Alguns nomes magistralmente escolhidos para obras de grande expressividade do teatro e do cinema são recorrentes em meu pensamento por externarem violência, complexos, monstruosidades comportamentais, carências, culpas ou gritos políticos presos nas gargantas.Em um tempo de tantas aberrações poderiam estar adormecidos na memória.Mas não estão, voltam à baila recorrentemente.Coadunam-se com a realidade.
O mais contundente parece ser: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, isto é, eu e meu computador, mergulhados na asfixiante cena política.Resume o que sinto nesta noite destrambelhada, imunda, em que os contribuintes roncam ou estão todos mortos.O polvo de cinqüenta milhões de braços (não disse povo) também dorme passivo, sem pesadelos, no processo repetitivo que esconde sanguessugas, mensalões e agora festivos e imorais cartões corporativos utilizados em uma farra absurdamente desproporcional às agruras do cidadão comum.Espera o gigantesco molusco, suspirando, a próxima eleição...
De todos os fatos recentes, um se arvora em paradigma para se compreender a conjuntura.Esta inexplicável perda de dados estratégicos da mega empresa estatal poderosíssima que agora contabiliza também reservas gigantescas que poderão ranquear nosso país entre os oito maiores produtores do planeta.Por mais ingênuo que seja o leitor, não há de considerar o acontecimento uma ocorrência meramente policial, ainda que nos digam: Olha, temos as cópias, etc e tal.Acaso não pensaram em criptografar as informações estratégicas?Quem ou que concorrentes farão uso dos dados? A que preço para o país?
Vejo-me adolescente nas ruas e praças portando bandeirinhas e bradando com sinceridade nacionalista: O petróleo é nosso, viva a Petrobrás!Mais ou menos nesta época, lá pelos cinqüentas, passava um filme deprimente intitulado “Quem tem medo de Virginia Woolf” que me impressionou para o resto da vida.Virginia Woolf foi uma escritora que abalou as estruturas mentais na primeira metade do século XX, para o bem e para o mal.
Defendi até esta altura da vida teses intocáveis como o monopólio estatal do petróleo e o acatamento quase sagrado da Petrobrás como condutora da prerrogativa constitucional em proveito do Brasil e de sua sociedade.Já não sei se ainda penso assim.
Parafraseando o mencionado filme ao longo do qual muitos podres da família americana e de suas instituições mais prestigiosas na época vão aos pouco surgindo em atormentados diálogos após uma festa na qual dois casais abusam do álcool, perguntaria: quem tem medo da privatização da Petrobrás?
Como pode um acervo de dados estratégicos da reserva Tupi sumir assim sem mais nem menos, ainda mais transportados num container (!), com o grave risco de favorecimento dos concorrentes internacionais?Nestas circunstâncias já não parece ter muita importância saber quem ou que quadrilha praticou o crime.Importa, isto sim, quantificar as perdas para o Brasil e responsabilizar, refazer, remodelar, revolucionar as estruturas internas de uma empresa que não responde apenas aos seus funcionários ou acionistas, mas acima de tudo, aos mais altos interesses nacionais.Uma empresa tão poderosa que pode ter extrapolado todos os controles da sociedade, incorrendo em equívocos primários aqui e alhures.
Moro em uma cidade de porte médio onde tem uma ponte metálica terminada em 1905.A população esqueceu o nome do político que a inaugurou e a chama carinhosamente de “Ponte Velha”, considerando a estrutura férrea um dos símbolos da cidade, ultimamente expropriado por marqueteiros a serviço da administração municipal.Ah! Tem também um pequeno e romântico jornal com o mesmo nome...
Nesta senda de idéias, concluindo o desabafo, me vem à mente, por associação, o nome de outra peça de teatro famosa: “Panorama Visto da Ponte”.O enredo nada tem a ver com o que vou dizer, mas o título é sugestivo para o que vou fazer: sair pela noite, agora só, para esperar a manhã romper vista da ponte, antes que minha própria imagem desapareça na fuligem da Siderúrgica Votorantin que, para os que não sabem, está chegando célere.
