasil.Ele prontamente remeteu a matéria a seguir, de novembro de 2007, quando ainda acesos estavam os debates em torno do famigerado imposto.Leiam, é muito interessante:



----- Original Message -----
From: J. E. O. BRUNO
To:
Sent: Tuesday, January 22, 2008 6:24 PM
Subject: RE: Jatene e a CPMF

Jatene e a CPMF
Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, "pai" da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: "No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda".Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: "Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!". E Jatene: "Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais". Skaf continua: "A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?". E Jatene: "Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões". Skaf diz: "A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF". "É que a CPMF não dá para sonegar!", diz Jatene.


http://votolula.blogspot.com/2007/11/jatene-e-cpmf.html


Ora vejam só o que faz a política! O Doutor Jatene, antigo aliado do Maluf, de dedo em riste na FIESP! Só o PT para conseguir tal coisa!Não pude deixar de elocubrar, com respeito, os comentários que se seguem:

Sempre concordei que a riqueza e as heranças deveriam ser taxadas, mas nunca aceitei subterfúgios para o aumento da carga tributária incidindo sobre a população mais desfavorecida.Quanto à identificação de sonegadores, propalada virtude do extinto gravame tributário, a imprensa tem noticiado que outras taxações estão em gestação nas hostes petistas para identificar as pessoas que não cumprem suas obrigações fiscais, embora os tribunais, ainda não provocados, emitam sinais audíveis esquentando, a propósito do carnaval, os tambores e tamborins das inconstitucionalidades.Tributar sim, “pero” com sensibilidade e justiça.
Quando se deu o aludido arranca rabo, o doutor Adib, na ocasião politicamente menos ingênuo, ou menos deslumbrado, mas muito mais pragmático, já estava devidamente cooptado para voltar ao Ministério da Saúde.Sem a CPMF, achava que nada mais poderia fazer e pegaria o boné.
Agora, “aqui para nos”, como gosta de dizer um comentarista: em termos de aceitação da sociedade, diria que o notório diálogo se deu em momento errado e, do lado da classe média e dos milhões de assalariados brasileiros, no lugar errado, tendo como pretenso “representante" o sujeito errado.
O Senhor Skaf pode ser tudo alem de empresário competente, mas não seria jamais o campeão indicado para defender aqueles brasileiros pobres, na imensa maioria, que arcaram durante anos, indevidamente, com um imposto em cascata, com prejuízo das compras, da comida e do lazer familiar.Um complemento perverso, isto sim, para tapar os buracos pouco virtuosos de um orçamento viciado em festivais de gastos muitas vezes suspeitos, um queijo furado e malcheiroso permeado por uma das mais insaciáveis cargas tributárias do planeta, com a tendência asfixiante de sempre aumentar.
Ironicamente, o paradoxal PT no poder estava defendendo tese contrária ao seu ideário, a mais equivocada de todas as posturas naquela comédia de erros encenada a contragosto na FIESP.
Note-se, de passagem, que lá ao Norte, uma das primeiras medidas do Presidente Bush para tentar contornar a crise foi diminuir imposto.Aqui, ao contrario, em face de conjunturas internacionais adversas como esta que se delineia e por força dos costumes, imposto sempre fará falta, no caso nem tanto para a saúde, mas para os projetos ditos sociais (também para o PAC? Também para ganhar eleições?).Muito mais depressa do que imaginam os incautos, a CPMF terá um substituto a altura dos 30 ou 40 bilhões erroneamente tidos como perdidos.Mantida a tradicão, logo será substituído por outro, a conferir.
Com ou sem crise, com ou sem PAC, continuo ainda pensando que a supressão da CPMF bem poderia incentivar o consumo de alimentos e bens, permitindo maiores investimentos por parte das empresas.Isto se não surgissem novas ganâncias fiscais.
Em um quadro de real crescimento econômico, ninguém, nem o governo, nem o Doutor Jatene sentiriam saudades deste tributo vindo da era FHC.Afinal, pouco foi aplicado na saúde.Em contrapartida, se houvesse boa vontade e menos desvios, menos corrupção, a saúde seria beneficiada, isto sim, com o refrigério, a colher de chá dada aos brasileiros das classes invariavelmente alijadas de um consumo merecido, sem favor algum a altura de suas necessidades e aspirações.
Resta vigiar, esperar e confiar na crescente conscientização de significativa parcela da sociedade que tem se mostrado cada vez mais vigilante, na esteira de uma imprensa verdadeiramente democrática.Ai é outra história.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A propósito de artigo de Dr Drausio Varella, publicado na Folha de São Paulo, intitulado CIDADE MARAVILHOSA:
É, Dr Drauzio, li seu artigo, abaixo transcrito...Primoroso artigo, mas o senhor apresentou uma única alternativa realmente revestida de mérito factível-O incentivo inteligente às medidas de contenção da explosão populacional, eufemisticamente chamado de planejamento familiar- que aliás não é ideia exclusivamente sua e já foi aplicada em uma outras grandes cidades, em especial Nova Yorque, com resultados bastante positivos.
Mas aqui, doutor, a hipocrisia intelectual de muitos, e mais que isto, a hipocrisia político-social da maioria, campeiam e voam nas asas de inconcebível influência medieval de algumas instituições e organizações, felizmente não todas, que teriam o dever ético de ajudar a encontrar soluções.Não querendo fazê-lo, configurando algo parecido com um modelo equivocado e até perverso, tais entidades representativas da sociedade atuam muitas vezes em sentido contrário àquilo que seria razoável e enfraquecem, dificultam, obstaculizam quaisquer tentativas sérias para atenuar as consequências funestas do desemprego, da fome, do tráfico e por extensão, da violência que tanto infelicita o Rio e outras cidades brasileiras.
Lamentavelmente, permeando tudo isto, parece estar o processo político-eleitoral vigente...O prestigioso médico já se deu conta de que um nascimento a menos aqui ou ali pode representar um voto a menos lá na frente, naquele futuro sem esperanças que nos aguarda a todos?Os seres envenenados pela ambição política vão querer isto?


