quarta-feira, 27 de agosto de 2008

RAPOSA SERRA DO SOL:MAIS UM CAPÍTULO


Um Ministro do Supremo vota com a consciência, saber jurídico e o conhecimento dos fatos.Caso seja relator do processo deve ter em mente as consequências que poderão advir de suas palavras inscritas nos anais, a serem cumpridas a ferro e a fogo, caso prevaleça em plenário sua posição.O mesmo se deve esperar de temas já apreciados, de grande relevância, como por exemplo, o uso das células tronco, o nepotismo, as listas sujas de candidatos, impugnações que amarelecem no contraditório, etc. Haja Ministério Público, haja polícia, haja vontade heróica para transformar julgamentos em ações.
Poucos brasileiros talvez saibam que neste 27 de Agosto entrou em julgamento a demanda em torno da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, na qual se cogita do indiscutível direito que certas etnias índias têm quanto às terras que ocupavam ou pelas quais passavam ancestralmente.Fosse somente isto seria muito simples, mas o embrulho é maior, eis que subjacentes estavam, e estarão, até o juízo final, assuntos como soberania e defesa nacional, possibilidade de conflito entre irmãos, propriedade privada com a retirada de famílias da área, discriminação de brasileiros miscigenados, a saga de fazendeiros que acreditaram na expansão da fronteira agrícola, contrabando, desmatamento, o ordenamento jurídico do país, o desmesurado arbítrio de funcionários de segundo nivel que destinaram, a revelia da opinião pública, vastas áreas a poucos, enfim, o próprio pacto federativo.
E tudo isto vem acontecendo a década e meia num cenário onde se misturam fronteiras internacionais desabitadas, imensas riquezas minerais, igrejas em litígio, assinaturas de tratados contraditórios, impedimentos físicos de livre trânsito nas estradas federais, seletividade de quem pode ou não adentrar as reservas e, o que é mais grave, ações visivelmente deletérias de organizações estrangeiras fora de qualquer controle que há muito fazem a cabeça dos índios sob as vistas complacentes, pasmem, de órgãos governamentais e políticos da situação com mandato na presente legislatura.
Não foi possível acompanhar o relatório do Ministro na íntegra.O que se pode auferir de ponderáveis trechos de sua explanação foi mais ou menos o seguinte: o iminente jurista teceu doutas e transcendentais considerações em torno da fraternidade que deve existir entre povos, governos, cidadãos, famílias, etc. Igual período de tempo consumiu para nos ensinar que cabe aos governantes, em todos os níveis, criar condições para que subsista, em quaisquer condições, a decantada fraternidade que ele crê com substância jurídica, lembrando que tal componente dos ideais da Revolução Francesa nunca foi institucionalizado, diferentemente da igualdade e da liberdade...
Mas era isto que a sociedade esperava do preclaro Ministro? A resposta fica uma tanto prejudicada.Porque? Ora, numa quadra de nossa história em que leis não são cumpridas, outras nem "emplacam" nos costumes, os criminosos de colarinho branco não ficam presos, a violência impera a despeito de aparatos policiais e imensos gastos governamentais sem resultados, poder-se-ia pensar em por em prática seu ilustre discurso, quase um repositório de boas intenções que tangenciam a ingenuidade?Ora, deveria o iminente magistrado conversar com os juízes que exercem seu mister no Rio de Janeiro e em tantos lugares onde o banditismo cria zonas liberadas e coisas piores.Não há nem haverá governos, polícias, ministérios públicos capazes de por em prática suas teorias.Enquanto isto Roraima espera agonizante.
Respeite-se seu voto propugnando pela demarcação contínua nas absurdas dimensões propostas pelo governo.Mas seu relatório ficaria melhor em uma hipotética festa de formatura em um curso de advocacia.Lá certamente receberia aplausos dos jovens ainda não calejados e infelicitados nas lides.Não encontraria a contradita-lo o Ministro Rezek ,do qual muitas vezes se valeu em seus estudos e pareceres.

domingo, 24 de agosto de 2008

A FUNAI E A FEDERAÇÃO

HÁ DIAS TOMEI CONHECIMENTO DE OPORTUNO ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO COM O TÍTULO ACIMA, ASSINADO POR DENIS ROSENFIELD, DANDO CONTA DE ATOS ADMINISTRATIVOS EXORBITANTES NA IDENTIFICAÇÃO E DEMARCAÇÃO DE RESERVAS INDÍGENAS COMO A RAPOSA SERRA DO SOL, EM RORAIMA, E OUTRA, AO SUL DE MATO GROSSO DO SUL.TRANSCREVO UM PEQUENO TRECHO:... "BASEADA NUMA PROFUSÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS, EDITADOS POR ELA MESMA, E FORA DE QUALQUER CONTROLE, A FUNAI, SOB O MANTO DA JUSTIÇA SOCIAL, DEIXOU TRANSPARECER SEU POUCO APREÇO PELO DIREITO DE PROPRIEDADE, E, ATRAVÉS DESTE, PELO ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL DO PAÍS...”.
PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS DE AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS SÃO PREVISTOS NA LEI MAIOR, MAS APLICÁVEIS APENAS A SITUAÇÕES ESPECÍFICAS QUE NÃO SE CONFRONTEM COM A LEI OU QUE POSSAM POR EM CHEQUE A HARMONIA ENTRE PODERES.FAZER LETRA MORTA DESTA VERDADE ÓBVIA É TENTATIVA DE SUICÍDIO, VERDADEIRO TIRO NO PRÓPRIO PÉ.
OUTROS COMENTÁRIOS SERIAM DESNECESSÁRIOS APÓS ESTA INTRODUÇÃO, MAS NÃO ME FURTO AO DEVER DE CONSCIÊNCIA DE ADVERTIR MEUS LEITORES, COM A ÊNFASE POSSÍVEL, PARA QUE NÃO SOBREVENHA NO FUTURO UM CAOS INSTITUCIONAL QUE A NINGUÉM INTERESSA.FORÇOSO É RECONHECER, NO CENÁRIO EM QUE VIVEMOS, QUE AS ESPERANÇAS DE CONTER TAIS DESVIOS SÃO TÊNUES, EMBORA OS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS A INGERÊNCIAS INDEVIDAS DE FUNCIONÁRIOS MOVIDOS POR RAZÕES IDEOLÓGICAS SEJAM GRITANTES.