Afora a resplendente paisagem de minha terra, enquanto possível, nada poderei ver de promissor nem descortinarei nenhuma esperança nos horizontes que abrigam o futuro.Este mesmo que está sendo gerado nesta noite suja, ainda ao alcance de nossas consciências entorpecidas.
O mais contundente parece ser: “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, isto é, eu e meu computador, mergulhados na asfixiante cena política.Resume o que sinto nesta noite destrambelhada, imunda, em que os contribuintes roncam ou estão todos mortos.O polvo de cinqüenta milhões de braços (não disse povo) também dorme passivo, sem pesadelos, no processo repetitivo que esconde sanguessugas, mensalões e agora festivos e imorais cartões corporativos utilizados em uma farra absurdamente desproporcional às agruras do cidadão comum.Espera o gigantesco molusco, suspirando, a próxima eleição...
De todos os fatos recentes, um se arvora em paradigma para se compreender a conjuntura.Esta inexplicável perda de dados estratégicos da mega empresa estatal poderosíssima que agora contabiliza também reservas gigantescas que poderão ranquear nosso país entre os oito maiores produtores do planeta.Por mais ingênuo que seja o leitor, não há de considerar o acontecimento uma ocorrência meramente policial, ainda que nos digam: Olha, temos as cópias, etc e tal.Acaso não pensaram em criptografar as informações estratégicas?Quem ou que concorrentes farão uso dos dados? A que preço para o país?
Vejo-me adolescente nas ruas e praças portando bandeirinhas e bradando com sinceridade nacionalista: O petróleo é nosso, viva a Petrobrás!Mais ou menos nesta época, lá pelos cinqüentas, passava um filme deprimente intitulado “Quem tem medo de Virginia Woolf” que me impressionou para o resto da vida.Virginia Woolf foi uma escritora que abalou as estruturas mentais na primeira metade do século XX, para o bem e para o mal.
Defendi até esta altura da vida teses intocáveis como o monopólio estatal do petróleo e o acatamento quase sagrado da Petrobrás como condutora da prerrogativa constitucional em proveito do Brasil e de sua sociedade.Já não sei se ainda penso assim.
Parafraseando o mencionado filme ao longo do qual muitos podres da família americana e de suas instituições mais prestigiosas na época vão aos pouco surgindo em atormentados diálogos após uma festa na qual dois casais abusam do álcool, perguntaria: quem tem medo da privatização da Petrobrás?
Como pode um acervo de dados estratégicos da reserva Tupi sumir assim sem mais nem menos, ainda mais transportados num container (!), com o grave risco de favorecimento dos concorrentes internacionais?Nestas circunstâncias já não parece ter muita importância saber quem ou que quadrilha praticou o crime.Importa, isto sim, quantificar as perdas para o Brasil e responsabilizar, refazer, remodelar, revolucionar as estruturas internas de uma empresa que não responde apenas aos seus funcionários ou acionistas, mas acima de tudo, aos mais altos interesses nacionais.Uma empresa tão poderosa que pode ter extrapolado todos os controles da sociedade, incorrendo em equívocos primários aqui e alhures.
Moro em uma cidade de porte médio onde tem uma ponte metálica terminada em 1905.A população esqueceu o nome do político que a inaugurou e a chama carinhosamente de “Ponte Velha”, considerando a estrutura férrea um dos símbolos da cidade, ultimamente expropriado por marqueteiros a serviço da administração municipal.Ah! Tem também um pequeno e romântico jornal com o mesmo nome...
Nesta senda de idéias, concluindo o desabafo, me vem à mente, por associação, o nome de outra peça de teatro famosa: “Panorama Visto da Ponte”.O enredo nada tem a ver com o que vou dizer, mas o título é sugestivo para o que vou fazer: sair pela noite, agora só, para esperar a manhã romper vista da ponte, antes que minha própria imagem desapareça na fuligem da Siderúrgica Votorantin que, para os que não sabem, está chegando célere.
Afora a resplendente paisagem de minha terra, enquanto possível, nada poderei ver de promissor nem descortinarei nenhuma esperança nos horizontes que abrigam o futuro.Este mesmo que está sendo gerado nesta noite suja, ainda ao alcance de nossas consciências entorpecidas.
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