A Seguir, o artigo:

Não fosse a violência, doença contagiosa, haveria no mundo lugar com mais atrativos?
O RIO de Janeiro continua um cenário de encantos mil, mas está distante da cidade maravilhosa.Semana passada gravei um programa de TV em locações que me obrigaram a circular entre casarões coloniais e becos do início do século passado ainda preservados na região central. Nos espaços entre eles, a visão das montanhas.O sol não deu um minuto de trégua; parecia um crematório. Gravamos até as sete da noite, sem parar sequer para um lanche.Eu tinha acordado às cinco da manhã, em São Paulo. Quando entrei no carro que me levaria de volta para o aeroporto, estava alquebrado, com fome, sede e com a sensação pegajosa de que haviam derramado um galão de cola em meu corpo.Na frente do cemitério São João Baptista, em Botafogo, o trânsito ficou congestionado. Em contraposição à impaciência do motorista carioca, enfrentei a adversidade com resignação paulistana.Em dado momento, ouvi um batuque que vinha do fim da rua. Quando nos aproximamos, pude ver que se originava de um botequim abarrotado de mulatos, negros e brancos que pulavam e batiam nos surdos e tamborins com a energia do herói que cumpre a derradeira missão da existência. Mulheres de calça agarrada e ombros de fora cantavam com os braços para cima e requebravam na calçada.A alegria emanada do bar deu um coice em meu mau humor. Tive ímpeto de descer do carro, pedir uma cerveja, um sanduíche rico em colesterol e chegar perto na folia. A tentação foi tão forte que cheguei a levar a mão à maçaneta da porta, mas fraquejei.Se arrependimento matasse, o autor desta coluna teria ido a óbito dentro do avião, durante as horas de espera até que o aeroporto de Congonhas, fechado pelo mau tempo, autorizasse a partida.Que cidade o Rio de Janeiro!Como pode chegar ao estado de guerra civil em que vive hoje? É inacreditável como aceitamos que nossa cidade-símbolo fosse empobrecida e humilhada, sem esboçarmos qualquer reação coletiva que não seja a de aplaudir invasões de favelas.Quando falamos do Brasil no exterior, os estrangeiros dizem: "Oh! Brazil, Pelé, café" e, invariavelmente, "Rio de Janeiro". O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar são cartões postais tão reconhecidos como a Torre Eiffel, o Big Ben, o Coliseu ou as pirâmides do Egito.Quantos milhões de dólares um país precisaria investir em publicidade para tornar uma de suas praias tão famosa como Copacabana ou Ipanema?Não fosse a violência, doença contagiosa, haveria no mundo lugar com mais atrativos? Que fortuna o país amealharia com a invasão dos que sonham em conhecê-la?Não é possível que nada possa ser feito para retirá-la da situação em que se encontra. É vergonhoso saber que o tráfico arregimenta menores em regime de trabalho anterior à lei Áurea, por salários de setecentos reais sem que sejamos capazes de oferecer-lhes opção mais digna.Qual a solução?Não sei. Mas, deve haver alguma; ou muitas, desde que exista vontade política.Por exemplo, oferecer incentivos fiscais tão generosos quanto sejam necessários, para que empresas ávidas de mão-de-obra se interessem em montar unidades nas áreas pobres. Criar programas federais, estaduais e municipais para investir em infra-estrutura e treinamento de pessoal. Moralizar a polícia, mas dar atenção especial ao ensino, aos postos de saúde e, mais que tudo, levar o planejamento familiar aos mais pobres.Porque, convenhamos, com esse número absurdo de adolescentes dando à luz filhos que não terão condições de educar, de onde virão os recursos para tantas escolas, hospitais, moradias e cadeias para os mal comportados?Tenho consciência, leitor, de que o desabafo acima pode parecer quixotesco, mas não consigo me conformar que um país no qual o cidadão é obrigado a recolher impostos abusivos como o nosso, seja condenado a assistir passivamente à sua ex-capital cair nas garras da bandidagem.Berlim, Hiroshima e outras cidades que os bombardeios transformaram em entulho foram reconstruídas em poucos anos. Hoje é possível andar com segurança em ruas no passado perigosas como as de Nova York ou Chicago. Por que não surge um programa ou sequer uma idéia decente para reduzir a violência urbana entre nós?O Rio é nossa cidade mais conhecida. Ela é como a bandeira brasileira, um símbolo ligado à identidade do país. O drama que a aflige não é problema exclusivo dos cariocas, diz respeito a todos nós e exige mobilização nacional.