NUMA QUADRA EM QUE O PODER LEGISLATIVO SE MOSTRA FRACO, TENDO MUITOS DE SEUS INTEGRANTES COMPROMETIDOS COM ESQUEMAS DE PODER OU COM O RABO PRESO, POUCO FALTARÁ PARA QUE BUROCRATAS DE CERTOS ÓRGÃOS DO EXECUTIVO FAÇAM LETRA MORTA DA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO, ABREVIANDO , POR TAL VIA DESASTROSA, O CAMINHO PARA A RUPTURA DO ORDENAMENTO JURÍDICO, NO QUAL SOBRELEVA O PACTO FEDERATIVO, BEM COMO O DESFALECIMENTO DAS INSTITUIÇÕES.
O GOVERNO, POR DEVER DE OFÍCIO, COMO FIADOR E GUARDIÃO DO ESTADO DE DIREITO, DEVERIA SE PREOCUPAR MUITO MAIS QUE QUALQUER MORTAL COM O REFERIDO PACTO E AS GRAVES CONSEQUÊNCIAS QUE PODERÃO ADVIR , EIS QUE VÁRIOS ESTADOS VEM SENDO E SERÃO AMPUTADOS DE CONSIDERÁVEIS PARTES DE SEUS TERRITÓRIOS.

USURPANDO UM PODER ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS DE OUTRO,NO CASO O SENADO, CONFIGURARIAM TAIS FATOS PORTAS ABERTAS PARA MUDANÇAS RADICAIS NO REGIME DEMOCRÁTICO? ENTENDO QUE A RESPOSTA PODE SER SIM, COM O ANDAR OU AS TROPELIAS DA CARRUAGEM.EVIDÊNCIAS PULULAM, SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER ...
ENQUANTO ISTO, OS TRIBUNAIS SUPERIORES SE ENREDAM EM QUESTÕES MENORES, EXCLUINDO-SE O EMBLEMÁTICO CASO DA RAPOSA DO SOL E UMA OU OUTRA DECISÃO ELEITORAL.O SENADO VIVE CRISE DE CREDIBILIDADE E PARECE ALHEIO A USURPAÇÃO DE SEUS PODERES.NADA NEM NINGUÉM COM REPRESENTATIVIDADE TÊM VONTADE POLÍTICA OU CACIFE PARA METER OS DEDOS NESTAS FERIDAS.

É BEM VERDADE QUE, EM FACE DE ANTIGAS DEFICIÊNCIAS EDUCACIONAIS, MILHÕES E MILHÕES VOTAM DECISIVAMENTE NO MISTER DE AVALIZAR UM SISTEMA ÚTIL ATÉ AQUI, MAS QUE NÃO COMPREENDEM E, CONSEQUENTEMENTE, NÃO PODEM APRIMORAR.EM INSTÂNCIAS ÚLTIMAS, O PREJUÍZO SERÁ DE TODOS, IMPOSSIBILITADA, QUEM SABE, A SADIA ALTERNÂNCIA NO PODER.
NÃO OBSTANTE, QUE SE ENCONTRAR ALGUMA FORMA DE DIZER NÃO AOS QUE INTENTAM AGORA SITUAR-SE NO CERNE DA DEMOCRACIA LANÇANDO MÃO DE INSTRUMENTOS PÚBLICOS, DE CUNHO PRETENSAMENTE SOCIAL, QUE PECAM DE MODO CAPITAL PELA BASE, EIS QUE EXTRAPOLAM LIMITES E DESAUTORIZAM LEIS EM VIGOR.NA QUESTÃO DAS RESERVAS INDÍGENAS TAIS ATOS TEM SIDO PRATICADOS SEM PARCIMÔNIA, APARENTANDO NORMALIDADE QUE NÃO TÊM ATÉ MESMO PARA PESSOAS ESCLARECIDAS, MULTIDÕES DESAVISADAS E, PASMEM, ORDENS ADVOCATÍCIAS.

EMBORA O SISTEMA POLÍTICO PERCA SUBSTÂNCIAS PURISTAS E IDEAIS REPUBLICANOS A CADA ELEIÇÃO, AINDA SE CRÊ QUE A SOCIEDADE POSSA DESENCADEAR UMA REAÇÃO DE ALCANCE NACIONAL A SER CONCRETIZADA PELA VIA POLÍTICA, APESAR DAS URNAS BOLSISTAS, INTEGRADA A INDISPENSÁVEIS MUTIRÕES DA JUSTIÇA.
TALVEZ, POR OBRA E GRAÇA DO ESCLARECIMENTO DIUTURNO E INCASÁVEL NAS ESCOLAS, NA MÍDIA, NA INTERNET OU NOS REDUTOS ONDE DOIS OU MUITOS SE REUNAM EM NOME DA VERDADEIRA DEMOCRACIA, POSSAM SER REVERTIDAS AS EXPECTATIVAS SOMBRIAS QUE SE DELINEIAM PRENUNCIANDO HORIZONTES INFELIZES, IDÉIAS SEPARATISTAS E LUTAS INTESTINAS QUE O BRASILEIRO COMUM NÃO DESEJA NEM MERECE.