terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

TRÁGICAS EVIDÊNCIAS

(SOBRE O DESAPARECIMENTO DE UM EMPRESÁRIO)

Não se diga que as buscas para encontrar destroços do helicóptero desaparecido entre Angra dos Reis e São José dos Campos em 24 de janeiro cessaram em decorrência do clima de carnaval. Também não foi o mau tempo... As atividades para resgatar até mesmo despojos humanos do Engenheiro João Verdi de Carvalho Leite, fundador e Presidente da Avibras Aeroespacial e de sua esposa foram suspensas já a algum tempo por não restarem esperanças de encontrá-los com vida. Esta é uma óbvia e trágica constatação.Carente de informações oficiais, rendo-me as evidências e elevo meus pensamentos: Que Deus os tenha.

As diferentes mídias também silenciaram sobre o assunto antes do final de janeiro, fato que me conduziu naturalmente aos sites de pesquisa. O que lá encontrei não foi muito lisonjeiro para o proverbial espírito de tolerância e passividade do brasileiro comum.Por uma razão muito simples:penso,em face deste e de outros acontecimentos, que não é lícito a ninguem cogitar aprioristicamente de teorias conspiratórias como esta, só para citar um exemplo, que agora insufla ânimos dando conta de pretenso assassinato de Jango Goulart a mando de um governante.Até porque o acusador foi preso recentemente por ter cometido crimes diversos.

Longe de mim querer comparar Jango ao Engenheiro Verdi. Entendo que ambos cumpriram importantes papeis, para o bem ou para o mal, na trajetória singular que o pais vem percorrendo em busca da estabilidade política, de um lado, e o crescimento econômico, de outro.O primeiro fora ícone das esquerdas, alijado do poder pelos militares em 1964, tendo sido banido do país.O outro merecera bastante apreço destes mesmos militares e de milhares de trabalhadores por ter sido idealizador,na área empresarial civil, junto a outros, de um importante segmento da indústria voltado para a Defesa Nacional, setor este desprestigiado e deixado a mingua posteriormente por falta de visão de uns poucos ou, quem sabe, por equivocados desígnios políticos.Na segunda metade dos oitentas suas organizações se situavam no topo entre as maiores empresas de exportação.

O presumível passamento deste grande brasileiro, o Engenheiro Verdi, e de sua digníssima esposa, alem de pungente é também amargamente irônico. Na verdade, o empresário levantou vôo para a morte nas vésperas do embarque para a França e para a Rússia da comitiva governamental que se propunha a iniciar o soerguimento dos meios desta negligenciada Defesa Nacional, pela qual tanto labutou. Nos últimos anos tentava reconduzir a Avibras a um novo e expressivo lugar entre as empresas nacionais de exportação.

Fosse por legítimo interesse empresarial, participe de várias negociações com a Rússia por mais de dez anos em muitos projetos, ultimamente reavivados, fosse pelo fato de ser competentíssimo técnico detentor de tecnologias próprias, não poderia, a exemplo de outros empresários do ramo ainda atuantes, ser alijado de eventual participação na mencionada missão comercial, caso prevalecesse apenas o bom senso.Não é plausivel pensar que tal fato tenha ocorrido.

Trabalhei com ele durante um breve período. Não o vejo há quase vinte anos, mas fico pensando:Teria sido chamado as pressas para externar algum esclarecimento, opinião ou consultoria?Nunca se saberá.Confirmo apenas que era muito bom piloto, consciente de riscos, dominando variados tipos de aeronaves. Tinha plena consciência dos inúmeros acidentes aéreos que vitimam incautos ou afoitos naquelas rotas aéreas que demandam o Vale do Paraíba vindas do litoral, quando variam bruscamente as condições meteorológicas.Quem não se lembra da tragédia que vitimou o Dr. Ulisses, familiares e amigos?Parece que algo de muito importante moveu a roda do destino naquele fatídico entardecer fazendo-o viajar.

Ora, estas são meras suposições ou talvez exercícios de raciocínio por vias indiretas para ressaltar um fato que também acarretou inúmeras pequenas tragédias familiares decorrentes do desemprego, quando empresas de armamento fecharam as portas, alem de pesado ônus às forças armadas brasileiras, a seguir explicitado. Se nada de concreto resultar destas considerações, talvez sirvam de propósito para uma oração pelos mortos, alem de trazer às consciências um fato ocorrido no início dos noventas, trágico também, mas não tão evidente, que muito custou e custará ao nosso país:o deliberado esvaziamento da indústria nacional de meios de defesa, processo autofágico até hoje pouco transparente para a sociedade brasileira.


2 comentários:

Otavia Paiva Sommavilla disse...

Oi!
Que tragédia, realmente uma pena que não tenham dado mais informações e nem tenham descoberto o que aconteceu...Um acidente infeliz.
beijo

Anônimo disse...

Entre os teus e os meus lhe digo: espero que ele esteja vivo para nos contar essa história com toda sua simpatia.

ass. um dos milhares.