SÍMBOLOS, FANTASMAS DA CIDADE (II)
José Alberto Somavilla
Que sabemos sobre esses alienígenas que aqui chegaram
Durante séculos, sem registros precisos na história,
Queimando as matas, maculando os ares,
Alheios sempre aos encantamentos da paisagem?
Vieram sem pejo de seus escravos, sapiências e estrovengas,
Difundiram costumes, doces uns, outros indignos,
Usando perversamente águas e fluidos que nunca mereceram,
Transmitindo a prole talvez o gene da destruição.
A ferro e fogo marcaram espaços, procriaram, quase se perpetuaram
Com seus açucares, gados e frutinhas vermelhas.
Não poderão isentar-se, na história, de malefícios que causaram
Aos deslumbramentos ancestrais dessas montanhas
E aos mansos semblantes das gentes que aqui viviam.
E quanto a nos, retardatários... Símbolos Redimem-nos?
A Mantiqueira, igrejas, casarões do vale já não gritam...
As fazendas consomem-se em ruínas, maldições,
Regurgitando pecados homiziados nos porões do esquecimento:
Crianças sem lares, sem tabas, sem quilombos,
Vítimas de eitos criminosos, vícios, devassidões,
Mestiças, sem cor de pele definida, sem tradições,
Cruzamentos malsinados de tatu com cobra, como se dizia,
Emergem, são fantasmas nos grotões da mentira e da arrogância
E proliferam sem esperanças, sem alegria, prostituídas,
Sulfúreas, perambulando insones, meio cinzentas,
Quase no sopé do Itatiaia, bem defronte a siderúrgica.
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